Prezados,
Como vocês devem saber (ou passam saber agora), estou começando a desenvolver um estudo - através de bolsa da Funarte - sobre as obras sinfônicas de Jorge Antunes baseadas em temática político-social e um dos campos teóricos com o qual irei trabalhar são os Estudos Culturais, uma vertente de pensamento acadêmica anglo-americana propagada nos anos 70 e 80 particularmente em cursos de comunicação social e antropologia.
Há uma bibliografia satisfatória de aplicação dos Estudos Culturais em diversos ramos das artes, principal de massa ou popular, mas creio que não há nada no Brasil aplicado à música clássica (e mesmo no exterior). Vou me orientar por algumas discussões da música popular/massiva, porém - caso vocês possam consultar seus contatos lá fora - gostaria de averiguar se alguém conheceria algum livro articulando o referido campo teórico e a música erudita.
Envio um texto em inglês, abaixo, para todos os fins. Agradeço desde já a atenção.
Cordialmente,
Carlos Eduardo Amaral
Greetings,
Soon I have to begin an study - sponsored by Arts National Foundation - about brazilian composer Jorge Antunes's symphonic inspired by sociopolitical episodes and, as in Brazil there are no books linking Cultural Studies and Classical Music, I asked to some friends and colleagues musicians to help me to look for information abroad. I'd thank you so much if you could appoint me (writing please to pb_amaral@hotmail.com) to any book which discusses both knowledge fields or applies Cultural Studies to Classical Music objects - it would be really helpful.
Best Regards,
Carlos Eduardo Amaral
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Caro Carlos Eduardo.
Efetivamente estou "passando a saber, agora, que você está desenvolvendo pequisas no campo de Estudos Culturais. "
Pessoalmente, eu tenho uma visão muito particular sobre este Campo de Estudos.
Efetivamente, a não ser por uma questão de maior ou menor abrangência do "efetivo populacional" abarcado por esses Estudos e, naturalmente, pela maior ou menor capacidade tecnológica e política de influir e receber os feed back dos respectivos "efetivos populacionais", não creio estamos diante de uma nova ciência.
De fato, ao lançarmos um breve olhar sobre a cultura helênica, romana, medieval, renascentista, asiática, árabe, soviéticas ou czaristas (entre centenas de outras possíveis) vemos que "Estudos Culturais" sempre existiram, quaisquer que sejam oa povos focados.
Veja você, caro amigo: por acaso viável crer na modernidade desse Estudos ao Estudarmos o domínio praticamente universal do Romanos sobre uma vastíssima faixa territorial que abarcava uma multifaceta diversidade cultural, com um exército (Romano) de mais ou menos duzentos e cinquenta mil soldados, caso a obervação, a pesquisa e a análise dessas culturas tão diversificadamente abrangentes não envolvessem todos os pontos reivindicados pela atual ciência dos Estudos Culturais.
Mesmo politicamente podemos constatar que a estratégia de distribuir "Herodes Serviçais" por todas as nações então conquistadas é, em tudo, semelhantes a dos atuais dominadores que têm seus próprios Serviçais comandando os destinos dos dominados.
Se Estudos Culturais ocorriam na política do dominador e na do dominado, ocorriam, também, nas demais atividades culturais, sociais, artísiticas, etc.
Experimente ler o Novo Testamento.
Temos ali uma História da Dominação Romana ou um Cantico de Liberdade Hebraica?
Quem sabe, temos ali um "enfoque" político social de Estudos Culturais com todas as diversidade possíveis e imagináveis?
Bem, caro amigo, estou me alongando assim e este alongamento poderia ser inexgotável para explicar que:
se encararmos Estudos Culturais como sendo Estudos das Modernidades, então, efetivamente, em música, deve haver muito pouca coisa, pois, diversas ciências (como esta mesma de Estudos Culturais) usurparam conteúdos e áreas de abrangência da mesma.
Porém, se lermos, por exemplo, a História do Piano, de Piero Rattalino, com a curiosidade de pesquisadores autênticos, vamos encontrar todas as divergências e convergências politico-sócio-culturais de qualquer agrupamento de seres humanos em torno de um "instrumento de comunicação" das mais lata relevância para todos os Povos da Terra.
Por que estou lhe dizendo isto?
Porque, se for encarada como uma modernidade, os Estudos Culturais podem não ser mais do que uma invenção de algumas pessoas em busca de mais uma transformação do NADA SE CRIA E NADA SE PERDE NA NATUREZA - TUDO SE TRANSFORMA.
Contudo, se Estudos Culturais contentar-se com uma aplicação mais modesta ao "modus vivendi" atual, então, caro amigo, o seu campo é inesgotável e você terá nas mãos um material fantástico.
Por exemplo: entre na Internet e procure, no You Tube ou no meu blog por "Crianças Prodígio".
Veja umas 15 ou 20 dessas crianças
(prodígios ou normais para os meios e conhecimentos que são banais nos dias de hoje)
e, então, comece á se questionar sobre a razão pela qual os Governos Asiáticos estão investindo tanto na Cultura Ocidental, já que eles têm uma cultura milenar riquíssima e do maior interesse.
Um fio puxa o outro e você não vai dar conta de pesquisar tudo o que vai encontrar.
Terá de delimitar, amplamente, o seu Universo de Pesquisa.
Sei que ele já se encontra delimitado e financiado.
No entanto, antevejo (se não para este momento pode ser para um outro mais interessante) uma possibilidade bem mais ampla e radical para você que não esta de embarcar, de corpo e alma, no conceito atual Estudos Culturais.
Não leve a mal que eu seja assim tão prolixo.
Tampouco que eu tenha idéias assim.
Contudo, quem iria imaginar que eu poderia conversar, via Intenet, aqui em Recife, sobre Estudos Culturais, ainda que seja para dizer:
É!
É uma ciência, tão antiga quanto o são Adão e Eva, sendo indispensável para qualquer povo que deseje sobreviver, tanto como dominante quanto como dominado.
Por falar em Adão e Eva... ...como os hebreus sobreviveram ao holocausto romano? ...e continuaram sobrevivendo aos demais? ...até hoje...
Um grande abraço.
Edson