terça-feira, 6 de maio de 2008

'The Herald' tacha atuação de Minczuk de medíocre

Não valeu a pena para o maestro Roberto Minczuk adiar um concerto da Orquestra do Teatro Municipal, em que apresentaria esperadas obras de Kurt Weill, e se ausentar de concertos da Orquestra Sinfônica Brasileira, na primeira quinzena deste mês, com o violinista russo Eugene Ugorski. O novo diretor artístico do Municipal preferiu aceitar o convite da Filarmônica da Filadélfia para substituir, em cima da hora, o maestro titular, que estava doente e não poderia comandar o grupo no concerto que comemorou os 40 anos da trilha sonora do filme 2001 – Uma odisséia no espaço. Minczuk foi duramente criticado pela imprensa estrangeira. Especialistas do portal americano philly.com e do diário britânico The Herald tacharam a atuação do maestro de insatisfatória.

Na Filadélfia, Minczuk tinha como missão percorrer um programa que incluía peças de Gyorgy Ligeti, Brahms, Richard Strauss e Johann Strauss Jr. A crítica publicada por Peter Dobrin no portal de notícias philly.com, que abriga o conteúdo dos jornais Philadelphia Daily News e Philadelphia Inquirer, escreveu que, no fim do roteiro da noite, "o maestro Minczuk não emergiu nem como herói nem como personalidade capaz de fazer música própria plenamente."

Um dos pontos que chamaram a atenção de fãs de música clássica, que debateram as ausências do maestro no Rio nos últimos concertos em que sua participação estava confirmada, no site de relacionamentos Orkut foi a falta de referências ao trabalho do maestro na cidade. Minczuk aparece creditado apenas como "regente da Orquestra de Calgary, do Canadá". O crítico Peter Dobrin se deteve à parte artística. Em sua opinião, no concerto para violino de Brahms com o solista Nikolaj Znaider, "o conjunto às vezes se mostrou borrado e confuso, como se Minczuk tivesse de alguma forma perdido contato com a orquestra". Noutro momento, destaca que o grupo tomou para si a responsabilidade de dar mais energia ao concerto. Na obra Also sprach Zarathustra , de Richard Strauss, que, conta o jornal, prometia a Minczuk o maior campo interpretativo, "o maestro acabou sendo reduzido à obviedade do controle criativo".

Outros comentários negativos sobre o trabalho do diretor da OSB, que regeu, no dia 17, a BBC Scottish Simphony no City Hall, em Glasgow, ganharam destaque no britânico The Herald. O crítico Michel Tumelty tachou de criminosa a versão de Minczuk para a segunda sinfonia de Brahms, empregando termos como "quadrada", "fluxo chato" e "desprovida de caráter": "O segundo movimento estava como um café-da-manhã de cachorro: sem a mínima intenção de alinhavar as seções, espalhadas como pedaços de um quebra-cabeças num chão de madeira".

[Jornal do Brasil 23/04/2008 ]