domingo, 30 de dezembro de 2007

Mensagem de fim de ano

Que 2008 seja um movimento allegro vivace na sinfonia de sua vida.

E que você busque ser,

Divino como Bach
Genial como Mozart
Impetuoso como Beethoven
Intenso como Tchaikovsky
Torrencial como Villa-Lobos
Festivo como Strauss II
Sedutor como Wagner
Sensível como Chopin
Caleidoscópico como Debussy
Preciso como Ravel
Revolucionário como Stravinsky
Prolífico como Telemann
Grandioso como Mahler
Plácido como Palestrina
Inventivo como Bernstein
Ousado como Schoenberg
Exemplar como Hildegarda de Bingen
Fiel como Clara Schumann
Tocante como Robert Schumann
Inteligente como Mendelssohn
Espirituoso como Schubert
Impetuoso como Piazzolla
Leve como Dowland
Complexo como Des Prez
Introspectivo como Erik Satie
Galhofeiro também como Satie
Racional como Haydn
Bem-humorado como Rossini
Melodioso como Verdi

Carlos Eduardo Amaral
24/12/07.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Bernstein celebrado em 2008

Publicado em 26.12.2007

O maestro, que se estivesse vivo completaria 90 anos, já tem videobiografia e será alvo de várias homenagens

João Luiz Sampaio
Agência Estado

Entre tantas outras efemérides ligadas a importantes nomes da música clássica – do centenário de Olivier Messiaen ao bicentenário da Quinta de Beethoven – 2008 também será o ano do maestro e compositor norte-americano Leonard Bernstein, que nele completaria seu 90º aniversário. Preparem-se para uma enxurrada de CDs, DVDs, edições de livros. A festa já começou no início de 2007, com as integrais de Mahler e Brahms, e continua com o documentário The gift of music, de Horant H. Hohlfeld, feito pouco depois da morte do músico, em 1990, e lançado há pouco pela Deutsche Grammophon em DVD.

Professor, comunicador, compositor, maestro, pianista. Explorar as diversas facetas da trajetória do norte-americano Leonard Bernstein é, de alguma maneira, caminhar por muitas das questões que serviram de mote para a música do século 20. Ele jamais se filiou a escolas, tendências. Desde o início da carreira, seguiu como único dogma sua experiência pessoal, transitando por áreas e gêneros que respondiam, antes de qualquer coisa, à sua própria sensibilidade, criando obras que vão, sem constrangimento, do tratamento sinfônico do jazz à linguagem dodecafônica, sinfonias, concertos para piano, musicais, óperas etc. Isso, claro, como compositor.

Como maestro, o que fez foi reforçar o papel do intérprete, sua mística, sua função como co-autor das obras que interpreta. Todos esses elementos, no entanto, se articulam em uma só preocupação ou característica – a utilização das mídias visando à comunicação com o público, manifestada não apenas no caráter das suas obras mas também na atividade como professor, palestrante, escritor.

Diante de tamanha diversidade e complexidade, um retrato em pouco mais de uma hora de Bernstein é, desde a teoria, improvável. Mas, ainda assim – ou por isso mesmo –, desejável. O filme de Hohfeld não se aprofunda em nenhuma questão, preocupado que está em conceitulizar a atividade de Bernstein ao mesmo tempo em que recupera cronologicamente sua trajetória.
Da mesma forma, falha ao tentar articular as inúmeras relações possíveis entre obra e biografia, anunciando uma essência criativa que acaba não nos demonstrando. Sobram, no entanto, imagens raras e curiosas, cenas de ensaios e bastidores que vão sem dúvida agradar aos fãs de música. No conjunto, serve como boa introdução ao universo de Bernstein.

Mas ele ainda aguarda uma versão mais completa, à altura da vida que levou e da obra que deixou. Quem sabe em 2008.

Fonte: JC, Caderno C, 26/12/07.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Estúdio de gravação do CPM ganha novo fôlego em 2008

Desativado há quase 10 anos, equipamento do Conservatório de Música volta a funcionar com todo seu potencial

Júlio Cavani, Da equipe do Diario

Lenine, Chico Science, Diminguinhos, Naná Vasconcelos, Siba, Paulo Rafael, Orquestra Armorial, os monges do Mosteiro de São Bento, Airto Moreira, Sérgio Mendes, Stela Campos e o Mestre Salustiano estão entre os artistas que já gravaram discos no Conservatório Pernambucano de Música (CPM). O estúdio de gravação da instituição, no entanto, está praticamente desativado há quase dez anos, mas vai voltar a funcionar no início de 2008 com novos equipamentos.

Segundo Sidor Hulak, atual diretor do CPM, "o estúdio era ao mesmo tempo um valor e um problema", pois seu potencial não vinha sendo aproveitado como poderia. A sala que ele ocupa ficou fechada durante anos, pois era usada apenas em gravações pontuais e esporádicas de instrumentos específicos, mas não de discos inteiros. Os novos equipamentos já foram comprados depois de um processo de licitação e as atividades podem ser retomadas dentro de até dois meses

"Inicialmente, vamos usar o estúdio para as atividades pedagógicas do Conservatório, mas nada impede que depois ele adquira uma vida própria", prevê Hulak, que não descarta a possibilidade de criar um selo do CPM. "Quando ele funcionava bem, era uma loucura. Outro público circulava por aqui."

Quando voltar a ser usado, o estúdio do Conservatório não será o mais moderno e completo de Pernambuco, mas é o único que tem estrutura para gravar diversos instrumentos acústicos. A sala onde ele funciona é interligada ao auditório da instituição, que permitirá gravações ao vivo, inclusive de orquestras inteiras.

O estúdio pode se tornar o melhor lugar do Recife para se gravar instrumentos como vibrafone, tímpano, marimba e cravo, que estão disponíveis no acervo do Conservatório. As gravações também podem usar um piano Steinway, semelhante aos existentes no Teatro de Santa Isabel e na Universidade Federal de Pernambuco.

Segundo o guitarrista Fred Andrade, professor do consevatório, um diferencial do estúdio é a presença de antigos equipamentos analógicos, como microfones valvulados e um gravador de rolo da marca japonesa Otari, com 24 canais. "Vamos poder combinar tecnologias digitais com analógicas, sem precisar comprimir o som. Gravar rok aqui também vai ser perfeito. Poucos têm esses microfones. Para captar o som do violão, por exemplo, eles são ideais", detalha o músico.
Para os alunos, o estúdio também vai permitir o aprendizado de técnicas de gravação. "Muitos deles acabam se tornando reféns dos técnicos quando precisam gravar alguma coisa", constata Hulak. Segundo ele, os estudantes também vão poder levar gravações para estudar em casa, pois, hoje em dia, muitas vezes eles ainda são obrigados a assistir às partituras sendo solfejadas ou tocadas ao vivo pelos professores. "O aluno vai ter uma noção mais real do que ele está escutando."

Por estar anexo ao auditório, o estúdio também tem vantagens acústicas, pois pode aproveitar a arquitetura do lugar, projetado para proporcionar uma reverberação perfeita do som. Entre as novas aquisições, também há equipamentos de vídeo, que permitirão a produção de DVDs. De acordo com o diretor, será possível digitalizar e recuperar todo o material audiovisual que está guardado nos arquivos do CPM, que inclui recitais, concertos e apresentações históricas.

Fonte: DP, Viver, 23/12/07.

João Alberto

Imperdível - A TV Clube/Bandeirantes mostra hoje, às 20h, especial com o tenor Andréa Bocelli. Simplesmente imperdível.

Fonte: DP, Viver, 23/12/07.

Comentário pessoal 1: Andrea Bocelli? Pffff...
Comentário pessoal 2: Andrea é sem acento.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Vítor Araújo faz bem o seu dever de casa

Publicado em 22.12.2007

Jovem pianista recifense conseguiu dominar o nervosismo na gravação do primeiro DVD, realizada ao vivo no Teatro Santa Isabel

Talles Colatino
tallescolatino@gmail.com

“Sei que tenho muita coisa pra provar. Não sei se consigo, mas tento”. Tentou e não deixou nada a desejar. O jovem pianista Vítor Araújo lotou o Teatro de Santa Isabel, na quinta-feira, para a gravação do seu primeiro DVD. A frase que abre esse texto, dita por Vítor no decorrer da sua apresentação, mostra que o músico sabia perfeitamente que tipo de expectativa o público tinha ali: de ver se o adolescente prodígio dava conta do recado. O nervosismo aparente do início, ao longo do concerto, deu espaço ao à segurança que Vítor conquistou ao longo da noite.

A gravação, marcada para começar às 20h, começou com 40 minutos de atraso, o que causou certa impaciência na platéia. No ápice da espera, o público começou a bater palmas exigindo o início do concerto. Até que as luzes apagaram e Vítor entrou no palco. Sempre performático, pisou no teclado do piano para abrir o concerto com um clássico do seu repertório, Dança do índio branco, de Villa-Lobos. Em certos momentos, os movimentos bruscos de Vítor sobre o piano chamam mais atenção do que a execução da obra. Mas ali era válido, fazia parte de seu show.

E realmente “seu” show. A satisfação de tocar para o Santa Isabel lotado, como ele mesmo disse ser seu maior sonho de consumo, fazia Vítor se soltar mais a cada música. Músicas que montavam um repertório, no mínimo, curioso. “Sempre que me vêem, acham que fui criado ouvindo Mozart e Villa-Lobos. Gosto sim, claro, mas poucos sabem que nada me influenciou mais que o rock. Acho que se Beethoven ou Chopin tivessem conhecido Radiohead talvez gostassem”, disse, em tom amistoso, antes de tocar Paranoid android, da banda inglesa.

Músicas de outros compositores à parte, Vítor atraiu atenção e fortes aplausos para suas composições próprias. Valsa para Lua, foi, sem dúvidas, a melhor música da primeira parte do programa, que encerrou com uma interpretação muito pessoal de Asa branca, de Luiz Gonzaga. “O mundo racionaliza muito e todos têm a idéia de que o complexo é que é o bom. O que mais vale é o sentimento, e com ele a simplicidade. Gonzagão só precisou de cinco notas para compor uma das mais belas músicas brasileiras”, conversa Vítor com a platéia.

O repertório da segunda parte da noite contou foi igualmente eclético com Toc, de Tom Zé, e Sonatina, de Edino Krieger. A noite terminaria com o frevo Último dia, de Levino Ferreira e Última sessão, peça de título provisório, composta por Vítor. No final, por provalvemente mais capricho que qualquer outro fator, Vítor decidiu repetir a execução de uma das músicas mais aplaudidas da noite, Samba e amor, de Chico Buarque.

Fonte: JC, Caderno C, 22/12/07.

Pianista com jeito de pop star

Vítor Araújo pisou em cima das teclas do Piano Steinway assim que subiu ao palco do Teatro de Santa Isabel, na gravação ao vivo de seu primeiro DVD-CD, na última quinta, com casa lotada. Com essa provocação inicial, o pianista, com um par de tênis All Star nos pés, deixa claro que não quer fazer parte da elite da música clássica. Ele prefere ser uma artista assumidamente popular, como ficou evidente em seu repertório, que incluiu versões pianísticas para canções de Chico Buarque, Radiohead, Tom Zé e Luiz Gonzaga.

Vítor Araújo gravou 1º DVD/CD e tocou MPB e rock do Radiohead Foto: Ricardo Fernandes/DP"Não há nada que tenha me influenciado mais do que o rock", assumiu o músico para a platéia. "Estamos acostumados a considerar como bom aquilo que é complexo, mas o que é simples pode ser muito mais genial. A gente pensa muito e sente pouco", opinou, antes de tocar Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, composição que tem apenas cinco notas.Vítor tem 19 anos e, com menos de um ano de carreira solo, conseguiu repercussão nacional com seu comportamento performático que transgride as convenções do protocolo da música clássica. Por causa de suas polêmicas, até para Jô Soares ele já deu entrevista, uma visibilidade meteórica que poucos maestros e pianistas, considerados gênios, conseguem alcançar (até porque a mídia e a qualidade nem sempre andam juntas).

Músicas de Heitor Villa-Lobos, Cláudio Santoro e Edino Krieger, compositores que costumam ser classificados como eruditos, também estavam no repertório do "show" (como o pianista prefere chamar sua apresentação). Suas transgressões, no fim das contas, são muito mais cênicas do que musicais. Ele não segue as partituras originais com fidelidade, mas respeita a estrutura geral delas."Beethoven e Bach poderiam gostar de Radiohead se estivessem vivos", comentou antes de tocar a música Paranoid android, do grupo de rock inglês. A inclusão dessa canção seria até ousada se já não fosse um clichê, pois essa releitura, com exatamente a mesma banda, já tem sido feita pelos pianistas clássicos norte-americanos Christopher O'Riley e Brad Mehldau. Apesar dessafalta de originalidade, Vítor, pelo menos, atualiza o público brasileiro sobre o assunto e proporciona, antes de tudo, um momento de beleza sonora para os ouvidos.

Pelas mãos de Vítor, curiosamente, a música do Radiohead ficou mais linear, com menos camadas e menos complexidade do que a gravação original da banda. De Chico Buarque, Vítor Araújo executou uma versão jazzística de Samba e amor, intercalada por trechos de Hit the road Jack (de autoria de Percy Mayfield, famosa por Ray Charles).

Artisticamente, os momentos mais relevantes do recital foram mesmo as três músicas de autoria do próprio Vítor. Seu estilo lembra o de compositores de trilhas sonoras para cinema, como Michael Nyman (O piano) ou Yann Tiersen (O fabuloso destino de Amélie Poulain), de quem ele também tocou um tema. O DVD e o CD de Vítor vão ser lançados pela gravadora carioca Deck Disc, com distribuição nacional. (Júlio Cavani)

Fonte: DP, Viver, 22/12/07.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Repórter JC

SaGrama no ciclo natalino da Torre Malakoff

O grupo de música instrumental SaGrama estará, hoje, às 20h, na Torre Malakoff, tocando obras que marcaram a carreira do grupo.

Fonte: JC, Brasil, 21/12/07.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Alunos da UFPE são premiados pelo Conservatório Pernambucano de Música

Estudantes do Curso de Bacharelado em Música da UFPE foram premiados no IX Torneio de Piano do Conservatório Pernambucano de Música. Manoel Theophilo Gaspar de Oliveira Filho, sob orientação da professora Heloísa Maibrada, recebeu o 1º lugar na Categoria D, que inclui alunos entre 17 e 21 anos. Paula Cristina Scheid, orientada pelo professor Marco Antônio Caneca, ficou em 2º lugar na mesma categoria. A premiação ocorreu na última quinta-feira (13), no auditório do conservatório, com apresentações musicais dos vencedores.

Paula, que está cursando o 2º período, destacou que a vitória exigiu muito treino. “O que fiz foi estabelecer meu objetivo e batalhar por ele”, afirmou. “Participar, não só vencer o torneio, é muito importante pra quem estuda piano, e Paula e eu o encaramos como um desafia a ser vencido”, disse Manoel, que está no 4º período.

O Torneio de Piano do Conservatório Pernambucano de Música acontece a cada dois anos e tem por objetivo incentivar alunos das escolas de música do Recife e Olinda. Na edição deste ano, o evento contou com a participação de alunos de diversos estabelecimentos de ensino da região. “Essa é uma das competições mais importantes do Estado e tem trazido novos estímulos, colocado talentos no mercado, ajudando-os a despertar para uma carreira musical de sucesso”, enfatizou a professora Heloísa Maibrada, do Departamento de Música da Universidade.

Mais informaçõesDepartamento de Música(81) 2126.8318
Fonte: Boletim Ascom/UFPE, 20/12/07.

Hora da verdade para Vítor

Publicado em 20.12.2007

Pianista prodígio grava DVD ao vivo no Santa Isabel. Ele ensaia quatro horas por dia para que tudo saia perfeito

José Teles
teles@jc.com.br

Em menos de um ano, o adolescente Vítor Araújo passou de um promissor e desconhecido estudante de piano a músico profissional, contratado da Deck Disc, uma das maiores gravadoras nacionais. Neste ínterim, provocou uma polêmica com o consagrado compositor e também pianista pernambucano Marlos Nobre e foi entrevistado no Programa do Jô.

Hoje, às 20h, Vítor está mais uma vez ao piano para uma apresentação especial no Santa Isabel, para gravação do seu primeiro disco pela Deck. Na realidade, um dual disc, ou seja, de um lado o registro do show, do outro apenas o áudio. A direção da gravação será de Fabrizio Martinelli, que dirigiu, recentemente, o elogiado Paulinho da Viola Acústico MTV.

“Vou realizar meu sonho, que é tocar no palco do Santa Isabel”, revela Vítor. E foi no Santa Isabel que a carreira dele decolou: “Embora meu primeiro show profissional tenha sido em Maceió, meu primeiro concerto no Recife foi no salão nobre do Santa Isabel, que foi gravado para o DVD demo, que começou toda a história”, conta ele.

Sua maneira nada ortodoxa de tocar, as ousadias em cima dos temas que interpreta, mostradas neste DVD demo, irritaram o compositor Marlos Nobre, que não aprovou a maneira como Vitor Araújo tocou o seu Frevo, e atraiu atenção nacional sobre o jovem pianista.

Vítor Araújo se prepara arduamente para a gravação, enquanto continua seus estudos do instrumento, e ainda arranja tempo para descolar um cachezinho tocando com o grupo Seu Chico, especializado no repertório de Chico Buarque: “Estou ensaiando feito um doido, pelo menos quatro horas por dia, sempre à tarde, porque como o grupo toca à noite, e geralmente só termina de madrugada, durmo grande parte da manhã”.

Como já ressaltou várias vezes, Vítor Araújo não tem pretensões a se dedicar apenas aos clássicos, e isto fica claro na relação das músicas que selecionou para o show de hoje, um repertório que não poderia ser mais eclético, começando com Paranoid android, do Radiohead (de Ok Computer), suas inclinações para o cinema estão em duas composições próprias, e uma de Yann Tiersen (da trilha do filme Amélie Poulain), e segue na contramão da ortodoxia tocando Tom Zé, Chico Buarque, Villa-Lobos, Cláudio Santoro, Luiz Gonzaga, e Levino Ferreira, de quem interpretará o antológico Último dia.

Vítor afirma que ainda não lhe bateu o nervosismo pela estréia no palco do Santa Isabel, ainda por cima com a responsabilidade de estar registrando um vídeo para a Deck Disc: “Até agora estou me sentindo como se fosse fazer um show como tantos outros, mas sei que na hora vai ser diferente, com os técnicos, produtores, cenário (de Fernando Duarte), só espero que a casa fique lotada”.

» Vítor Araújo – Show de gravação do DVD. Teatro Santa Isabel. Hoje, 20h. Ingresso: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)

Fonte: JC, Caderno C.

Alex

Virtuosi e almoço no Leite

Publicado em 20.12.2007

Segunda-feira, em mesa do Leite, o compositor Marlos Nobre (com seus vastos cabelos brancos caindo sobre a testa e contrastando com as sobrancelhas de um negro intocável), o sempre bem humorado maestro Rafael Garcia (quando não está ensaiando uma peça musical) e o editor da coluna. O cavalheiro lusitano que é Armênio Dias vai até nossa mesa. Ele já sabia da fama artística de Marlos Nobre e Rafael Garcia e mandou preparar pratos soberbos. No final foi conversar e nos brindou com um Porto de vinte anos. Foram momentos ótimos. Falamos detalhes do colossal sucesso do Virtuosi. Os dois músicos ainda exaustos. Marlos Nobre, amigo de longa data, é uma figura simples, não fica lembrando que é um dos compositores brasileiros mais conhecidos no exterior, que é presidente do Comitê Brasileiro de Música do CIM/Unesco. Ele participou do Virtuosi tocando o seu Frevo nº 2, ao piano, dedicado como homenagem a Ariano Suassuna. E foram ouvidas mais duas músicas de sua autoria: Cantoria II para violoncelo solo, executada por Leonardo Altino, e o IV Ciclo Nordestino com temas dos caboclinhos, maracatu e frevo interpretada pelo pianista filipino Victor Assuncion. Marlos confessa que ao chegar aqui, em sua terra, sente mais inspiração para compor porque a riqueza musical de Pernambuco é imensa. E Rafael Garcia recebendo elogios gerais pelo Virtuosi. Todos merecidos.

» NOBRE UM COMPOSITOR DO RECIFE
Durante a conversa com Rafael Garcia e Marlos Nobre, este me ofereceu o seu CD Brasil com músicas suas e de Villa-Lobos. CD foi feito na Alemanha, com a soprano Pilar Jurado e o Cello Octet Iberico. O disco é um colosso, patrocínio do Banco do Brasil

» Academia
Segunda-feira foi uma noite de festa na Academia Pernambucana de Letras com a sua tradicional ceia de confraternização natalina. As esposas dos acadêmicos contribuem bastante para a beleza do encontro que teve um pequeno grupo do Virtuosi tocando. E só os acadêmicos tiraram nova foto em conjunto.

» Notas
Noite concorrida e com muitos aplausos no Vituosi foi aquela das árias de óperas famosas. O Santa Isabel estava lotado e o público vibrando e pedindo mais.

Fonte: JC, Caderno C.

Emoção marca cantata infantil

Publicado em 20.12.2007

Meninos e meninas de 23 corais de escolas públicas se apresentaram no Teatro de Santa Isabel e mostraram que vale investir em arte para educarImpossível não notar a satisfação da dona de casa Maria das Neves de Oliveira, 55 anos, ontem à noite, no Teatro de Santa Isabel. Essa moradora da UR-11, no Ibura, apontava orgulhosa para os netos Paulo Henrique e Edson Júnior, de 10 e 12 anos, entre as 350 vozes do coral infanto-juvenil que cativou o público na Cantata Natalina da Secretaria de Educação do Recife. Assim como a avó exultante, muitos daqueles parentes e amigos dos garotos nunca haviam pisado no mais antigo teatro de Pernambuco. Por isso mesmo, no palco e na platéia, todos eram crianças, de verdade ou de alma.

Os meninos e meninas de 23 corais de escolas municipais passaram mais de um mês ensaiando para subir no palco do Santa Isabel. Ontem, demonstraram que vale a pena investir na arte para educar. E pensar que, um ano atrás, adolescentes como Nathália Cristina Pereira da Silva, 13, nem imaginavam ter um futuro na música. “Eu estava na escola e um professor viu que eu tinha jeito para ser solista. Agora estou aqui com frio na barriga porque vou cantar no Santa Isabel. Gosto muito do que faço e espero que o público goste também”, contou a aluna da Escola André de Melo, que cantou ontem O aniversário de Jesus.

Sob a batuta do maestro Pietro Manoel, o coral executou canções que ressaltam a pureza do Natal, como Bate o sino, Bom Natal e Noite Feliz, acompanhados pela Banda Sinfônica da Secretaria de Educação. Antes, alunos da Escola Pedro Augusto, na Boa Vista, Centro, dançaram coreografia inspirada nos reisados e guerreiros. “Me inspiro muito no Santa Isabel. Aqui dançaram grandes companhias, como o Balé Bolshoi. Quero muito dançar profissionalmente”, disse Maykson Assunção, 14. Pelo que mostraram no palco, ele e os amigos não devem desistir do sonho.

CORREIOS

Admiradores das cantatas têm mais motivos para sair de casa hoje, com a apresentação do coral dos funcionários dos Correios. O mais tradicional espetáculo do gênero na capital começa às 18h, no edifício-sede dos Correios, na Avenida Guararapes, em Santo Antônio, Centro do Recife.
As janelas dos oito andares do prédio serão iluminadas para receber os 42 integrantes do coral Recicanto, formado por funcionários ativos e aposentados dos Correios, além dos seus filhos. Das sacadas, eles entoarão músicas natalinas clássicas.

Para melhor acomodar o público, a pista local da Avenida Guararapes será interditada temporariamente. A Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) fecha o trecho a partir das 15h, reabrindo-o às 19h.

Fonte: JC, Cidades, 20/12/07.

Pianista grava irreverências

Pernambucano Vitor Araújo faz show no Santa Isabel para registrar seu primeiro DVD e o estilo inusitado de tocar

Michelle de Assumpção, Da equipe do Diario

O pianista Vitor Araújo costuma dizer que seus dedos são uma extensão da sua alma. E esta, por sua vez, é irrequieta e pulsa em busca de intensas vibrações. Daí se explica o comportamento deste jovem que, desde a última edição da Mostra de Música Internacional de Olinda (Mimo), vem arrancando elogios do público e arrematando um número cada vez maior de apreciadores de suas interpretações populares, eruditas e contemporâneas nem um pouco ortodoxas, ao piano. Não teria palco mais adequado que o do teatro Santa Isabel para abrigar Vitor e um piano, na gravação do primeiro DVD do músico, pela gravadora Deck Disc. Vitor chegou à gravadora depois da repercussão de suas últimas aparições, incluindo uma entrevista no programa de Jô Soares quando deixou um gostinho ainda maior na platéia de poder assistir a ele mais vezes. Registrado com equipamentos de última geração por equipes do Rio, São Paulo e Recife, o show resultará em um Dual Disc (DVD e CD na mesma mídia), que deverá ser comercializado a partir de abril de 2008. A gravação do DVD será dirigida pelo paulista Fabrízio Martinelli, o mesmo diretor do DVD de Paulinho da Viola.

Araújo reconhece que sua carreira ganhou impulso por sua performance ao vivo e revela não ter planos de seguir carreira em outra cidade Foto: Marcelo Lyra/Olhonu/DivulgaçãoEm entrevista por telefone, ao Diario, Vitor explica que já está distante daquela época em que foi tachado de polêmico. Tudo começou depois que o maestro Marlos Nobre protestou, em texto publicado por um jornal local, a livre interpretação que Vitor fez da sua composição, Frevo, a qual detestou. Depois disso, os vídeos do pianista começaram a fazer sucesso no site You Tube. Mesmo sem fazer apresentações, um DVD caseiro passou a ser consumido, comentado, e Vitor ficou cada vez mais famoso. Veio o convite para a Mimo e, ao vivo, ele pode expressar sua técnica e, sobretudo, emoção, executando obras clássicas - eruditas e populares - e liberando-se ainda mais no quesito interpretação. Para uma idéia sobre as peripécias de Vitor ao piano: já chegou a subir em cima do piano e detonar as teclas usando os pés. Por este motivo, um DVD neste momento da carreirafunciona mais que um simples CD. O que encanta em Vitor, mais que a música que ele toca, é a vivacidade de sua interprtação ao vivo.

Criação - "Eu tinha muita dúvida no que eu queria fazer, mas preferia o DVD, pois tudo que aconteceu na minha carreira foi pelo que eu fiz ao vivo. Minha arte é espontânea, sou conhecido pela capacidade de criar instantaneamente, não me vejo gravando no estúdio, repetindo, editando o que foi melhor, pra mim vai ser muito melhor o ao vivo, junto com o público", coloca Vitor. O músico também descarta, por enquanto, a possibilidade de ir morar em outro estado, ou mesmo no exterior, dada a repercussão que sua carreira tem tido até agora.

"Pretendo segurar minha morada no Recife o máximo possível, principalmente se conseguir uma divulgação legal, eu tenho um sonho de ver os olhos se voltarem para cá. Queria que a galera olhasse para cá e visse Spok, Eddie, Orquestra Popular da Bomba, Mula Manca#", diz o músico. Além de músicas de Villa Lobos - seu compositor erudito predileto - Luiz Gonzaga (Asa Branca), canções da Radiohead, entre outras, Vitor também canta duas composições de sua autoria.

"Todo mundo pergunta, geralmente não sei definir, são melodias. Não têm estética popular ou erudita. No primeiro DVD foi exatamente minha segunda apresentação oficial como artista, eu era muito verde, agora já estive na Mimo, no FIG, fora do Recife. Me sinto mais à vontade no palco e tenho mais liberdade nos arranjos ao piano, com facilidade de fazer improvisações."

Serviço

Gravação do DVD de Vitor Araújo

Onde: teatro Santa Isabel

Quando: hoje, às 20h

Quanto: R$ 10 e R$ 5 (meia)

Informações: 3232-2940.

Fonte: DP, Viver, 20/12/07.

Polêmico Vitor

Pianista fenômeno grava DVD, desconstruindo músicas eruditas e chocando público conservador

Bruno Nogueira

Acompanhada pelas capas dos cadernos culturais dos jornais, parece que a trajetória do pianista Vitor Araújo é bem curta. Daquele primeiro momento em que ele lançou seus vídeos na Internet, desconstruindo músicas eruditas e se apresentando de maneira criativa, às notícias de sua contratação pela gravadora Deckdisc (Nação Zumbi, Pitty, Cachorro Grande), não se passou um ano completo. Por isso é sempre acompanhado pelos adjetivos de "fenômeno" e "sensação", que tem vida útil curta. Hoje, no Teatro de Santa Isabel, ele grava seu primeiro DVD oficial, numa perspectiva de que sua carreira ainda está longe de se desgastar.

Estudante do Curso de Bacharelado em Piano pela Universidade Federal de Pernambuco, a trajetória dele começou já aos nove anos, quando foi matriculado no Conservatório Pernambucano de Música. Com 18 anos de idade, ele se destaca na história contemporânea da música pernambucana, tendo conseguindo contrato com uma gravadora independente de porte nacional. Antes dele e do Mombojó (que está na Trama desde 2006), se passaram sete anos desde que um artista local saísse do esquema mambembe de produção e passasse a fazer parte de um cast nacional.

Como sua história começou graças aos vídeos, sua estréia nacional não poderia ser de outra forma. "Tudo que aconteceu comigo, que me fez ter alguma expressividade em Pernambuco, foi graças aos shows, então eu queria fazer isso ao vivo", conta Vitor, que ensaia para o show na casa de um amigo. "Na proposta da Deckdisc tem um número certo de CDs e DVDs que vão ser lançados, não queria entrar no estúdio agora, então escolhi queimar logo um desses DVDs", completa. O show que será apresentado hoje no Santa Isabel chega as lojas no mês de abril.

O repertório do show terá 12 músicas. "São duas minhas, duas internacionais e quatro músicas eruditas e quatro populares, todas nacionais", adianta Vitor. Uma dessas internacionais será uma versão para Paranoid Android, da banda inglesa Radiohead. "Eu costumo dizer que minhas músicas autorais são melodias, canções instrumentais. Então não muito do perfil erudito ou popular", tenta explicar o pianista. "São aquelas músicas instrumentais que você cantarola no meio da rua, eu ouço muito a trilhas sonoras de John Williams e Yann Tiersen", conclui. As trilhas estão nos planos de carreira do jovem instrumentista, que é categórico ao dizer "sou cinéfilo até a morte".

A fama de contestador de Vitor Araújo segue até na ótima notícia de sua contratação. Tradicionalmente, suas músicas instrumentais dão a ele o perfil de uma gravadora mais restrita, como a Biscoito Fino (Hamilton de Holanda, Chico Buarque), mas ele terá a estratégia de lançamento de um artista pop. "Esse foi mais ou menos um dos meus objetivos, tentar popularizar essas músicas eruditas. Então achei legal entrar numa gravadora que tem como principais símbolos artistas como Pitty e Cachorro Grande", conta. "É uma gravadora que tem um perfil muito distinto do meu, então não faço idéia do que vai acontecer com esse lançamento pela Deckdisc".

Vítor Araújo já sente as vantagens da nova casa. Entre as músicas que ele vai tocar que pertencem a outros artistas, ele sequer faz idéia do que precisou ser feito para conseguir autorização. "Isso é uma questão de direito autoral que eu como mero músico não sei resolver, a gravadora que vai fazer o necessário. Nesse ponto foi uma ótima estar trabalhando com a gravadora porque eu nem tenho que me preocu.par mais com isso", comemora. A Deckdisc também é crucial para o segundo passo após a gravação que acontece hoje no Santa Isabel, quando o pianista pretende sair em turnê pelo País.

Serviço
Vítor Araújo - Gravação do DVD
Hoje, às 20h
Teatro de Santa Isabel
Praça da República, s/n
Ingressos: R$ 10 inteira e R$ 5 meia

Fonte: Folha, Programa, 20/12/07

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Workshops de samba-reggae e berimbau com Ramiro Musotto



O Núcleo de Percussão da Escola de Música da UFBA, sob a coordenação de Jorge Sacramento, vai realizar Workshops com o consagrado percussionista, também compositor, programador de bases eletrônicas e produtor musical Ramiro Musotto, argentino de nascimento e baiano de coração. Será um total de cinco cursos, com carga horário de 12 horas cada, podendo os interessados se inscreverem em todos eles, com descontos de até 30%. Serão oferecidos cursos diurnos, com três dias de aula para samba-reggae (sextas, sábados e segundas, das 9h30 às 13h30) e vespertinos com dois dias de aula para berimbau (sextas e segundas, das 14 às 16 horas). Cada um destes custa R$ 150,00 (cento e cinqüenta reais) e as vagas são limitadas. O percussionista Jorge Honça estará presente auxiliando tecnicamente os alunos. As inscrições estão abertas, até o dia 03 de janeiro, na secretaria de cursos da Escola de Música da UFBA, na Av. Araújo Pinho, nº 58 – Canela.

SOBRE RAMIRO MUSOTTO
Nascido na província de Baia Blanca, na Patagônia Argentina e radicado no Brasil desde 1996, viveu em Salvador durante 12 anos e atualmente reside no Rio de Janeiro. Em 2001 lançou seu primeiro álbum, Sudaka, um dos trabalhos mais criativos e originais de música eletrônica já produzida no Brasil. Gravado em casa e em quartos de hotel durante turnês com o Skank, Sudaka é música eletrônica não direcionada para as pistas de dança. Têm links com a música do inglês-hindu Talvin Singh, baseada na repetição hipnótica do groove, e as recentes experimentações eletrônicas de Naná Vasconcelos. Ramiro Musotto produziu discos de Daniela Mercury, Zeca Baleiro e Lucas Santtana, além de ter trabalhado com artistas como Skank, Marisa Monte, Marina Lima, Daniela Mercury, Os Paralamas do Sucesso, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Lulu Santos, Zeca Baleiro, Kid Abelha, Lenine Adriana Calcanhotto, Titãs, Fernanda Abreu, Sergio Mendes, Zélia Duncan, Gal Costa.


Da eletrônica ao samba de capoeira, a fusão de Ramiro arranca elogios dos músicos e produtores musicais. O artista experimenta vários instrumentos. Vai do primitivo berimbau até uma bateria eletrônica. É uma festa de vários ritmos, etnias e culturas. Em Sudaka, Ramiro transforma o deboche em música, em um estilo que eles costumam chamar de world music. Em novembro de 2006, Ramiro lançou na Argentina sua terceira obra, chamada "Civilização & Barbarye". Com participações especiais de Chico César e Arto Lindsay, o disco foi consagrado entre os dez melhores do ano pelo Jornal "La Nación", de Buenos Aires.


Em entrevista que acompanha o seu DVD, Ramiro explica que em sua terra natal não existem instrumentos de percussão. Morando no Brasil há mais de duas décadas o músico desenvolveu total fascino pelos ritmos e, a partir daí, desenvolveu sua música, que vai do tribal até a eletrônica, com uma linguagem apaixonada e baseada em pesquisas. Em Sudaka coexistem harmoniosamente cânticos indígenas (Xavantes), música dos pigmeus, o cineasta Glauber Rocha (em Antônio das Mortes), afro-baianidades (Ginga mescla o bloco afro Ilê Aiyê e o grupo de pagode Harmonia do Samba através de samplers) e convidados especiais como Gato Barbieri (lendário saxofonista argentino radicado nos EUA), Lulu Santos e Lelo Zanetti (baixista do Skank).


CONTEÚDO DAS AULAS
1) História do Samba -Reggae, o samba dos blocos afros.
2) Técnicas básicas dos 4 instrumentos do Samba reggae: caixa, repique, timbau e surdos (estes com 4 afinações diferentes). 3) Notação/partitura dos 4 instrumentos, com livro/método escrito por Ramiro.
4) Estudo do Toque dos Toques básicos derivados dos blocos afros da Bahia
5) Estudo dos Toques ancestrais de samba baiano: Kabila ou Kabula (samba de candomblé de Angola), Samba Xula e Samba Duro 6) Timbau: frases e solos de samba. 7) Repique: frases e solos nos diferentes estilos


Mais Informações

O quê: Workshop de Samba Reggae com Ramiro Musotto

Quando: 4 a 28 de Janeiro das 9h 30 às 13h30 (samba-reggae) e das 14 às 16h (berimbau)

Onde: Escola de Música da UFBA

Contato: (71) 3283-7885/78907893 9941-0003


Fonte: Escola de Música da UFBA.

Alex

» Notas

O Santa Isabel lotado, na quinta-feira, com uma parte dedicada a árias de óperas famosas. Foi um dos grandes momentos do excelente Virtuosi.

» Detalhes

Marlos Nobre, compositor e grande intérprete pernambucano, conhecido mundialmente, veio participar do grande acontecimento musical que foi o Virtuosi.

Fonte: JC, Caderno C, 19/12/07.

PS.: As árias foram na abertura do Virtuosi pela paz, na sexta, dia 14.

Banda despede-se de 2007

O último concerto oficial de 2007 da Banda Sinfônica do Recife será realizado nesta quarta, às 20h, no Teatro do Parque. No repertório, estão canções famosas do ciclo natalino e obras afinadas com espírito da época. Entre as peças a serem executadas, estão a Ave Maria, de Schubert, , com voz solo da cantora Anastácia Rodrigues, e o Concertino para Clarinete opus 26, de Carl Maria von Weber, que contará com a participação como solista do clarinetista Vlaudemir Vieira. Entrada franca.
Fonte: DP, Viver, 19/12/07.

João Alberto

Prêmio - Graças ao projeto Orquestra Criança Cidadã dos Meninos do Coque, o juiz João José Targino recebe hoje, em Brasília, o Prêmio Innovare, destinado a práticas pioneiras e bem sucedidas da Justiça brasileira.
Fonte: DP, Viver, 19/12/07.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Santa Isabel lotado aplaudiu encerramento do Virtuosi

Décima edição do evento foi marcada por ousar na apresentação da música clássica

Rafael Dias, Especial para o Diario

Por aí, há ainda aquele velho conceito purista, quase dogmático, que cerca a música de concerto. Alçada ao topo da hierarquia, a dita música erudita, julgam os fundamentalistas, não pode ser colocada junto aos outros estilos. Mas, a despeito de delimitações de gênero, o 10º Virtuosi - Festival Internacional de Música de Pernambuco serviu para quebrar esse estigma. Amparado por um perfil misto com espaço para várias vertentes, da música clássica e contemporânea ao jazz, o festival exibiu talvez a melhor programação de sua história. E não apenas isso: inovou ao propor experiências inusitadas, como foram as 24 horas de música ininterruptas do projeto Virtuosi pela Paz, e, sobretudo, por ousar ir além do lugar-comum.

Sueco Christian Lindberg, gênio excêntrico do trombone, fez entrada triunfal, na garupa de uma moto Foto: Hans von Manteuffel/DivulgaçãoNa noite do último domingo, dia do encerramento, a maratona de sete dias de música foi sacramentada com um concerto de alto nível, diante de um Santa Isabel superlotado. Eram tantos virtuoses em revezamento no palco que fica difícil eleger "aquele" concerto, o melhor de todos. O violinista Mikkel Futtrup, spalla da Real Orquestra da Dinarmaca, demonstrou extremo rigor técnico ao tocar o Concerto para violino e orquestra em ré menor Op. 47, do finlandês Jean Sibelius. Ágil e preciso, o pianista sueco Roland Pöntinen transmitiu toda a obscuridade de Grieg, em contraponto à luminosa peça de Sarasate, interpretada com graciosidade e beleza pela violinista cingapurense Lee-Chin. Também foi muito agradável o duo de contrabaixos do romeno Catalin Rotaru com o seu pupilo Waldir Bertpaglia.

Mas o mais incrível ainda estava por vir. Christian Lindberg, o gênio excêntrico do trombone mundial, fez uma entrada triunfal no palco, para a euforia da platéia. Montado na garupa de uma moto, o instrumentista sueco pulou das duas rodas vestido como um astro pop (calça preta justa e camisa lilás) e, sem falsa modéstia, foi logo desfiando sua expertise na peça A motorbike odyssey: cantou, imitou o ronco do motor da moto só com o instrumento, fez rodopios e parecia estar em transe. O público, mesmerizado, é claro, aplaudiu de pé efusivamente. Foi uma performance relâmpago, mas memorável.

O festival também recebeu outros grandes medalhões, como a soprano russa Valeria Stenkina, o pianista ucraniano Volodymyr Vynnytsky e a cellista, também ucraniana, Natalia Khoma. Outro momento marcante foi a homenagem a Ariano Suassuna, na quinta, com a execução de peças inéditas armoriais de Marlos Nobre, Eli-Eri Moura e Danilo Guanais. A diretora geral do Virtuosi Ana Lúcia Altino informou que muitos músicos querem voltar em 2008. "Antonio Meneses disse que quer tocar uma sonata de Ravel e um duo de Brahms. Christian Lindberg e Roland Pöntinen também devem vir de novo. É uma satisfação muito grande", conta. Quanto ao projeto 24 horas de música, ela não descartou uma segunda edição. "Acho que sim, mas devemos repensar e evidentemente melhorar".

Fonte: DP, Viver, 18/12/07.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Teatro de Santa Isabel na capa da revista Concerto


E dentro da revista tem matéria sobre o Virtuosi.

Turnê brasileira do Quarteto de Brasília


Confiram os próximos concertos do grupo de câmara brasileiro que mais gravou CDs no site http://www.quartetodebrasilia.com.br/

Paz durante 24h no Virtuosi

Público chegou mais cedo para a programação

Bruno Nogueira

“As crianças querem techno”. A frase estampava em inglês a camisa do DJ Terrible. Poderia ser lugar comum numa rave regular de música eletrônica, mas quando o relógio já passava das duas da manhã ele subia ao palco de um evento de música clássica. A 10ª edição do festival Virtuosi, promoveu, entre sexta e sábado, uma jornada de 24 horas de música pela paz. O projeto alemão Yellow Lounge, que contava também com o VJ Safy Snifer, fez a longa abertura de uma programação.

Começou para um Teatro de Santa Isabel completamente lotado. Na alemanha, o projeto Yellow Lounge da Deutsche Grammophon (importante gravadora de Hamburgo, Alemanha), tem um formato diferente do que foi apresentado no Brasil. Lá, Terrible e Snifer se apresentam em pubs, com o público sociabilizando e bebendo a noite inteira. Algumas horas antes, o DJ se confessava apreensivo.

A música clássica do DJ Terrible poderia causar incômodo ao ouvido mais conservador. Entre poucos efeitos sonoros, estava o chiado do vinil aumentado propositalmente, sons graves e batidas eletrônicas. O telão misturava imagens do mar e bailarinos. Entre as músicas, ele anunciava “live acts” (atos ao vivo), com músicos que não interagiam muito com a proposta da noite. Apenas tocavam e saiam.

Como a estréia foi para ambas as partes, funcionou de uma maneira esquisita. O DJ Terrible chamou algumas pessoas para o palco, que acabaram precisando sair. A sintônia entre música programa e instrumentistas só funcionou às 4h da manhã, quando o teatro tinha apenas cerca de 15 pessoas.

Fonte: Folha, Programa, 17/12/07.

Maratona ousada e cansativa

Publicado em 17.12.2007

As 24 horas de música erudita prometida pela nova edição do Virtuosi deixou público sonolento na madrugada

José Teles
teles@jc.com.br

O Recife amanheceu ao som de música clássica, executada pelo pianista sueco Roland Pontinen. Às 5h30 da manhã, o teatro estava ocupado principalmente por músicos da Orquestra Jovem de Pernambuco, e seus parentes. Na rua diante do teatro, onde foi montada uma estrutura de estandes com discos, camisetas, bebidas e lanches, havia pouca gente também. Em sua maioria músicos, ou notívagos retardatários: “teve gente a noite toda, mas aquela parte meio eletrônica, que tocou na madrugada foi chata”, comentou Natércia, funcionária do teatro, que se encontrava no local desde o início da maratona que começou às 20h da sexta e se estendeu ininterruptamente até às 20h do sábado.

Às 20h da sexta-feira, em ponto, o histriônico maestro Rafael Garcia deu início a “rave” erudita, que trouxe este ano cerca de 80 músicos de diversos países e nomes consagrados da música erudita brasileira, a exemplo do violoncelista Antônio Menezes. Garcia ressaltou que a 10ª edição do Virtuosi era dedicada ao escritor Ariano Suassuna e à Música Armorial. Antes de começar o primeiro programa da noite, fez uma farta distribuição de troféus com celebridades locais, representantes de patrocinadores do festival, (o Jornal do Commercio recebeu o seu), músicos e até os próprios parentes.

A série de concertos foi aberta com o programa Uma noite na ópera tendo como solistas soprano russa Valeria Stenkina e o tenor norueguês Johan Christer Novsjo, interpretando árias de óperas bem conhecidas, La forza del destino, A viúva alegre, La traviata e Cavaleria rusticana.
O teatro estava quase lotado, mas muita gente preferiu assistir de um telão montado na rua, onde se podia ficar mais à vontade, de bermudas, inclusive, tomando uma cervejinha, já que as rígidas regras da casa não permitem que se entre com comida ou bebida no teatro, tampouco sandálias ou bermudas.

O Virtuosi pela Paz não poderia deixar de lembrar um nome que é intrinsecamente ligado ao tema, o arcebispo Dom Hélder Câmara. No segundo recital da noite, o pianista filipino Victor Asuncion, que subiu ao palco às 22h40, tocou peças de Chopin até meia-noite, A virada da sexta para o sábado aconteceu ao som da Sinfonia dos dois mundos, com texto de Dom Hélder Câmara. Composta para orquestra sinfônica, coral adulto, coral infantil, dois solistas cantores e um narrador, a Sinfonia dos dois mundos foi interpretada pelo Coral Contracantos, regido pelo maestro Flávio Medeiros, com a Orquestra Sinfônica do Estado de Pernambuco, sob a batuta do maestro Rafael Garcia, o Coral Imperial, a mezzo-soprano Regina Elena Mesquita, o barítono Inacio de Nonno e o Padre Antônio Maria, como narrador.

O Virtuosi merece louvor por não se fechar apenas à música erudita tradicional. Nestas 24 horas de non stop music, teve os clássicos consagrados, mas não ficaram de fora o tango e o sofisticado jazz de Miles Davis, Gerry Mulligan, Gil Evans, interpretados na tarde do sábado pelos norte-americanos do grupo The Birth of Cool.

A nota diferente mesmo no festival aconteceu na madrugada do sábado, com música erudita para relaxar, o que nas raves chamam de chill-out, com o Yellow Lounge, projeto alemão, que dá uma roupagem diferentes aos clássicos em ritmo suave, com o teatro tomando ares de casa noturna descolada, com o DJ Terrible, e o VJ Safy Sniper projeta imagens em paredes e telões.
O Yellow Lounge terminou quando o dia amanhecia. Na platéia alguns músicos cochilavam. No foyer do teatro, um grupo de mulheres fazia força para também não se entregar ao sono. As três se encontravam no teatro desde o início da longa jornada musical. Numa prova de que ser mãe é padecer no paraíso, mesmo que ao som de Bach, Beethoven, Mozart, dona Maria do Carmo, não queria perder a apresentação do filho, Gilvan, violonista da Orquestra Jovem de Pernambuco que, sob a regência do maestro Rafael Garcia, tocaria às sete da manhã Missa da coroação KV 317 em sol maior de Mozart.

Fonte: JC, Caderno C.

Sinfônica e coral na UFPE

Publicado em 17.12.2007

Hoje, às 18h30, a Orquestra Sinfônica do Recife, sob a regência do maestro Osman Gioia e participação do coro Contracantos, apresenta o oratório O messias, de Georg Friedrich Händel, que narra a vida de Cristo. No Teatro da UFPE. Antes, às 16h, haverá ensaio aberto ao público. Entrada franca.

Fonte: JC, Caderno C.

Dia a Dia

En passant

O pianista Vitor Araújo faz show quinta, no Santa Isabel. O músico, recém-contratado pela Deckdisc, deve lançar CD/DVD em abril.

Fonte: JC, Caderno C, 17/12/07.

Festival erudito quebra protocolo

A maratona se chamava Virtuosi pela paz e havia começado horas antes, mas por volta das 8h do sábado poucas pessoas estavam no Teatro de Santa Isabel. O cenário do lado de fora, contudo, simbolizava que um agito ocorrera na madrugada: copos plásticos e sacos no chão, mesas e cadeiras desarrumadas. Dentro, a autônoma Alba Lucena era uma dos cerca de vinte espectadores para o ensaio aberto da Orquestra Sinfônica Virtuosi. "Eu vi na segunda-feira para ver Antonio Meneses e quis vir agora porque eu já me acordo cedo. À noite, inclusive, é mais complicado para pegar os ingressos", comentava. Ela tinha visto o coral Contracantos com a Orquestra Sinfônica de Pernambuco e o Grupo de Metais Virtuosi junto ao Quinteto da UFPB e ao Memphis Brarss Quartet. Ou seja, estava ali desde 6h. "Vou sair um pouco agora e mais tarde volto".

Quando o maestro Rafael Garcia adentrou o palco, foi para explicar que quem iria reger o ensaio era o trombonista Christian Lindbergh, pois aquela "era uma peça específica para piano e trombonee ele entende mais disso do que eu". A platéia se divertiu com o jeito expansivo e as onomatopéias de Lindbergh. No ensaio da Motorbike odissey, o erudito festival de música clássica se mostrava ao avesso, por assim dizer: sem o glamour das vestes de gala, os músicos estavam de sandália de couro, com cara de sono, brincalhões, interagindo. A platéia, ali, assumia a interessante posição de observadora de luxo.

Bem, nem todos: por volta das 10h, a despeito do entra-e-sai, cerca de seis pessoas cochilavam tranqüilamente. Outros, contudo, trabalhavam por mais de doze horas, caso de Maria Lúcia, que há cinco anos dá expediente no Santa Isabel. "Eu estou trabalhando desde as três da tarde de ontem". Sem parar? "Sim. Apenas deu um cochilo ali, sabe como é, mas direto", respondia. Ela contou que a freqüência na madrugada foi intensa e que as pessoas adoraram acompanhar a programação pelo telão. Dentro do templo que é o Santa Isabel, terminara o ensaio regido por Lindbergh e começara outro, com Garcia na batuta e o violinista sueco Mikkel Futtrup como solista. A peça: Concerto para violino e orquestra em ré menor Op. 47, de J. Sibelius. Os três movimentos foram passados várias vezes, com particular empolgação por parte de Futtrup, um instrumentista dotado, um genuíno virtuoso. Nas cadeiras, tentando conter o espanto ou mesmo a ansiedade, cerca de quinze garotos do Abrigo Roda Vida pareciam fascinados com a imponência do teatro ou com aquelas dezenas de músicos e instrumentos . "Creio que a maioria deles nunca veio aqui, aliás, acho que todos nunca pisaram num teatro", explicava Arquivânia Valéria, do IASC - Instituto de Ação Social e Cidadania mantido pela Prefeitura do Recife.

E quando Futtrup terminou os acordes do último movimento ensaiado, os músicos e o maestro gritaram "bravo!". Hora de sair. Lá fora, na Praça da República, o som ecoava: 'Pro dia nascer feliz, o mundo inteiro acordar e a gente dormir', na voz de Cazuza. Enquanto todo mundo acordava, aqueles músicos embalavam a platéia matinal para um sonho, que senão era literal, carregava a metáfora da beleza da música clássica e de sua capacidade de transcender. (Luciana Veras)

Fonte: DP, Viver, 17/12/07.

Versatilidade musical

A maratona musical Virtuosi Pela Paz - 24 Horas de Música, com atrações contínuas no Teatro de Santa Isabel, no Recife foi a grande sacada da 10ª edição do Virtuosi Festival Internacional de Música de Pernambuco. O público respondeu à ousadia dessa programação inédita e teve oportunidade de conferir apresentações de profissionais muito conceituados em seus países e no mundo da música. A tarde de sábado começou - depois do recital de Marco Antonio Almeida - com o grupo francês Le Quatour Caliente, interpretando a música de Piazzolla, com originalidade e vigor.

Depois dos franceses, o Quarteto de Brasília levou ao palco alguns clássicos da MPB, como Aquarela do Brasil , de Ari Barroso, Carinhoso, de Pixinguinha, Anos Dourados, de Tom Jobim e Chico Burque e Trenzinho Caipira, de Villa-Lobos. Entre uma atração e outra, os espectadores faziam uma ginástica engraçada, de sair do teatro pegar outro convite na bilheteria e voltar. A MPB cedeu lugar ao jazz na maratona com o grupo da School of Music da Memphis University, o Birth of the cool, que mostrou maestria ao executar peças de Miles Davis, Gerry Mulligan, Gil Evans. Gente muito importante foi se revezando no palco do Teatro de Santa Isabel.

A soprano russa Valeria Stenkina, solista de várias orquestras do mundo dividiu o palco com com o pianista Ricardo Ballestero, muito aplaudidos ao tocar a música de Strauss. Com Marlos Nobre, Lee Chin e outras sumidades na platéia, o grupo formado temporariamente para o festival (Mauro Loguercio, Stig Nilsson, Rafael Altino, Antonio Meneses e o pianista suíço Gérard Wyss) tocou o Quinteto em fá menor Op. 34 para piano e cordas de Brahms, com uma paixão contagiante na execução dos movimentos que fazia outras cordas da sensibilidade do público.

Antes do grand finale das 24 de música, o pianista ucraniano Volodymyr Vynnytsky, um brilhante músico que imprime força e agilidade na sua apresentação, tocou o concerto para piano e orquestra nº 1 em mi bemol maior de Liszt. Bravíssimo. Foi tão aplaudido que voltou e tocou outra peça. Aconfraterniação das orquestras jovens do nordeste, regida pelo maestro Rafael Garcia contou com a participação especial da soprano Valeria Stenkina, cantando Ave Maria, passando pouco das 18h, com as luzes da cidade acesas e um clima de natal no ar. A diretora geral do Virtuosi, Ana Lúcia Altino disse que o programa deverá ser repetido no próximo ano. "Foi uma experiência inusitada e houve uma resposta positiva. Não parou de ter gente no teatro", avaliou. Um ótimo jeito de festejar os 10 anos do festival.


Fonte: DP, Viver, 17/12/07.

Maratona confere fôlego ao Virtuosi

Programa de 24 horas de música consecutivas levou ao palco do Teatro de Santa Isabel recitais, concertos e Dj que toca clássico

Rafael Dias, Especial para o Diario

Sexta-feira, às 20h, Teatro de Santa Isabel. É dada a largada para o projeto Vituosi pela Paz, um dos braços do festival Virtuosi que instauraria ali 24 horas de música consecutivas, sem parar. Na bilheteria, um aviso: ingressos esgotados. Do lado de fora, em frente ao pórtico, um grupo de pessoas sem senhas mantinha ainda a esperança de entrar (ao contrário do que se temia, não houve a ação de cambistas). Rua interditada, muitos carros estacionados nas adjacências. Tamanho frisson, no entanto, tinha uma razão de ser. No palco, a Orquestra Virtuosi, formada por instrumentistas convidados do festival, de diferentes nacionalidades, receberia uma das sopranos mais requisitadas das terras gélidas de Vladimir Putin, a russa Valeria Stenkina, primeira-dama do Teatro Mariinsky, de São Petersburgo.Stenkina seria apenas uma das várias atrações que se revezariam no palco do teatro, entre recitais, concertos e um DJ (!), varando a madrugada até as 20h do dia seguinte.

Pelo cronograma prolongado, a noite acabou ganhando, no comentário dos bastidores, a alcunha de uma "rave clássica". Mas o que se viu não era nada parecido com um encontro de clubbers, malabares, cospe-fogos regado ao som de psytrance e trance. Nem tampouco havia um ambiente de agitação comum em festas desse tipo. A estrutura montada, porém, era digna de uma rave, com banheiros químicos e as barracas de alimentação instalados em frente ao Santa Isabel, garantindo a permanência prolongada dos notívagos. Pena que poucos resistiram madrugada adentro. Com o passar das horas, o público ia se dispersando. Mas os que ficaram tiveram uma experiência sui generis ao assistir a concertos gratuitos de alto nível às 3h30 da manhã.

Uma das melhores apresentações da noitada foi, sem dúvidas, a da soprano Valeria Stenkina. No especial Uma noite na ópera, um programa inteiro dedicado ao tenor italiano Luciano Pavarotti, a artista fez um show à parte. Pequena e franzina, ela nem aparenta possui todos os atributos que lhe conferem. Mas quandosolta a voz mostra um incrível domínio do diafragma e um extenso alcance vocal. E também canta com graciosidade e emoção de uma Maria Callas ao interpretar árias de Puccini e Mascagni. "Bravo, bravíssimo", eram os comentários efusivos da platéia. Stenkina também dividiu o palco com o tenor norueguês Johan Christer Novsjo, que é de uma magnitude bem menor que a dela. No final, o duo cantou duas árias famosas da ópera La Traviata, de Verdi.

Se o momento operístico da noite foi deslumbrante, o mesmo não se pode dizer do concerto da Sinfonia dos dois mundos, música de Pierre Kaelin para o texto de Dom Hélder Câmara, executado à meia-noite pela Orquestra Sinfônica do Estado de Pernambuco junto com o Coral Imperial de crianças do Coque e o coro Contracantos e narração do padre Antônio Maria. Mesmo com uma formação grandiosa, a apresentação foi maçante e monótona. A peça, em si, é muito entrecortada, quase uma colcha de retalhos. E também a execução tinha uma execução arrastada, com pouca harmonia entre os coros, orquestra e o narrador, provavelmente pela pouca quantidade de ensaios.

Às 2h30, com mais de uma hora de atraso, foi a vez da performance da dupla berlinense, do projeto Yellow Lounge, o DJ Terrible e o VJ Safy Sniper. Pela primeira vez no Nordeste (o projeto teve uma edição no Rio de Janeiro, a portas fechadas), a apresentação que combina picapes com música clássica atiçou a curiosidade do público. "Quero ver como vai ser essa combinação de Rachamninov e Bach. É ainda mais curioso ver isso no Santa Isabel", comentou o estudante Aminadabe Soares, 24, minutos antes do show. Como prometido, de fato não teve música eletrônica. No seu set list, o DJ Terrible bota vinis de música clássica e vanguardista, de Schoenberg e Blacher, e faz apenas intervenções com mixes e blends - nada de scratches e inserções de samplers dançantes. Num telão, o VJ Safy Sniper projetava vídeos psicodélicos de nuvens, paisagens e imagens abstratas. Na platéia, o público repousava pelas cadeiras, parecendo curtir o som lounge. Foi uma experiência interessante e diferente de se ouvir música clássica. No intervalo, uma cena inusitada: um recital de piano e violino às 3h30. A violinista cingapurense Lee-Chin fez uma performance inspirada. Nem parecia que era tarde da noite.

Fonte: DP, Viver, 17/12/07.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Alex

Detalhes

O desembargador Nildo Nery e o juiz João Jorgino devem ser lembrados este ano pela escola de música do Coque, com apoio de Cussy de Almeida. O Ministério Público recomendou ao Estado recuperar o prédio da Associação dos Ex-combatentes, na Gervásio Pires. É um prédio lindo com arquitetura inspirada no gótico.

Fonte: JC, Caderno C, 15/12/07.

Virtuosi entra pela madruga

Publicado em 15.12.2007

Hoje, à meia-noite, no Teatro de Santa Isabel, dentro da maratona musical proposta pelo Festival Virtuosi, haverá a execução da Sinfonia dos dois mundos, com texto de Dom Helder Câmara. Participam da peça o coral Contracantos, sob regência do maestro Flávio Medeiros, a Orquestra Sinfônica do Estado de Pernambuco, regida pelo maestro Rafael Garcia, o Coral Imperial, a mezzo-soprano Regina Elena Mesquita, o barítono Inacio de Nonno e o Padre Antônio Maria, como narrador. A madrugada segeue com o Yellow Lounge, a partir da 1h30. O público vai conferir uma maneira original de apresentar música clássica em um ambiente que simula uma atmosfera de clube noturno. A festa é comandada pelo DJ Terrible, que toca música clássica, enquanto o VJ Safy Sniper projeta imagens em paredes e telões especialmente preparados.

Fonte: JC, Caderno C.

PS.: Notícia atrasada em um dia.

Noite de tango

15/12/2007

Depois da rave, Virtuosi privilegia o ritmo tradicional da Argentina

A noite do sábado do Virtuosi - Festival Internacional de Música de Pernambuco está reservada para o Tango e temas de "Amor, Morte e Bandidos". O programa "Tangata & Los Bandidos" conta com a presença do grupo francês Le Quatuor Caliente, executando obras do compositor argentino Astor Piazzolla e mais os solistas Christian Lindberg (trombone) e Roland Pöntinen (piano) executando obras com temas que evocam o chamado "amor bandido". A dupla executa ao piano e trombone obras próprias e de autores como Stenhammar, Stravinsky e Sandström.

O quarteto francês defende a música de Piazzolla, de maneira cuidadosa, da mesma forma que intérpretes de quartetos de cordas clássicos tocam Mozart, Brahms ou Bartok. Composto por quatro jovens músicos franceses profundamente inspirados pelo dinamismo e pelo pulso vital próprios do compositor argentino, os músicos transbordam originalidade numa coesão sem falhas, sem jamais perder a expressão individual de Piazzolla, que ao longo dos anos se tornou um ícone da música argentina, geralmente associado ao tango.

Na segunda parte do programa, o Virtuosi traz pela primeira vez ao Brasil, dois grandes talentos da música erudita sueca. Roland Pöntinen, pianista, fez sua estréia em 1981 com a Filarmônica de Estocolmo e, desde então, tem se apresentado com as principais orquestras da Europa, Estados Unidos, América do Sul e Austrália. Gravou mais de 70 CDs para a Philips, Arte Nova e EMI, participando de inúmeros festivais como Schleswig-Holstein, Maggio Musicale Fiorentino e Edinburgh.

O trombonista Christian Lindberg estreou mais de 300 obras e gravou mais de 70 CDs solo. Foi considerado, com Yo Yo Ma e Gidon Kremer, como o solista do ano pela BBC Music Magazine e, ao lado de Louis Armstrong e Miles Davis, como um dos maiores instrumentistas do século XX. Foi o primeiro sueco a ser solista da Filarmônica de Berlim e da Sinfônica de Chicago.

Serviço

10º Virtuosi

Teatro de Santa Isabel

Hoje

Série Vicente Fittipaldi - 21h

Entrada Gratuita

Fonte: Folha, Programa.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Virtuosi celebra junção de samplers com música clássica

Edição do festival encerra com maratona de 24 horas de espetáculo com árias, jazz e um DJ que não toca música eletrônica

Rafael Dias

Especial para o Diario

Concertos de câmara, árias de ópera, jazz e mixagens de música clássica. Isso mesmo. A pouco provável união entre música de concerto e samplers não só é possível como será celebrada, ao lado de outras vertentes, na décima edição do Virtuosi - Festival Internacional de Música de Pernambuco, que chega à reta final neste fim de semana no Teatro de Santa Isabel. O destaque da programação é o projeto Virtuosi pela Paz, maratona de 24 horas de música que começa hoje.
Pianista Roland Pöntinen participa da série tangata & bandidos no sábado. Antes, porém, às 17h, o público terá a chance de conferir a dois ótimos recitais e concertos no Salão Nobre. O primeiro é um duo de cello e piano com Leonardo Altino e o filipino Victor Assuncion, que tocam sonatas de Brahms e Kodaly. Na seqüência, às 18h, apresenta-se o Ensemble São Paulo, um dos mais ilustres grupos de câmara do país.

Às 20h, começa a maratona propriamente dita. A abertura das 24 horas de música será em grande estilo com a apresentação de Uma noite na ópera. A soprano russa Valeria Stenkina e o tenor norueguês Johan Christer Novsjo prestam, junto com a Orquestra Sinfônica Virtuosi, uma homenagem ao tenor Luciano Pavarotti, falecido em setembro deste ano. No programa, árias de Verdi, Donizetti, Bizet e Puccini.

Pela madrugada adentro, músicos irão se revezar a cada uma hora no palco. À meia-noite, haverá o concerto da Sinfonia dos dois mundos, de Dom Hélder Câmara, com música de Pierre Kaelin. A narração da obra será feita pelo padre Antônio Maria.

À 1h30, sobem ao palco os alemães DJ Terrible e o VJ Safy Sniper, que fazem excursões pela Europa com o projeto Yellow Lounge, da Deutsch Grammophon. No set list, nada de música eletrônica. Segundo o DJ Terrible, a performance será só de blends e mixes de músicas clássica e de vanguarda (Blacher e Schoenberg) até as 4h. Para abastecer os notívagos, serão vendidos lanches no foyer do teatro. As apresentações prosseguem sem parar pela manhã e tarde do sábado, encerrando-se com um concerto às 18h.

Ainda no sábado, às 21h, haverá a apresentação da série Tangata &bandidos, com obras de Piazzola e Salgán. Participam da noite o quarteto Le quatour caliente e os suecos Roland Pöntinen (piano) e Christian Lindberg (trombone). Lindberg é, sem dúvidas, a grande estrela do domingo, quando executará a peça A motorbike odissey, de Jan Sandström, com a Orquestra Virtuosi, entrando de motocicleta no palco (!). Integram ainda como solistas o violinista Mikkel Futtrup, spalla da Real Orquestra da Dinamarca, e a violinista Lee-Chin, de Cingapura.

Serviço

10º Virtuosi

Quando: De hoje até domingo, a partir das 17h

Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio)

Informações: 3232-2940

Quanto: Gratuito (as senhas devem ser retiradas na bilheteria do teatro)

Fonte: DP, Fim de Semana, 14/12/07.

10º Virtuosi vai varar a madrugada pela paz

Publicado em 14.12.2007

Os músicos começam a tocar hoje, a partir das 20h, no Teatro de Santa Isabel, e só param no final da tarde de amanhã. A mensagem implícita é difundir a paz entre os povosO festival de música instrumental Virtuosi entra na reta final neste fim de semana. Para isso, os organizadores prepararam uma verdadeira maratona, intitulada Virtuosi pela paz. Hoje, a partir das 20h, o Teatro de Santa Isabel recebe inúmeros concertos para difundir a cultura de paz entre os povos, até o final da tarde de amanhã.

A programação do Virtuosi pela paz abre com a apresentação especial do programa Uma Noite na ópera, em homenagem ao tenor Luciano Pavarotti, falecido este ano. A soprano russa Valeria Stenkina e o tenor norueguês Johan Christer Novsjo brindam o público com passagens de óperas consagradas como La forza del destino e Cavaleria Rusticana.

A partir da 1h30, o Virtuosi pela paz apresenta o projeto Yellow Lounge, que chega pela primeira vez ao Norte/Nordeste do País. A festa é comandada pelo DJ Terrible, que toca música clássica, enquanto o VJ Safy Sniper projeta imagens em paredes e telões especialmente preparados.

A maratona musical se encerra com a Confraternização das Orquestras Jovens do Nordeste, que começa às 18h de amanhã. Durante as 24 horas, haverá feira de alimentação, artesanato, exposição de instrumentos, venda de CDs, livros e músicas.

Amanhã, depois do Virtuosi pela paz, o evento retoma suas atividades a partir das 21h com o Le Quatuor Caliente. No domingo, a Orquestra Sinfônica Virtuosi & Virtuosos, regida por Rafael Garcia,encerra o evento às 20h. Vale lembrar que a entrada é gratuita para todas as apresentações.

Fonte: JC, Caderno C, 14/12/07.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Grupo SPES na Europa, janeiro de 2008, homenagem a musica brasileira

Em janeiro, o Grupo SPES apresentará 2 programas em 7 recitais na Europa. Noprimeiro, fará uma homenagem a Camargo Guarnieri, apresentando sua sonata n. 4para violino e piano, juntamente com a sonata de César Franck, um clássico dorepertório para a mesma formação. O grupo fará a estréia mundial do "Choro" dePaulinyi para violino, fagote e piano, composto especialmente para a ocasião. Osegundo programa homenageia Flausino Valle, incluindo obras para violino deHarry Crowl e Guilherme Bauer, com participação do fagote nas composições dePaulinyi, muitas das quais estão disponíveis na internet (www.Paulinyi.com). A peculiaridade do grupo é a inclusão do fagote no tradicional duo de violino epiano, reunindo instrumentos de famílias diferentes. Desta forma, o grupopropõe aos compositores uma alternativa diferente de expressão. O Trio SPES é formado por músicos de destaque no cenário internacional. Opianista, Marco Aurelio Brescia, está radicado na Europa desde o ano 2000, ondeconclui um mestrado sobre os órgãos barrocos brasileiros na UniversidadeSorbonne-Paris IV. Brescia desenvolve uma ampla atividade concertística empaíses como Brasil, Peru, Espanha, França, Inglaterra e Eslováquia. Oviolinista, Zoltan Paulinyi, da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional emBrasília, além de ter atuado como solista frente a diversas orquestras doBrasil, Inglaterra e Itália, é um jovem compositor que já detém prêmios e oreconhecimento internacional de suas obras, selecionadas em 2005 para a Bienalde Música do Rio de Janeiro e algumas das quais tiveram sua estréia mundial naRomênia, num concerto em sua homenagem. A jovem fagotista, Iracema Simon,radicada em Brasília, desenvolve uma intensa atividade musical e pedagógica,preparando-se, junto ao Trio SPES, para sua primeira turnée internacional. O Trio SPES conta, para a realização da presente tournée européia, com o apoiocultural do Ministério das Relações Exteriores, Embaixada do Brasil em Madrid,Embaixada do Brasil em Paris, Embaixada do Brasil em Budapest, Maison duBrésil, Ayuntamiento de Béjar, The Goodenough College. Concertos:12 de janeiro de 2008, às 20:00: Teatro Cervantes, Bejar, Espanha (TRIO).13/1: Casa do Brasil em Madri (Espanha), às 18:30 (TRIO).14/1: Casa do Brasil em Madri, às 20h (Duo SPES)17/1: Maison du Brésil em Paris (França), às 19:30 (TRIO)22/1: Embaixada Brasileira em Paris, às 19:30 (SOLO)25/1: Sala de Mármore da Rádio de Budapeste (Hungria), às 19:30 (TRIO)3/2: Large Common Room, London House (Goodenough College, Londres), às 17h(TRIO) Programa: TRIO SPES: Sonata para violino e piano de César Franck, Sonata n. 4 paraviolino e piano de Camargo Guarnieri; Biduo d'ouro para violino e fagote, eChoro para violino, fagote e piano de Zoltan Paulinyi. Solo/DUO (violino e fagote): 3 prelúdios de Ysaye, Solilóquio III de HarryCrowl, Canto e abaianado de Guilherme Bauer, Biduo d'ouro e Acalanto dePaulinyi, 13 Prelúdios de Flausino Valle. Grupo SPES:Piano: Marco Aurelio BresciaViolino: Zoltan PaulinyiFagote: Iracema Simon

Fonte: Zoltan Paulinyi.

Entrevista [ DJ Terrible ]

"Cresci entre adoradores da música clássica"

24 horas de música ininterrupta e um DJ gringo entre os convidados: o leitor distraído pode até confundir o Virtuosi pela Paz com uma rave de Psytrance. Mas o barato, aqui, é outro. Essa maratona, promovida pelo 10º Virtuosi - Festival Internacional de Música de Pernambuco, está ligada ao universo erudito. Entre 20h dessa sexta-feira e 20h do sábado, artistas de diferentes nacionalidades vão apresentar recitais e concertos com o objetivo de difundir a cultura da paz entre os povos.

Não há nada nem remotamente próximo à batida robótica e aos trinados melódicos do Trance. Mas o Virtuosi pela Paz conta mesmo com um DJ. Jörg Henning, conhecido como DJ Terrible, apresenta, na madrugada da sexta para o sábado, o projeto Yellow Lounge, idealizado pelo renomado selo Deutsche Grammophon para aproximar a juventude da música clássica. Ao lado do VJ berlinense Safy Sniper, ele mixa nos toca-discos preciosidades eruditas descoladas nas coleções do seu pai e do seu avô.

Na ativa desde 1988, esse alemão de 42 anos vem ao Recife pela segunda vez. "Há 12 anos" - conta por telefone - "comecei minhas férias no Recife. Depois fui a Olinda e a uma praia ao sul. É lindo aqui. Dá pra gostar até se estiver chovendo". O set do DJ Terrible está marcado para o Teatro de Santa Isabel. Nosso palco mais tradicional hospeda, também, o restante da programação do 10º Virtuosi.

Nesta quinta, a partir das 21h, teremos uma homenagem aos 80 anos de Ariano Suassuna e a música armorial pela Orquestra Sinfônica Virtuosi, regida pelo maestro Rafael Altino. Três obras inéditas dedicadas ao escritor serão apresentadas: o Frevo nº 2, do compositor pernambucano Marlos Nobre, uma peça de Danilo Guanais e outra de Eli-Eri de Moura. A entrada é franca. Os convites podem ser retirados nas bilheterias do Santa Isabel. A seguir, uma entrevista Jörg Henning, o DJ Terrible. (Renato L)

Você sofreu algum preconceito por atuar como DJ de música clássica?
Na verdade, tenho sido um DJ de clubes, em especial de house music, há tempos. Trabalhar como um DJ de música clássica tem sido um complemento para mim. Conheço meu lugar na cena dos DJs porque faço isso desde os 20 anos. A redescoberta da música clássica, que veio com o desenvolvimento do Yellow Lounge, tem sido uma maneira interessante de discotecar. Meu avô morreu na mesma época em que o projeto começou e ele me deixou seus discos, então cheguei para os caras do Yellow Lounge e perguntei se poderia fazer uma noite lá. Um de seus DJs principais, chamado David Canisius, gostou da idéia, e desde então estou no projeto.

Você toca apenas o cânone da música erudita ou abre espaço para a produção contemporânea?
Eu proponho um confronto entre diferentes tipos de música, como uma colisão. Às vezes, fica meio arriscado, mas gosto de fazer isso, de expor essa música mais velha, clássica e erudita ao confronto. Às vezes, tento colocar em contrastecom pequenos trechos de som que posso tirar, por exemplo, de discos de rap, mas sempre focando na música clássica. Mas a vanguarda é algo de que eu gosto muito, como Schoenberg e Blacher. É a música que me interessa mais atualmente.

A música clássica sofreu o impacto das novas tecnologias digitais e da internet?
Do ponto de vista musical, eu diria que não. Mas é muito bom para o consumidor, que tem um modo mais fácil de entrar em contato com a música graças a internet. É também bom para os músicos, que encontram um jeito acessível para distribuir sua música. Quanto ao aspecto da música em si, acho que ajuda um bocado, mas não está de fato mudando o modo de enxergar e fazer tudo. Eu, pessoalmente, atuo como DJ de música clássica com discos de vinil, os discos velhos do meu pai e do meu avô. Cresci dentro de um ambiente de adoradores de música clássica.

Você cresceu ouvindo que compositores?
Meu pai é um grande fã de Gustav Mähler, mas quando eu era criança gostava mais do lado alegre da música clássica, nãode Mahler, que é muito pesado, profundo, lida muito com a morte. Na verdade, eu era meio rebelde com relação a tudo que meus pais apreciavam. Gostava de pop e de rock, por isso disse há pouco que tem sido uma redescoberta da música clássica, pois, independentemente de gostar ou não, ela estava lá todo dia, de manhã a gente tomava café com música clássica, na hora do almoço também# Você pode até não gostar, mas tá no cérebro, no sangue.

Você pode adiantar alguns detalhes da apresentação no Virtuosi pela Paz?
Eu ainda estou trabalhando nela. Mas o que as pessoas talvez precisem saber é que o Yellow Lounge tem sempre um conceito de DJ e video artist (VJ). No caso, Safy Sniper, um israelense que mora em Berlim. Vamos nos apresentar juntos, ele com os vídeos, eu com as músicas. E deve haver uma interação, como sempre, porque ele pode influenciar com a imagem o que eu estiver tocando e vice-versa. Do ponto de vista musical é uma big band, mas só vamos tocar música clássica e vanguarda, não vai ter nada de eletrônico. Vai ser tudo clássico, vamos tocar Blacher, um compositor de Berlim que estudou Física e Matemática e, depois, estudou composição. Ele foi um dos primeiros compositores a entrar na música seqüencial. Na verdade, existem muitos elementos paralelos entre a música clássica e a eletrônica.

Quais são as três músicas que não podem faltar na sua discotecagem?
A Sonata Moonshine de piano, de Beethoven, uma peça muito famosa, é uma das que definitivamente vou tocar: tenho uma gravação extremamente rara, feita por um grande pianista dos anos 1950. Todo mundo conhece essa peça, mas essa versão é magnetizante, acho que é uma das obras que me fizeram entregar meu coração à música clássica. Uma segunda.... Espera um pouco que eu tenho de olhar na minha caixa de discos# OK, voltei com um punhado de discos, tem uma que gosto muito também, um quarteto de cordas de Schoenberg. E uma mais nova, de Blacher, "variação em um tema de Paganini", é muito legal! Você pensa que escutou algo parecido, mas nunca!. É cool!

Fonte: DP, Viver, 13/12/07.

Virtuosi homenageia Ariano Suassuna

Publicado em 13.12.2007

Obras dedicadas à música armorial marcam a noite de homenagens que o Virtuosi – Festival Internacional de Música de Pernambuco presta ao escritor Ariano Suassuna na noite de hoje, no Teatro de Santa Isabel.

Nesse concerto especial, haverá a estréia mundial de três obras dedicadas ao escritor, entre elas Frevo nº 2, do compositor pernambucano Marlos Nobre e executada pelo próprio autor ao piano. Obras clássicas de Marlos Nobre como a Cantoria II para violoncelo solo e o IV ciclo nordestino - uma peça composta com temas de caboclinhos, maracatu e frevo - serão interpretadas respectivamente pelo violoncelista Leonardo Altino e pelo pianista filipino Victor Assuncion.

Na segunda parte do programa, o Virtuosi mostra ao público, em primeira mão, obras inéditas de Danilo Guanais e Eli-Eri de Moura, encomendadas especialmente para a ocasião. Parandares para duas flautas e orquestra de cordas, de Danilo Guanais, ganhará vida com os flautistas Rogério Wolf, considerado um dos mais importantes professores de flauta do Brasil, e Marcelo Barboza, vencedor de vários concursos nacionais, incluindo o de Jovem Solista da Osesp, com a qual atuou como solista sob a regência do Maestro Eleazar de Carvalho. Rafael Altino executa como solista a obra Armorialis para viola, cello e orquestra”, de autoria do compositor e regente paraibano Eli-Eri de Moura.

» Homenagem a Ariano Suassuna, no X Virtuosi. Teatro de Santa Isabel, às 21h. Entrada franca.

Fonte: JC, Caderno C, 13/12/07.

Repórter JC

Sem amálgama

Marlos Nobre definiu na Fundaj as obras pós-modernas: “São como sanduíche, sobreposição de sabores que, só após a mordida, é que se sente o gosto”, diz o compositor.

Fonte: JC, Brasil, 13/12/07.

Alex

Garcia, o maestro do Virtuosi

É preciso revelar os méritos, refiro-me ao maestro Rafael Garcia. Foi ele a força propulsora, com a mulher Ana Lúcia, para que acontecesse este festival de música clássica no Recife, com tantas atrações e sobretudo os nomes famosos no mundo

Fonte: JC, Caderno C, 13/12/07.

Orquestra Sinfônica apresenta O Messias

Na próxima segunda-feira (17), a Orquestra Sinfônica do Recife, sob a regência do maestro Osman Gioia e com a participação do coro Contracantos, apresenta-se no Teatro do Centro de Convenções da UFPE, pela programação natalina da Universidade. Às 16h, haverá ensaio aberto ao público. Às 18h30, acontece o concerto da orquestra, que apresentará O Messias, de Georg Friedrich Händel.

Fonte: Boletim Ascom UFPE.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Agenda Lírica de Porto Alegre

Confiram clicando no título.

Meninos cantores da Cia Minaz nas Janelas do Pingüim

Como já é tradição do calendário natalino de Ribeirão Preto, dia 16 de dezembro os Meninos Cantores da Cia Minaz realizarão o esperado concerto de natal nas Janelas do Pingüim. A apresentação que reúne centenas expectadores em frente da mais famosa choperia do interior de São Paulo tem dupla comemoração em 2007. Além de celebrar as festividades natalinas, a Cia Minaz e a Chopperia Pingüim completam 10 anos de parceria. Desde 1997 são realizados os Concertos de Natal dos Meninos Cantores nas janelas da Choperia Pingüim, o que já se tornou tradição aos domingos do mês de dezembro na cidade e da região. Essa parceria rendeu a gravação de um cd com peças sacras e natalinas em 2003.

Na apresentação, serão executadas canções tradicionais e haverá ainda a participação do “Papai Noel” em intervenções cênicas durante o concerto.

O concerto é regido pela maestrina Gisele Ganade, acompanhado pela pianista Joanice Corrêa e o percussionista Lucca Moreira, participação de André Cruz e a produção é de Ivo Rinhel D’acol.
A apresentação será às 20 horas em frente a Chopperia Pingüim do Calçadão.

Serviço
Dia: 16/12
Horas: 20 H
Local: Chopperia Pinguim

Sobre os Meninos Cantores

O Coral Meninos Cantores foi criado em outubro de 1996 em uma parceria entre a Cia Minaz e o projeto Ribeirão Criança. O objetivo era iniciar crianças de toda a cidade em um repertório musical erudito, com aulas de teoria musical, solfejo, história da música, além de preparação vocal e ensaios. Os Meninos Cantores realizaram apresentações em Ribeirão Preto e região como a encenação dos espetáculos de Ópera Estúdio de “A Flauta Mágica", de Mozart, e "O Barbeiro de Sevilha" de Rossini. Algumas dessas apresentações foram realizadas juntamente com o Coral Minaz, Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto e orquestra de câmara como a “Carmina Burana de Carl Orff”.

Hoje, mantido pela Cia Minaz, o coral dá continuidade a esse projeto, introduzindo crianças ao universo da música erudita, levando ao seu conhecimento um repertório diversificado, realizado por corais de meninos de todo o mundo, além de peças de diversos compositores nacionais. Em onze anos o trabalho cresceu, o coro infantil se transformou em infanto-juvenil, possibilitando assim a realização de um repertório mais aprimorado Neste ínterim, vários meninos iniciaram-se no estudo de instrumentos diversos, influenciados pelo coral, tendo alguns, já ingressado em cursos superiores de música ou artes na UNICAMP, USP E UNESP.

Fonte:
Atendimento à imprensa
Fernanda Marx- 3941-2722 / 9202-2332

Música clássica e jazz no Virtuosi

Publicado em 12.12.2007

O Virtuosi – Festival Internacional de Música de Pernambuco, já em sua décima edição, vem trazendo ao longo dos anos uma programação musical que alia sofisticação e ousadia, com artistas convidados de diversas partes do mundo.

Através de um intercâmbio firmado entre a Universidade de Memphis e o Virtuosi, a noite de hoje tem como tema The Memphis Connection, trazendo instrumentistas renomados que saíram daquela instituição de ensino. O pianista filipino Victor Assunción acompanha o violoncelista brasileiro Leonardo Altino e a violinista coreana Soh-Hyun Park, integrantes do corpo docente da Universidade de Memphis, para apresentar obras de Brahms, Popper e Berg.

Na segunda parte do programa, entram no palco o Memphis Brass Quintet e o grupo Birth of the Cool. Fundado em 1993, o Memphis Brass Quintet é formado por membros do corpo docente da Rudi E. Scheidt School of Music da Universidade de Memphis. A experiência de seus integrantes reflete-se no variado repertório, que inclui obras da Renascença, transcrições do Barroco, arranjos de jazz, assim como obras contemporâneas para quinteto de metais. O Birth of the Cool existe há sete anos e interpreta obras de Miles Davis, Gerry Mulligan e Freddy Hubbard, entre outros compositores do jazz.

SALÃO NOBRE

A programação da Série Salão Nobre tem início às 17h com o programa Sonatas de Brahms com um duo de violino e piano. O violinista dinamarquês Mikkel Futtrup e a pianista, também dinamarquesa, Christina Bjorkoe protagonizam esta primeira apresentação. Na seqüência, a Orquestra Jovem de Pernambuco executa obras de Elgar, Mendelssohn e Tchaikovsky. O Opus Brasil Ensemble é a terceira atração do Salão Nobre.

» 10º Virtuosi, hoje, no Teatro de Santa Isabel. Série Salão Nobre, a partir das 17h e Série Vicente Fittipaldi, às 21h. Entrada franca.

Fonte: JC, Caderno C, 12/12/07.

Intercâmbio ao som de Brahms, Popper e Berg

Através de um intercâmbio firmado entre a University of Memphis e o Virtuosi, a terceira noite do Festival Internacional de Música de Pernambuco (Virtuosi) tem como tema The Memphis Connection, trazendo instrumentistas renomados que saíram daquela universidade e, hoje, estão em plena divulgação e ascensão.

Na noite de hoje, o pianista filipino Victor Assuncion acompanha o violoncelista brasileiro Leonardo Altino e a violinista coreana Soh-Hyun Park, integrantes do corpo docente da
University of Memphis, para apresentar obras de Brahms, Popper e Berg.

O casal Leonardo Altino e Soh-Hyun Park faz parte do Quarteto de Cordas Ceruti String Quartet e possui uma notória carreira musical. Victor Assuncion fez seu primeiro recital em Nova Iorque, em 1999, e é professor assistente de Piano e Música de Câmara da Universidade de Memphis desde 2004.

Na segunda parte do programa, entram no palco o Memphis Brass Quintet e o grupo Birth of the Cool. Fundado em 1993, o Memphis Brass Quintet é formado por membros do corpo docente da Rudi E. Scheidt School of Music da Universidade de Memphis. O Birth of the Cool existe há sete anos e interpreta obras de Miles Davis, Gerry Mulligan e Freddy Hubbard, entre outros compositores do jazz.

Serviço

10º Virtuosi

Teatro de Santa Isabel

Hoje, às 21h Série Salão Nobre - 17h Série Vicente Fittipaldi

Entrada Gratuita

Fonte: Folha, Programa, 12/12/07.

Entrevista [ Alfredo Rugeles ]

"Não existiria orquestra sem compositor"

O maestro venezuelano Alfredo Rugeles é um dos convidados latino-americanos do Festival Virtuosi. Diretor do Sistema de Orquestras de seu país, ele aparece como um dos debatedores, nesta quinta, às 9h, do painel O Direito autoral do compositor de música de concerto no Brasil. Logo depois,, Rugeles discorre sobre Os Festivais Latino-americanos de Música, 1990-2006. Os eventos serão realizados no Museu do Homem do Nordeste (Av. 17 de Agosto, 2187, Casa Forte). O maestro ainda participa de um painel na sexta (Livraria Cultura, 15h) sobre o sistema de orquestra venezuelano, acompanhado da exibição de Tocar y luchar, documentário sobre um importante projeto socio-cultural venezuelano. (Renato L)

Como anda a situação dos direitos autorais na Venezuela? Os músicos são muito explorados?
O direito do autor é um direito irrenunciável. Toda empresa que queira, digamos, produzir um disco ou usar uma música nossa tem o dever de pagar o direito de autor. O problema é que não se paga. Pelo que me contou Marlos Nobre, no Brasil há uma legislação melhor. As orquestras já têm o costume de pagar o direito do autor, o que é primordial. Nossa idéia é que na Venezuela isso também se torne obrigatório. Se uma orquestra vai tocar uma hora, tem que incluir não apenas os gastos do diretor, do intérprete, dos músicos, mas também os do autor. Porque não existiria a orquestra se não existisse primeiro a obra, o compositor.

Como você avalia nossa produção contemporânea a partir de sua experiência à frente do Festival Latino-americano de Caracas?
Nosso festival é um festival de compositores. Privilegiamos latino-americanos que estejam em atividade. Isso não quer dizer que não convidamos músicos europeus ou norte-americanos, nem que não tocamos música contemporânea internacional, mas a prioridade é a América Latina. O festival nos permite uma observação privilegiada da música do continente. Graças a Deus não há um dogma estrito. Encontramos música que pode se chamar de vanguardista, assim como música neo-romântica ou que tenha a ver com o nacionalismo, com o minimalismo ou com a música eletro-acústica. Há muita multiplicidade. Não há uma diretriz estética específica dominante.

Você poderia nos dar alguns detalhes sobre o projeto Tocar y Luchar?
É um projeto que já tem 32 anos, criado por nosso querido maestro José Antonio Abreu. A idéia é ensinar ao jovem a tocar um instrumento sem ter uma base teórica ou prévia, digamos, quase "aprender tocando". Ele gerou uma espécie de revolução musical na Venezuela, porque, para dar um exemplo, agora temos 2130 orquestras e 70 núcleos disseminados por todo o país, incluindo orquestras sinfônicas profissionais, orquestras juvenis e orquestras infantis. O projeto teve um efeito multiplicador. Em 75, a maioria dos músicos da Orquestra Sinfônica da Venezuela (a mais tradicional) era estrangeira. Agora, essa mesma orquestra tem 80% de venezuelanos, formados nas orquestras juvenis. Criamos um universo de músicos de excelente nível técnico. Trata-se, antes de tudo, de um projeto social, que visa integrar jovens delinquentes ou envolvidos com drogas, através da música.

O clima político acirrado da Venezuela repercutiu no terreno da música erudita?
A princípio, houve muita disputa sobre isso. A música erudita foi criticada como elitista e se privilegiou a música popular. O que para mim parece absurdo, porque cada uma deveria ter o seu espaço, uma não é melhor ou pior que a outra. São coisas distintas. Outros segmentos - como o da ópera - também sofreram restrições de alguns setores por serem consideradas elitistas. Agora, não há imposição de um repertório nacionalista ou algo do tipo. As orquestras são livres para escolherem seus repertórios. Até porque estão ligadas a instituição diferentes e as diretrizes são variadas.

Fonte: DP, Viver, 12/12/07.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Virtuosi tem início no Santa Isabel

Publicado em 11.12.2007

O Salão Nobre do Teatro de Santa Isabel ganha concertos especiais, a partir de hoje, na décima edição do Festival Virtuosi. Às 17h, três grupos diferentes fazem apresentações com músicas que vão de Thelonious Monk a Abrahamsen. O primeiro deles é o The U.M. Jazz Players, formado por Jack Cooper (sax), Chris Parker (piano), Tim Goodwin (contrabaixo) e Michael Assad (bateria), que vai executar peças curtas de jazz, passando por obras próprias e de nomes conhecidos como Cole Porter, Thelonious Monk e Ellis Marsalis.

Na seqüência, o palco do Salão Nobre recebe o Copenhague Ensemble, formado pelos músicos Rafael Altino (viola), Christina Bjorkoe (piano), Christian Hougaard (sax) e Kim Bak Dinitzen (cello). E encerrando a tríade de apresentações de hoje, o Virtuosi convida o Quarteto de Brasília, que desenvolve um repertório que dá ênfase à música brasileira. O grupo, formado em 1986, já se apresentou em Paris, Toulouse e Montpelier, recebendo em 93 o Prêmio Sharp de Música por seu disco de estréia.

Já à noite, a partir das 21h, a Série Vicente Fittipaldi apresenta o primeiro concerto da Orquestra Sinfônica Virtuosi & Virtuosos, com a participação de instrumentistas brasileiros e internacionais. Obras de Mozart, Beethoven e Rimsky-Korsakovm serão executadas por solistas como Christian Lindberg (trombone) e Yehezkel Yerushalmi (violino).

» 10º Virtuosi – Séries Salão Nobre e Vicente Fittipaldi, hoje, a partir das 17h, no Teatro de Santa Isabel. Entrada franca.

Fonte: JC, Caderno C, 11/12/07.

Alex

Semana dedicada à boa música

Os dois assuntos culturais da semana: o Virtuosi e Clarice Lispector, sempre procuro reler um pouco os seus livros. O Virtuosi é algo vivo e que está agitando muito a cidade em torno da chamada boa música, ensinando o recifense a gostar mais ainda da música clássica. Ana Lúcia Altino Garcia e seu marido maestro Rafael Garcia têm sido heróicos. Hoje fazem a abertura do ciclo de debates intitulado “A saga da música de concerto no Brasil de hoje e na América Latina” no Museu do Homem do Nordeste, da Fundação Joaquim Nabuco. Encontro patrocinado pelo MinC com o apoio da Petrobras e de outras empresas. A mídia está divulgando a programação do Virtuosi.

Fonte: JC, Caderno C, 11/12/07.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Resultado da enquete: Na sua opinião, qual será a melhor atração do próximo Virtuosi?

Número de votos

Christian Lindberg tocando o concerto A odisséia da motocicleta - 1 (2%)
O Virtuosi pela paz e suas 24 horas de duração - 30 (69%)
O concerto em homenagem a Ariano Suassuna, com participação de Antonio Meneses - 10 (23%)
Outra - 2 (4%)

Votos até o momento: 43
Enquete encerrada

Música erudita: 24 horas no ar

Durante esta semana, acontece a 10ª edição do Virtuosi com cerca de 80 instrumentistas
Apresentações se encerram com 120 jovens instrumentistas


Bruno Nogueira

Apesar de representarem extremos de estética e ritualistica, a música popular e erudita guardam um grande ponto em comum. São apreciadas dentro de uma redoma impenetrável, elevado num altar de adoração. Transformar a forma dessas composições constitui um pecado mortal para a maioria de seus seguidores. Prática pouco saudável para qualquer expressão de cultura. Em sua décima edição, após dar tímidas pinceladas de ruptura do erudito, dá um passo longo além. Redefine o conceito de experiência para a música de câmara.

Existem duas maneiras de definir o 10º Virtuosi, que começa hoje no Teatro de Santa Isabel e segue até o dia 16. Pode ser de maneira hermética, como um festival de música; ou contestadora, se focado em dois dias específicos da programação. Uma rave de 24h ininterruptas, com orquestras e instrumentistas se apresentando ao lado de DJs e VJs. A maratona agrega experiências visuais e feiras de instrumentos, livros, discos e gastronomia.
Durante a semana, o Recife recebe cerca de 80 instrumentistas de todas as esquinas do mundo. A programação hoje é reservada para a abertura, às 21h, no Palácio do Campo das Princesas. Quem faz as honras é o violoncelista Antonio Meneses, acompanhado pelo pianista Gerard Wyss. A partir de amanhã, o salão nobre do Teatro Santa Isabel recebe o grupo The U.M Jazz Players, o Quarto de Brasília e a Orquestra Sinfônica do Virtuosi (confira a programação completa na Folha Digital). Além de se mudar para um local mais acessível, todas as apresentações são gratuitas.

Entre execuções de Brahms e Tchaikovsky, o 10º Virtuosi reserva o dia 13 para fazer uma homenagem a Ariano Suassuna. Será a estréia das obras "Frevo N° 2", de Marlos Nobre e outras duas obras inéditas em homenagem ao escritor e atual Secretário Executivo de Cultura. O evento precede o Virtuosi pela Paz, que promove a inusitada maratona de 24h de música clássica executada no teatro, entre os dias 14 e 15.

Contribuindo com o inédito da experiência, um telão será montado na área externa do teatro, para garantir a participação até de quem não garantir o ingresso para o dia. A proposta é importada do internacional Yellow Lounge, criado pela Deutsche Grammophon, e será comandada pelo DJ Terrible e o VJ Safy Sniper. Artistas da programação do Virtuosi estarão presentes, se intercalando em apresentações que encerram com 120 jovens instrumentistas, todos vindos de Fortaleza, Natal, João Pessoa e Recife.

Além das apresentações, o 10º Virtuosi traz pela primeira vez uma programação de debates. Entre os dias 11 e 14, o auditório da Livraria Cultura recebe "A Saga da Música de Concerto no Brasil de Hoje e na América Latina", promovendo interação e troca de informação entre produtores e músicos. A conclusão desse debate será transformado em texto, que será enviado aos Ministérios relacionados e governos estaduais e municipais. Como já firmou tradição, o Virtuosi também promove Master Classes, com as atrações internacionais trabalhando como professores para novos instrumentistas.

Serviço

10º Virtuosi

De hoje, à 16, a partir das 17h

Teatro de Santa Isabel

Praça da República, s/n

Entrada gratuita

Fonte: Folha, Programa, 10/12/07.

Entrevista [ Christian Lindberg ]

"Quero que experimentem algo além do ordinário"Em seus concertos, voce é um showman: canta, produz sons estranhos, conversa com o publico, faz uma performance completa sempre com muito bom humor. É uma intenção deliberada quebrar expectativas e descontrair o público para que se aprecie a música de uma forma diferente, sem formalismos?
A performance musical tem que ser excitante como é a própria vida, e portanto não se deve excluir o humor e coisas excitantes. Eu quero que as pessoas se sintam vivas e que experimentem alguma coisa além do ordinário no momento em que eles assistem a uma performance. Que se deixem levar também pela minha beleza, virtuosismo, sensualidade, obscuridade, tristeza, selvageria e humor!

Você alçou o trombone ao topo dos instrumentos para solistas, junto ao piano e ao violino. Acha que o trombone alcançou seu devido reconhecimento na música clássica?
Ainda não, mas o fato de foi criada uma competição com meu nome na Espanha (Christian Lindberg International Solo Competition) e que o repertório foi escrito para mim significa que o trombone terá um futuro brilhante.

Classificaria a sua música em alguma vertente (jazz, música clássica ou música de vanguarda) ou não liga pra isso?
Eu adoro responder a esta questão. E eu realmente gostaria de especificá-la como MÚSICA e apenas MÚSICA. Mozart não foi muito diferente de Paul McCartney, e somente a forma e a estilo é o que os difereciam. Ambos criaram melodias que todo mundo ama e se sente vivo quando cantam, tocam ou escutam.

Você se sente pressionado, incomodado ou algo do tipo por ser aclamado como um grande virtuoso, a ponto dese chamado de Paganini do trombone?
Absolutamente não!! Eu simplesmente amo música e compartilho isso com o meu público. E o retorno diário que eu tenho, seja como regente, compositor ou trombonista, é absolutamente maravilhoso e me encoraja tanto!! Meu corpo inteiro e alma necessita de música para me sentir vivo...É quase como uma comida#Eu não consigo viver sem isso.

O que vem escutando hoje e quais são suas influências?Neste momento, eu estou regendo muito de Dvórak, Mozart, Brahms e Tchaikovsky, então eu estou completamente absorvido por esses compositores e escutando muito de suas peças. Mas geralmente eu escuto Eminem, Paul Simon, Miles Davis, Frank Zappa, Beatles, Xenakis, Berio e muito, muito mais!! Música é meu vício completo. Como eu já disse: eu não posso viver sem ela!

Fonte: DP, Viver, 10/12/07.