quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo

Não vou fazer nada de balanços ou retrospectivas, embora tivesse vontade e ferramentas para fazê-lo, pois o mais importante no dia de hoje são as reflexões estimuladas pelo que realizamos no interminável caminho da Verdade e da Perfeição. Por mais cafonas e descalabrosas que essas palavras sejam nos dias atuais e por mais que sejamos convictos de nossas limitações e defeitos, dar um pouco melhor de si nunca causou mal a quem está a nossa volta e sempre nos ajudou a obter um saldo espiritual positivo e crescente. Crente, não tão crente ou descrente numa força superior, invariavelmente o Bem é a condição maior para nossa transcendência interior e para que nossos valores se imponham com o tempo e através do trabalho e da abnegação.

Desejo os melhores sentimentos e as melhores realizações a todos nós em 2009 e que nossa íntima chama de otimismo e virtude se propague a nossas famílias, amigos, colegas, conhecidos e mesmo a quem não nos queira tanto bem assim, já que o Bem é universal e irrestrito.

Feliz 2009,


Carlos Eduardo Amaral

PS.: E comungo particularmente com todos os cristãos que lêem este blog a crença sine qua non no Ser que condiciona todos os nossos atos desde que veio ao mundo há um pouco mais de dois mil anos.

O que eu estou ouvindo - 1

Carlos, estarei de férias e em Maria Farinha durante todo o mês de janeiro. Lá não tenho computador e não vai dar para dizer o que estarei ouvindo. Mas levarei para ouvir todos os CDs da OSESP que ganhei na promoção no Virtuosi (Tchaikovsky e Beethoven, lembra?), e mais os que comprei durante o festival ( o CD de Ilya Gringolt, o de Meneses etc. e, inclusive, o DVD de Lindberg). Também consegui na Cultura CDs com os quintetos de Dvorak e de Schumann que ouvi no Virtuosi.

Desejo uma feliz entrada de Ano Novo, com o pé direito.

Abraço,

Wilma Basto

O novo príncipe do Palácio da Alvorada, em Brasília

Lula convida garoto do Coque a passar as férias de janeiro na residência oficial

Jailson da Paz // Diario
jailsonpaz.pe@diariosassociados.com.br


Daniel não cabia em si. Agarrado à caixa do violino ganho do presidente Lula, o garoto de 8 anos parecia imaginar como serão as férias de janeiro. A imaginação é precisa nessas horas. O menino vai trocar o casebre sem reboco, piso inacabado e irregular e coberta de telhas de amianto por um palácio. Ele foi convidado pelo presidente para passar o próximo mês em Brasília. O convite veio ontem durante o almoço, em Boa Viagem. Daniel Silva agradeceu os presentes com o que mais gosta de fazer: tocar violino. Do instrumento, ouviu-se O Mágico de Oz e o jingle Lulá, lá.

"Ele me chamou e eu vou. Olha o que tenho aqui, o telefone dele"
Daniel Silval - violinista

O menino disse não saber ao certo o que o espera em Brasília. Mas confessou que pensa na piscina e no jardim. Quer correr. Na casa pequena onde mora, Daniel vive sem privilégios. Os espaços para brincar são poucos. No Palácio da Alvorada, o pequeno músico terá um mundo à disposição. A residência do presidente da República oferece campo de sobra para crianças. O gramado é amplo. Há cercade 70 emas no jardim do palácio e uma visão particular para o Lago Paranoá. "Ele me chamou e eu vou", assegurou o garoto, que mora com os avós e uma irmã.

Talvez nem se dê conta, mas Daniel será hópede de um edifício que é referência na obra de Oscar Niemeyer. O imóvel foi a primeira construção de alvenaria de Brasília. Um palácio que, ao contrário das paredes da casa do garoto, é revestido de mármore. O espaço foi milimetricamente projetado. Foge à regra de centenas de imóveis do Coque, onde o improviso das construções depende do que ganham os moradores. Lá, sob as linhas de Niemeyer, o garoto poderá trocar os brinquedos de casa pela sala de jogos. Ou dormir tranqüilo em uma das quatro suítes do palácio.

Os detalhes da viagem ainda não foram acertados. "Devem ser discutidos depois que o presidente retornar de Fernando de Noronha para Brasília", disse o coordenador do projeto Orquestra Criança Cidadã - Meninos do Coque, juiz-corregedor João José Targino. O magistrado é um apaixonado pelo projeto. No encontrocom Lula, Targino destacou a história de Daniel. Entregou ao presidente um exemplar da edição de Natal do Diario de Pernambuco. O jornal contou a história do garoto que quebrou o protocolo, este mês, e depois de uma apresentação em Salvador (BA) correu para abraçar Lula.

Amigo é amigo. E como prova da boa relação com o presidente da República, Daniel mostrou um cartão improvisado entregue por Lula. "Olha o que eu tenho aqui", disse sorrindo. Do bolso, ele puxou o troféu: um papel branco com letras azuis. Poucas palavras. Era o nome e o número do telefone particular. Acompanhando o garoto no restaurante, Denise Farias desconversou. Ela pediu o papel ao menino e o guardou rapidamente. "É o telefone de um amigo meu", afirmou.

Daniel silenciou com um breve sorriso. Sabia que ele era o motivo principal do cartão. Fechou a caixa do violino presenteado, tentou carregá-lo. Denise apressou-se em ajudá-lo. E sairam com destino ao Coque.

Um violino de presente para o pequeno Daniel

Publicado em 31.12.2008

Após a inauguração do Parque Dona Lindu – obra ainda inacabada da gestão do prefeito João Paulo (PT) –, Lula e uma comitiva de cerca de 70 convidados almoçaram no restaurante Buongustaio-Famiglia Giuliano, em Boa Viagem. Os familiares do presidente participaram do almoço e, assim como na festa de inauguração do parque, evitaram contato com a imprensa.Durante o almoço, Lula fez uma pausa nos debates sobre crise e política – temas que abordou no discurso (veja matérias na páginas 4) – para cumprir uma promessa pessoal. Ele presenteou o jovem músico Daniel Bernardino, de apenas oito anos de idade, com um dos primeiros violinos feitos no Brasil em madeira de eucalipto.

Daniel é integrante da Orquestra Cidadã Meninos do Coque, criada e mantida pelo desembargador Nildo Nery, com o apoio do Tribunal de Justiça de Pernambuco e outras entidades. Os dois se conheceram na Bahia, quando, após uma apresentação, o músico correu para abraçar o presidente. Ontem, acompanhado da mãe, o pequeno Daniel não escondia a alegria e o orgulho. Empunhando o novo instrumento, executou para Lula uma peça de O Mágico de Oz e, em seguida, o jingle “lula-lá”, das campanhas presidenciais do petista.

Segundo o maestro Cussy de Almeida, regente da orquestra, o presidente Lula havia prometido o violino, mas a entrega, ontem, pegou o músico de surpresa. Daniel Bernardino está no bem-sucedido projeto – que visa a tirar crianças e adolescentes carentes das ruas – desde os cinco anos de idade. Tímido, não quis conversar com jornalistas. No entanto, não cansava de exibir o presente presidencial.

SARAPATEL

No cardápio do almoço do presidente com familiares e aliados políticos, comidas regionais. Bem disposto, Lula comeu sarapatel com farofa de banana, chambaril, bode ao forno e outras iguarias. Bebeu cachaça Germana como aperitivo, depois chope e sucos, e completou com uma torta de limão.

“Ele provou um pouco de tudo do buffet, e elogiou muito. Eu já havia cozinhado para ele antes, assim como para o ex-presidente Fernando Collor, em Maceió. Quando me informaram que ele viria, fiz o que ele gosta”, disse o chef Alemão, que há 18 anos trabalha para o grupo Spettus, proprietário do restaurante. “Quanto à cachaça, eu tinha dúvidas se ele tomaria, mas quando fui cumprimentá-lo, ele pediu logo”, revelou, satisfeito, o chef.

Após o almoço, o presidente seguiu, por volta das 15h, para a base aérea, onde embarcou para um período de descanso no arquipélago de Fernando de Noronha. A primeira-dama Marisa Letícia, que não veio ao Recife, seguiu antes para o local, acompanhada de dois filhos e dois netos. Lula passa o réveillon e permanece alguns dias de descanso na ilha.

Menino do Coque ganha violino de Lula

Paulo Marinho
Agência Nordeste
RECIFE - Após a conclusão do evento onde inaugurou a primeira etapa do Parque Dona Lindu, localizado no bairro de Boa Viagem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguiu com aliados para o restaurante Buongustaio, também no mesmo bairro, para almoçar. Lá, o menino Daniel Silva, de apenas 8 anos, roubou a cena. Ele, que integra a Orquestra Criança Cidadã - Meninos do Coque, ganhou do presidente um violino de eucalipto, o primeiro desse modelo no mundo. Além disso, para completar o dia de felicidades da criança, Lula prometeu ligá-lo no dia 10 de janeiro para agendar o dia em que ele irá para Brasília, ficar na casa particular do líder petista por 30 dias - nas férias escolares.

De acordo com a assessoria da presidência da República, o pequeno violonista tocou a música “Lulalá” para o presidente (ou seu mais novo padrinho) assim que recebeu o presente. Logo após o almoço, Lula já tinha saído do restaurante, Daniel era todo alegria. Parecia distraído, distante, longe de tudo o que se passava naquele momento. Não respondia aos questionamentos da imprensa, apenas ajeitava o novo instrumento e pousava para algumas fotos.

ALMOÇO

O almoço de Lula contou com um cardápio bem regional. O próprio Lula foi quem solicitou um menu a base de comidas típicas. Lideranças locais e nacionais estavam presentes.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Flautas doces fabricadas por Marcos Ximenes

As flautas que desenvolvo são produzidas artesanalmente, baseadas em instrumentos históricos europeus do século XVIII.

Os modelos que trabalho atualmente são:

  • Soprano 440Hz ( R. Wijne, da coleção de F. Bruggen);
  • Soprano 415Hz (I. Steenbergen, da coleção de F. Bruggen);
  • Contralto 440Hz (J. Denner, do Musikhistorisk Museum Copenhagen);
  • Contralto 415Hz (I. Steenbergen, da coleção de F. Bruggen);
  • Contralto 415Hz (J. Denner, do Musikhistorisk Museum Copenhagen);
  • Tenor em D – 415Hz (Voice-flute J. Denner, da coleção de F. Bruggen);
  • Tenor em C – 440Hz (J. Denner, da coleção de F. Bruggen);
  • GANASSI soprano em C e alto em G – 440Hz (Kunsthistorische Museum of Vienna).
As madeiras que utilizo são nacionais e dependendo do modelo da flauta funcionam muito bem. As que tenho no momento são:


  • Ipê – cor marron escuro, muito dura e pesada;
  • Massaranduba – cor rosa escuro, muito dura e pesada;
  • Pau-roxo – cor roxa, madeira porosa e dura;
  • Sucupira – cor marron escuro com listras mais claras, madeira muito porosa e dura;
  • Muiracatiara – cor meio alaranjada com listras, madeira um pouco leve.

Preços(R$) EXCLUINDO A POSTAGEM

  • Soprano 440Hz ou 415Hz = 500,00
  • Contralto 440Hz = 750,00
  • Contralto 415Hz = 750,00
  • Tenor em D 415Hz = 1100,00
  • Tenor em C 440HZ = 1100,00
  • Ganassi em C ou G = 550,00

OBS.: PREÇOS PARA AS MADEIRAS ROXINHO, SUCUPIRA E MUIRACATIARA, PARA AS DEMAIS À COMBINAR.

Trabalho em regime de pedidos, ou seja, quando da solicitação, informarei o prazo para entrega do instrumento, que vai depender da fila de espera, atualmente a previsão de entrega é cerca de dois meses.

O pagamento é à vista, quando for ser enviado o instrumento, e utilizo o SEDEX como transporte.

Para encomendar, o e-mail é a ferramenta mais rápida, mas sempre converso antes por telefone afim de sentir melhor as exigências do flautista. Meu número é (85) 8836-2216 e 3295-0931. Em anexo envio uma foto do meu folder informativo. Por gentileza, gostaria que confirmasse o recebimento deste e-mail.
Atenciosamente,
M. Ximenes
Maxlv@ibest.com.br/maxlv@zipmail.com.br


Repórter JC

Obra inacabada reúne petistas e todos os aliados

João Paulo contou na Rádio Jornal que faltou espaço no Parque Dona Lindu, ainda inacabado, para exibir hoje a Lula a Orquestra do Coque.

Hinos melquitas

Este link - enviado por Emmanuel Rabelo, de Oliveira-MG - tava guardado e teria caído muito bem no Natal, mas só o encontrei agora. Vale a pena conhecer importantes hinos melquitas, pena que os arquivos estão em arquivo MIDI.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Concerto para cordas e percussão de Camargo Guarnieri

Ano passado, no Virtuosi Brasil 2007, a Orquestra Jovem de Pernambuco tocou o citado concerto de Guarnieri e eu procurei saber se ele já havia sido executado antes, já que fora dedicado à Orquestra Armorial. Daí troquei alguns e-mail e, junto com professora Ana Lúcia, supomos que a primeira execução no Nordeste não tenha sido na década de 70 e, sim a de 2007.

***

----- Original Message -----
Sent: Wednesday, March 07, 2007 10:12 PM
Subject: Sobre o Concerto de Guarnieri...

Professora Ana,

Não sei se a senhora leu meu artigo sobre Guarnieri na Continente de Fevereiro (ah, e teve também o da Continente Documento sobre o Centenário do Frevo)... Para redigi-lo, consultei o professor Flávio Silva e a senhora Marion Verhaalen. Aí fui pegando informações em off acerca do Concerto para cordas e percussão de Guarnieri.

O Concerto foi escrito em 1972 e a partitura foi editada em 1975. Segundo o livro de Marion Verhaalen, a obra foi dedicada à Orquestra Armorial, quis confirmar esse dado com ela mas não tive resposta. Flávio Silva não achou indicação de dedicatória. Maestro Cussy me disse que a peça era dedicada a ele (mas acredito que ela tenha sido apenas feita por sugestão dele) e teria sido estrada no Recife em 1976 com Guarnieri regendo a Orq. Arm., o que eu e Flávio Silva achamos pouco provável, já que Guarnieri podia muito bem tê-la regido na USP.

A gravação que tenho é do próprio Guarnieri regendo a Orquestra da USP, não me lembro o ano. Foi um amigo de Curitiba que me enviou.

Carlos Eduardo Amaral

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Re: Sobre o Concerto de Guarnieri...‏
De: Ana Lucia
Enviada: quinta-feira, 8 de março de 2007 12:48:45
Para: Carlos Eduardo Amaral (pb_amaral@hotmail.com)

Carlos Eduardo,
obrigada pelas informações. Quando Camargo esteve aqui e regeu a Armorial (só esteve uma vez eu acho) toquei como solista no mesmo concerto. Vou procurar o programa que certamente eu tenho. Tambem tocou Maria Vischnia. Não acredito que ele tenha vindo aqui a Recife 2 vezes seguidas porque eu sai de Recife para SP em 73. É muito capaz dele ter estreado aqui em 72 mesmo. Vou procurar o programa.Na partitura está escrito "dedicado a Orquestra Armorial etc e tal".
Abraços
Ana Lucia

***

Re: Sobre o Concerto de Guarnieri...‏
De: Ana Lucia
Enviada: quinta-feira, 8 de março de 2007 14:49:58
Para: Carlos Eduardo Amaral (pb_amaral@hotmail.com)

Realmente quando Camargo esteve aqui e eu toquei como solista da Orquestra Armorial com ele regendo, o que ele tocou dele foi Sequencia e Ricercare - estréia mundial se não me engano. Achei não o programa (posso até procurar mais) mas uma matéria publicada no diário oficial da época.
Abraços,
Ana

domingo, 28 de dezembro de 2008

Pesquisa De Agostini

Em março, Renato Lima me encaminhou um e-mail com uma pesquisa que a editora Planeta De Agostini estava fazendo. Segue abaixo, junto com minha resposta, que não fez diferença.

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Date: Wed, 19 Mar 2008 15:04:53 -0300
From: renatolimajc
To: pb_amaral@hotmail.com
Subject: Fwd: SUA OPINIÃO É MUITO IMPORTANTE PARA NÓS!

---------- Forwarded message ----------
From: info@planetadeagostini.com.br <info@planetadeagostini.com.br>
Date: Mar 19, 2008 2:32 PM
Subject: SUA OPINIÃO É MUITO IMPORTANTE PARA NÓS!
To: renatolimajc


Querido consumidor,

SUA OPINIÃO É MUITO IMPORTANTE PARA NÓS!

Gostaríamos de saber sua opinião sobre um de nossos futuros lançamentos: uma coleção de Música Sacra em DVD que reúne os melhores concertos, réquiems, oratórios, missas realizados nas mais belas basílicas, igrejas, catedrais - algumas, como São Pedro do Vaticano, nunca filmadas antes.

Estamos buscando um conhecedor de Música Sacra reconhecido no Brasil para apresentar a coleção.

Na sua opinião, quem é o maior conhecedor de Música Sacra no Brasil?

- Maestro JOHN NESCHLING (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo)

- Maestro ISAAC KARABTSCHEVSKY (Orquestra Sinfônica da Petrobrás)

- Maestro ERNANI AGUIAR (Academia Brasileira de Música)

- Maestro JÚLIO MEDAGLIA (Programa "Prelúdio" na TV Cultura)

Para votar, responda ao e-mail, escrevendo o nome do maestro escolhido.

A Planeta DeAgostini agradece sua participação!

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De: Carlos Eduardo Amaral (pb_amaral@hotmail.com)
Enviada: quinta-feira, 20 de março de 2008 9:03:24
Para: info@planetadeagostini.com.br
Cc: Renato Lima
Anexos: 3 anexo(s)

mat-cont-...jpg (1540,1 KB), mat-cont-...jpg (1219,3 KB), res-cont-...jpg (1177,5 KB)

Saudações,

O maior conhecedor de música sacra no Brasil não é nenhum dos quatro nomes propostos, é o pianista, compositor e regente paulista Amaral Vieira, que atualmente se encontra em turnê no Japão, onde é o pianista brasileiro de maior destaque. Segue o link do site dele: http://amaralvieira.com/JP/2008_tours/apresentacao2008.htm

Amaral Vieira é um artista Steinway, principal divulgador da obra de Franz Liszt em nível mundial (promoveu várias primeiras execuções da obra de Liszt no Brasil, inclusive), tem um catálogo que ultrapassa 500 composições e, assim como Ernani Aguiar (o mais entendido em música sacra dentre os quatro listados pela Planeta de Agostini), membro da Academia Brasileira de Música (ABM) (cadeira 39, ocupada desde o ano 2000). Possuo a maior parte da discografia de Amaral Vieira, que foi lançada pela Paulus; as obras sacras são diretamente relacionadas com a música barroca e sobretudo romântica, muito autênticas e, felizmente, bem executadas.

Em anexo, envio reportagem que fiz a respeito dele em 2007 para a revista Continente Multicultural, do Recife, onde sou crítico de música clássica (www.continentemulticultural.com.br).

Outros nomes que indicaria numa eventual impossibilidade de Amaral Vieira são:

* Prof. André Cardoso, da Escola de Música da UFRJ (assim como Ernani Aguiar), do qual tenho uma monografia premiada pela ABM sobre a música no tempo de D. João VI e do Império, cujo primeiro capítulo versa sobre formas litúrgicas, pois primordiais naqueles tempos;
* Profa. Helma Haller, da Escola de Belas Artes de Curitiba, regente do Collegium Cantorum, coro feminino que acaba de lançar o primeiro CD, muito bem produzido, exclusivamente sobre música sacra brasileira - a compilação dos textos e os comentários são da maestrina;

Caso desejem os dados de contato de qualquer um deles, posso lhes informar. Em tempo, gostaria deixar-lhes à disposição o espaço para resenhas da revista (vide também anexo). Se desejarem incluir a Continente na mala direta de divulgação de lançamentos, será um prazer.

Cordialmente,


Carlos Eduardo Amaral

sábado, 27 de dezembro de 2008

Baile do menino Deus ganha especial na Globo

Publicado em 27.12.2008

Ópera vista durante três dias no Marco Zero foi adaptada para a telinha: em vez de durar 1h30, encenação acontece em 40 minutos

“Romaninha, Romaninha”, canta o coro infantil formado por 12 crianças no Baile do menino Deus, espetáculo teatral que lotou o Marco Zero nos dias 23, 24 e 25 deste mês e que hoje é visto, às 9h da manhã, em todo o Estado via Globo Nordeste. Repleta de belas canções – além da citada Romã, Romã, o público ainda confere músicas como Cantiga para acalentar o menino e Santos Reis do Oriente – a montagem escrita e dirigida por Ronaldo Correia de Brito também traz personagens construídos há 25 anos, como pastorinhas e o monstro Jaraguá. O espetáculo que dura cerca de 1h30 foi adaptado para a TV, que tornou a encenação mais dinâmica – o programa que vai ao ar hoje dura 40 minutos. A direção do especial ficou por conta de Helder Vieira, coordenador de produção da Globo Nordeste, além do próprio autor e diretor do espetáculo. No ano passado, o Baile foi ao ar às 22h, após o Fantástico.

Um dos cuidados necessários para levar a ópera natalina para a pequena tela foi a captação de áudio. Uma mesa com 40 canais foi usada para captar as vozes (além do coral infantil, há o coral adulto, os solistas Silvério Pessoa, Irah Caldeira, Karlson Correia, Isadora Melo e George Cabral e as falas dos dois Mateus interpretados por Arilson Lopes e Célio Pontes). O áudio e a mixagem comandadas pela Fábrica Estúdio têm qualidade de CD. As imagens também mereceram atenção especial: a iluminação assinada por Játhyles Miranda, que utilizou a casa principal do cenário (onde estão Maria, José e Jesus) como um dos pontos-chave (duas “janelas” mudam de cor constantemente, modificando a cara da encenação) tornou o espetáculo ainda mais colorido. A mudança de horário não trouxe problemas para a produção. Para Helder Vieira, será possível que mais crianças, inclusive, consigam conferir o espetáculo televisionado. Merecem destaque nesse baile: a boa direção de arte de Marcondes Lima, que criou belas imagens, entre elas as aparições de Jesus (Tatto Medinni) e Maria (Sandra Rino), além do trabalho do maestro José Renato Accioly, que ainda assinou a direção musical.

Respostas a Ana Paula Lira

A mesma coisa do já explicado no post abaixo: eu na condição de entrevistado para um trabalho em vista da referida disciplina na pós que concluí este ano - agora as respostas foram para Ana Paula Lira.

***

Como estudioso da música erudita, qual a sua percepção do uso dessas canções nas propagandas de televisão?
A música clássica (ou erudita ou de concerto, como preferir) tem a mesma aplicabilidade à propaganda que a popular, com a diferença de a música clássica encantar e impressionar com mais facilidade. Depende do apelo publicitário que os criadores da propaganda desejem e de eles acertarem na escolha da música.

A propaganda de televisão pode ser um meio efetivo de disseminar a música erudita da população?
De disseminação, não; de fixação no repertório afetivo popular mesmo. A disseminação tem de ser assumida pelas emissoras, através de programas específicos.

O fato de algumas serem de domínio público pode ser um atrativo para este uso?
Domínio público se refere à propriedade intelectual expirada pelo número de anos após a morte do autor previsto pela lei do país dele e por tratados internacionais. Carmina Burana, p. ex., que é uma obra super-executada e conhecida, continuará rendendo lucros aos herdeiros (se ele tiver) e editores de Carl Orff até 2055; o Bolero de Ravel e a Rapsódia in Blue de Gershwin renderam até ano passado. Vamos falar de obras famosas ou que estão no "gosto geral" do público. Com certeza o uso pode ser atrativo, como na propaganda do Suco Mid e na do Kadett 95, mas as propagandas podem alavancar obras desconhecidas; sempre que uma obra clássica desconhecida é utilizada, os fóruns de discussão online e comunidades do orkut se enchem de perguntas de curiosos que querem saber o nome dela.

Você acredita que as pessoas possam ter interesse em conhecer a obra do compositor por causa da propaganda?
Sim, mas pelas pessoas que têm um mínimo de interesse pelo música clássica - e hoje ela saiu da condição de música de apreciação restrita (que durou algumas décadas). Há blogs que oferecem downloads (ilegais, a rigor), de CDs de música da Idade Média à pós-vanguarda, que têm mais de mil acessos por dia.

Na sua percepção, quando a música ganha uma nova versão para se adaptar à propaganda, em caso de ser um anúncio mais descolado como esse da Gillette, existe algum tipo de perda?
Se a versão for inventiva (caso da Gillette), não. Há certa perda num caso como o dessa propaganda da Skol:

http://youtube.com/watch?v=lbQNf9zq2Qs&feature=related

Como eles denotam que música clássica é hábito de gente quadrada, assumem uma preferência pela maioria de pessoas que forma seu público: "as descoladas", que curtem música eletrônica. Esse nicho é realmente majoritário, mas ostentar uma preferência que é excludente, no caso de uma empresa, implica numa perda de imagem pra ela. Eu achei a propaganda engraçada e Skol continua sendo minha cerveja preferida, porém descobri que houve celeuma no meio especializado, acarretando e-mails de protesto à fábrica da cerveja. Outra versão mais antiga da mesma propaganda (a daquela música "Nós somos os jo-ovens, jo-ovens...") fazia chacota com acampamentos juvenis, como se não houvesse pessoas dedicadas a atividades religiosas que tomam uma cerveja empurrada.

A impressão que eu tenho é que essas canções são usadas porque na memória afetiva das pessoas elas estão associadas a uma espécie de selo de qualidade, uma alta cultura. Você percebe isso, também?
Percebo, embora eu não saiba até em que medida isso seja totalmente certo.

Houve algum caso de propaganda que você gostou muito do resultado?
A do Kadett, que citei. Foi uma propaganda arrojada, que usou um arranjo crossover da ária da Rainha da noite de Mozart, de Edson Cordeiro com Cássia Eller, e não vulgarizou a obra.

Houve caso em que você detestou o resultado?
Não me lembro.

Respostas a Emanuela Castro

Em dezembro de 2007, paguei uma disciplina chamada Crítica da Música Erudita na Especialização em Jornalismo e Crítica Cultural (que concluí este ano) na UFPE. Emanuela Castro, minha colega de turma, optou por fazer uma pequena entrevista comigo para o trabalho dela - sobre a música clássica em Pernambuco naquele momento. Agora segue tudo para vocês. Eventuais correções ou comentários estão entre colchetes.

***

1) Como você vê hoje o cenário da música erudita em Pernambuco?
Primeiro, música erudita em Pernambuco quer dizer música erudita no Recife e em Olinda, porque em outras cidades do Estado simplesmente não há conjuntos musicais consolidados e são poucas as escolas de música fora da capital.

Formar um grupo de música clássica e fazer carreira com ele em Pernambuco implica em ter outra profissão para se sustentar, criar formas de cativar e educar um público quase inabituado a assistir a concertos, e fazer algumas concessões no repertório, como incluir arranjos de músicas folclóricas e populares, sem falar que gravar um CD já seria desde o início um projeto distante. O jeito, então, é ir tentando aprovar projetos via Lei Rouanet ou fundos de investimento à cultura estaduais e municipais, só que poucos projetos do interior são aprovados em seleções estaduais e, que eu saiba, somente Olinda e Recife têm leis municipais de incentivo à cultura. Essas dificuldades são o segundo item desse cenário.

O terceiro é que temos dois dos maiores eventos nacionais de música clássica - e os dois maiores do Nordeste na atualidade, a Mostra Internacional de Música de Olinda (Mimo) e o Festival Internacional de Música de Pernambuco (Virtuosi), este organizado por produtores locais (o casal Rafael García, violinista e maestro chileno radicado em Pernambuco, e Ana Lúcia Altino Garcia, pianista recifense); a Mimo foi idealizada por uma produtora carioca filha de paraibanos, Lu Araújo, que tem um grande know-how no Rio de Janeiro.

Contraditoriamente, os grupos musicais atuantes no Grande Recife não acompanham [quis dizer "não estão inseridos em"] essa imagem bem sucedida que o Estado está construindo na música clássica, graças à Mimo e ao Virtuosi. A única orquestra sinfônica e a única banda sinfônica do Estado, as do Recife, não remuneram bem seus músicos.

A orquestra sinfônica não rende musicalmente como deveria (esse problema de qualidade sonora me incomoda muito) e não ousa no repertório - é um problema de direção artística, cujo responsável se preocupou mais nos últimos tempos com problemas de direção administrativa, como cortar ponto dos músicos faltosos [o problema na verdade foi salarial - e teve outras variáveis por trás, como essas do parágrafo a seguir].

Isso sem falar de uma exploração indevida da orquestra (contra a qual os músicos já protestaram), que toca em eventos apoiados pela Prefeitura sem ganhar nenhum adicional por isso e ainda inclui arranjos de música popular além da conta - o limite do populismo e da bajulação chegou ao limite no último concerto do Dia do Trabalho, em 01 de maio, quando executaram o Hino da Internacional Comunista, dá pra deduzir a quem o maestro queria agradar, se nos lembrarmos qual partido governa a cidade atualmente. E apenas uma peça do programa era de música clássica.

Já o único colégio de música que abre um espaço significativo para seus alunos e promove eventos voltados para o público em geral é o Conservatório Pernambucano de Música, mas tem condições de ir mais além e criar mais atrações.

Filtre meus comentários sobre a Orquestra Sinfônica, que são mais para você entender minha visão sobre ela. O resto é do jeito que estou dizendo mesmo, pode botar tudo.

2) O que o músico tem em ganho na cidade?
O de sempre: uma merreca. Boa parte toca em grupos de outros gêneros (orquestras de frevo, big bands, conjuntos que acompanham cantores etc.) para complementar o salário - isso até os que têm um cargo como professor ou diretor de escola (de música).

3) O que há de bom (grupos, orquestras, músicos) de música erudita em Pernambuco?
Pouca coisa mesmo. Pianista Elyanna Caldas, o Grupo Orange, único grupo armorial atuando em Pernambuco, o Allegretto, único de música antiga, o Quarteto Egan, único quarteto de cordas, e de qualquer forma, a Banda e a Orquestra Sinfônica.

4) Você acha que há uma renovação das músicas eruditas em Pernambuco?
Se você diz renovação em termos de novos grupos aparecendo, há os que surgem no CPM, como o Quinteto Amizade, o Quinteto de Sopros da UFPE, que tem um ano de vida, a Orquestra Experimental, que tocou num projeto de música nas igrejas depois da Mimo, a Sinfônica Jovem do CPM, que fez turnê nordestina pelo segundo ano seguido. Mas só a OSJ do CPM tem boas perspectivas de continuidade [Dito e feito]. Tem ainda o Projeto Salão Nobre, um projeto de apresentações mensais no Salão Nobre do Santa Isabel, que começou com o pé direito. Se você diz renovação em termos de novos compositores, a resposta é: quase não há, exceto por um nome do SaGrama, Sérgio Campelo.

5) Há uma abertura dos meios de comunicação para tratar sobre o tema?
Abertura até há, hoje em dia, mas os músicos, instituições e conjuntos não têm condições de contratar um assessor de imprensa e acabam não ganhando visibilidade. Por fora, a pouca quantidade de eventos e a pouca importância em si dos eventos [de parte deles] também não contribui. O CPM, a Banda e a Orquestra têm condições de contratar uma assessoria, mas não têm consciência da importância das relações com a imprensa e não estão preocupados com isso.

6) Em que aspectos festivais como o Virtuosi interferem no cenário da música erudita em Pernambuco?
Simplesmente são um sopro de boa música numa maré de mesmice e escassez que permanece durante o resto do ano, além de projetar o nome do Estado em nível internacional e trazer músicos de longa carreira nacional e internacional, que ainda dão aulas para os estudantes daqui.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O Recife no mapa da música clássica em 2007‏

Estava deletando uns e-mails antigos, quando vi este daqui, que escrevi para Nelson Kunze, editor-chefe da revista Concerto. Não foi publicado, mas como passei a publicizar minha correspondência de caráter não privado aqui no blog, compartilho estas linhas com vocês, ainda que elas estejam com cerca de um ano de atraso.

É bom pra se ter uma noção do quanto de coisas boas teve em 2007 e que se deixou de ter em 2008.

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De: Carlos Eduardo Amaral (pb_amaral@hotmail.com)
Enviada: quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 17:24:14
Para: concerto@uol.com.br
Prezado Nelson,

Recebi o primeiro exemplar de 2008 da Concerto e, ao ler os depoimentos da retrospectiva 2007, resolvi contribuir com um breve relato que pode ser somado aos do cenário musical erudito brasileiro no ano passado. Aqui no Recife, apesar de haver somente uma orquestra sinfônica e uma banda sinfônica profissionais, que ainda têm a evoluir em termos de repertório e execução, é preciso celebrar a qualidade das duas únicas iniciativas que trazem atrações de renome internacional a Pernambuco, a ponto de se incorporar ao calendário cultural do Estado e ganhar projeção nacional: a Mostra Internacional de Música de Olinda (Mimo) e o Virtuosi.

Em setembro, a quarta edição da Mimo presenteou o público com os Czech Chamber Soloists (pela primeira vez no país), o pianista Dang Thai Son e a Petrobras Sinfônica, a primeira edição do curso de regência de Isaac Karabtchevsky no Brasil, o cello de Eugene Friesen e o reencontro no palco de Egberto Gismonti com Naná Vasconcelos - paro aqui porque não dá pra descrever o que aconteceu nos 22 concertos da Mostra, acontecidos em cinco dias, em que nomes locais (como o Nenéu Liberalquino Trio e o Quarteto Egan) também tiveram espaço e se tornaram mais conhecidos junto ao próprio público conterrâneo.

Em dezembro o Virtuosi chegou à décima edição preenchendo sete noites com 11 concertos e uma inédita jornada musical de 24 horas seguidas. Ainda que a jornada (chamada Virtuosi pela Paz) tenha atraído pouca gente na madrugada da Yellow Lounge da Deutsche Grammophon, foi uma idéia ousada e louvável. Já o fato de Christian Lindberg ter vindo ao Brasil especialmente para o festival - encerrando-o com a performance indefectível de A motorbike odyssey, de Sandström - mostra o prestígio desfrutado pelo evento, dos Estados Unidos ao Extremo Oriente, passando pelos países nórdicos e do Leste Europeu. Cerca de quinze nações estavam representadas na orquestra residente. O concerto em homenagem a Ariano Suassuna e à música armorial merece menção à parte, devido à estréia mundial de quatro obras, comissionadas para a ocasião.

O Virtuosi também fez sucesso em seus outros dois desdobramentos: o Virtuosi na Serra, cuja terceira edição aconteceu durante o Festival de Inverno de Garanhuns (não se estranhe o fato de uma cidade nordestina ter festival de inverno, há certas cidades serranas no interior da região que beiram os 1000m de altitude e, durante a estação, os 8°C), e Virtuosi Brasil, dedicado a intérpretes e compositores nacionais, que marcou sua quarta edição marcando as efemérides de Guarnieri e Siqueira e realizando a primeira audição pernambucana da Santos Football Music, de Gilberto Mendes.

Antonio Meneses celebrou seus 50 anos de idade estreitando os laços com a terra natal: marcou presença tanto na Mimo, acompanhado de Celina Szrvinsk, quanto no Virtuosi, ao lado de Gérard Wyss. Isaac Duarte, o maior nome do oboé pernambucano na atualidade e residente na Suíça, fez uma pausa no Teatro de Santa Isabel em julho para recital. Em dezembro, Recife (uma semana após Brasília) sediou o ciclo de debates A Saga da Música de Concerto no Brasil de Hoje e na América Latina, que, diante de poucas pessoas inscritas mas muito interessadas, reuniu compositores do Brasil e de mais quatro países e produtores de festivais das cinco regiões brasileiras.

No campo da ópera, o único registro é para O cientista, de Silvio Barbato, em que o próprio compositor regeu a Sinfônica do Recife. O espetáculo superlotou o Santa Isabel nas duas noites em que foi exibido. Pena é constatar que a Mangueira ganhe alguns milhões de reais para homenagear o frevo no carnaval do Rio; o dinheiro equivaleria a uma ópera por mês (mas sabemos que não ajuda em campanhas eleitorais). E Olinda ganhou uma nova série de concertos chamada Música nas Igrejas.

O Conservatório Pernambucano de Música (CPM), perto dos 80 anos de existência, mudou de administração em 2007, dinamizou o calendário de eventos e manteve espaço cativo para a música de câmara na cidade com a continuação das Quartas Musicais. A Orquestra Sinfônica Jovem do CPM rodou as principais cidades do Nordeste e do interior de Pernambuco pelo segundo ano seguido, em turnê patrocinada pela Chesf, e protagonizou concerto na Mimo. Já o recém criado Projeto Salão Nobre superlotou o Salão Nobre do Santa Isabel em apenas quatro meses de atividades e procura patrocínio para se expandir para o palco principal do Teatro.

Espero que em 2008 os produtores se aventurem a promover mais a música de concerto no Estado, porque até aqui o público pernambucano tem correspondido.

Cordialmente,

Carlos Eduardo Amaral
Crítico de música da Revista Continente Multicultural

PS.: Abro parênteses em off para a XVII Bienal de Música Brasileira Contemporânea, de 21 a 30 de outubro na Sala Cecília Meireles, da qual acompanhei as quatro primeiras noites a convite da Funarte. Um evento que não foi tão instigante quanto eu esperava, e ainda ignorado pela imprensa e pelo público (não sei por que motivos - tanto que a Bienal não foi lembrada na retrospectiva da Concerto), mas que não perde sua importância como referencial na revelação de novos talentos da música de concerto brasileira.

Apresentação do Concerto Carmina Burana, na TV Brasil‏

Rio de Janeiro, 26 de dezembro de 2008

Caros amigos,

informamos que o Programa Especial de fim de ano da TV Brasil, evento extraordinário dessa emissora, será realizado em cadeia nacional às 23h deste próximo dia 31 de dezembro.

Será apresentada a rara versão de câmara do CARMINA BURANA, de Carl Orff, executado pela Coro da Cia. Bachiana Brasileira, com a participação dos coros Brasil Ensemble e Infantil da UFRJ – que têm a direção da maestrina Maria José Chevitarese, o Quarteto Dínamo de Percussão, a participação dos percussionistas André Guimarães Frias, Lino Hoffmann e Xico Abreu, além do Duo Bretas-Kervorkian nos dois pianos.

Este concerto foi realizado no Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles, dia 7 de março deste ano de 2008, sob a direção do maestro Ricardo Rocha, contando com os solistas Edna d'Oliveira, soprano, André Vidal, tenor, e Inácio de Nonno, barítono.

O programa apresentará a obra sem intervalo, para que termine antes do Reveillon, recebendo comentários técnicos do diretor de "A Grande Música", José Schiller, após as notícias da passagem de ano pela emissora.

Agradecemos desde já por sua audiência e divulgação.


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Cia. Bachiana Brasileira
(21) 2245-0058
bachiana@bachiana.com.br



Alex

Mosteiro

O ator Márcio Carneiro foi sucesso no recital-ritual que aconteceu no Mosteiro de São Bento, dirigido por Márcio Carneiro e Tânia Guerra. O Mosteiro de São Bento merece um elogio porque além da missão religiosa está sempre disposto a acolher os bons eventos culturais. Esta semana fez recital de canto gregoriano.

O que você está ouvindo?

Nessas férias, creio que muitos de vocês vão aproveitar para ouvir um pouco mais de música, seja dos CDs que compraram e não tiveram tempo de apreciar de imediato, seja matando a saudade dos velhos álbuns guardados em suas prateleiras.

Por isso, convido-os a escrever ao blog (pb_amaral@hotmail.com) contando o que quiser sobre o que está sendo tocado no seu computador ou aparelho de som. Vou postando aos poucos todos os comentários aqui no Audições Brasileiras ao longo do mês de janeiro.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Romançal na Praça Osvaldo Cruz

Criado por Antonio Madureira, o Quarteto Romançal tem a música afinada com o tradicional e o contemporâneo, com influências sonoras nordestinas e internacionais. Os arranjos das composições integram temas nordestinos à música urbana. O grupo se apresenta, às 17h, na Praça Osvaldo Cruz (Boa Vista). A entrada é gratuita.

O menino que reinventou a própria história

Morador da comunidade do Coque, local marcado pela violência, Daniel Silva, 8, toca por um futuro melhor


Na casa de um vão só, onde mora com os avós e a irmã mais nova, Daniel costuma ensaiar com o violino da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Jaqueline Maia/DP/DA Press

Marcionila Teixeira // Diario
marcionilateixeira@diariosassociados.com.br

Daniel, morador lá do Coque, tem o fantástico poder de parar a roda giratória do mundo. Nessas pausas, reinventa a própria história, reescreve a de outras pessoas que param para observá-lo. Quem dera Daniel soubesse o tamanho da força que tem, que emana para os semelhantes. Um mundo melhor estaria a um passo de cada um de nós hoje mesmo. Não porque é dia de Natal, data do nascimento de Jesus para os cristãos, mas porque o menino com nome de origem hebraica teima em vencer o jogo da vida mesmo quando tudo parece condená-lo ao pior pedaço da sobrevivência na terra.

Daniel é filho da miséria. Mora no coração do Recife, em um bairro dominado pela criminalidade, a mesma que lhe arrancou cedo, a pedradas, a origem de sua própria vida: a mãe. Quando ela se foi, o menino só tinha três anos. O aconchego veio da avó, dona Maria. O calor vem da cama de casal que divide com ela, com a irmã um ano mais nova e com o avô. As telhas precárias que recobrem o casebre de um vão só também são capazes de piorar a sobrevivência nos dias mais quentes.

Na lama do Coque, comunidade da Ilha Joana Bezerra, no Recife, Daniel, de oito anos, aprendeu a jogar bola de gude e futebol. Aprendeu também que a violência incomoda e inspira vontade de fugir. "Quero um futuro melhor para mim e para a minha família. Aqui no Coque as pessoas ficam perdendo tempo com brigas. Não quero saber de confusão, quero vencer".

Um certo sorteio - Aos que crêem, Deus é o juiz de Daniel, segundo definição do seu nome. Na prática, o menino teoricamente condenado à miséria entrou, digamos, pela janela, e não pela porta, na sala da oportunidade. Há dois anos, a professora da Escola Municipal do Coque fez um sorteio dentro da sala de aula. "Quem quer participar da orquestra?", anunciou, se referindo à Orquestra Criança Cidadã - Meninos do Coque. O garoto com seis anos assentiu e ganhou a vaga na sorte. Só crianças com mais de sete anos poderiam participar das aulas de música. Quando todo mundo sedeu conta da idade de Daniel, ele já estava dentro do grupo. Quem era capaz de condenar Daniel pela segunda vez ao mundo dos sem-chance? O menino agarrou-se a um violino como quem agarra-se à própria vontade de viver.

Na época, Daniel era o mais novo da orquestra. Vestido com um paletó azul, já dava sinais de uma força capaz de mudar destinos. Com o violino em mãos, ele é a certeza de que o talento para a música não escolhe raça, classe social, bairro ou idade. A música é de todos, o talento é para gente como Daniel e a decisão para mudar rumos cabe a cada um de nós.

Amigo do presidente - Daniel Bernardino Mesquita da Silva ainda lê o nome com dificuldade, mas o maestro Cussy de Almeida não abre mão do domínio das letras para permanecer na orquestra. "A pessoa fica lendo, não consegue e aí fica nervosa", diz Daniel, tentando explicar a dificuldade que tem com o português. No ano que vem, vai para a terceira série. "Leio assim, assim, mas sei que no ano que vem vou ter que ler mais rápido", prevê.

O maior chefe de estado do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, viu Daniel tocar, emocionou-se e aprovou. Ganhou até um abraço do menino no último espetáculo da orquestra, na Bahia. Como em uma troca, ofereceu um violino de presente ao garoto. A promessa deve ser cumprida na entrega da primeira etapa do Parque Dona Lindu, em Boa Viagem. Quem sabe Lula não dá uma esticadinha ao Coque e infla os moradores do lugar com uma auto-estima que insiste em ir para o buraco. Onde crianças da idade de Daniel também portam armas, assaltam e traficam drogas.

A orquestra - Hoje Daniel é parte de um grupo formado por 130 crianças, todas moradoras do Coque. Para participar da orquestra, é preciso ser morador da comunidade, estudar em escola pública e não estar envolvido com a criminalidade, já que trata-se de um trabalho de prevenção. No último dia 19 de dezembro, o projeto foi contemplado com o prêmio Innovare, concedido pelo Ministério da Justiça.

As aulas de música acontecem no Quartel do Exército no Cabanga, próximo ao Coque. Os alunos recebem três refeições diárias. A idéia da orquestra faz parte dos sonhos do desembargador aposentado Nildo Nery, do Tribunal de Justiça de Pernambuco, e do juiz-corregedor João José Targino, que viabilizam a iniciativa através da Associação Beneficente Criança Cidadã. Juntos, contam com dinheiro da iniciativa privada para levar à frente o trabalho. Afinal, no cálculo da cidadania, prevenir custa menos que recuperar.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal

Na falta de inspiração para lhes escrever uma bela mensagem de Natal, acabei encontrando esta aqui, do colunista Alex, do JC, ao passar uma vista nos jornais de ontem. A mensagem não fala de música, como seria o ideal neste blog, mas comungo com ela o significado universal contido em todas as suas linhas.

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Momento certo para refletir
Publicado em 23.12.2008

O futuro não se aproxima de repente, nem deve dar dores de cabeça antecipadas, de certo modo é um segredo de Deus distribuído a todos e inserido em nossas vidas. Repito, o futuro não é inesperado, nem obedece a profecias. As coisas apenas acontecem. Algumas pessoas procuram fugir de si mesmas, ou ausentar-se do seu próprio corpo, espírito e ações como se pudessem estar livres do passado, sem que conseguissem ser atingidas pelas determinações do futuro. Mas por uma lei, cujo autor é divino, cada um deve reconhecer a sua própria história. E pensar no futuro não deve ser algo assustador se a pessoa tem uma fé aquecida pelo coração. Ter fé é uma dádiva, mas até Santa Tereza de Calcutá enfrentou dolorosos momentos de descrença. Então... Pensar no futuro só como atitude resultante depois de orações e balanços existenciais. Nesta época de final de ano, depois de viver a beleza do Natal creio que chegará o momento das reflexões, não fugindo mas aproximando-se de si mesmo e começar a pensar no que aconteceu em um ano de calendário, os fatos bons e os lamentáveis, o que virá em 2009, mas dominando os receios da insegurança, reforçando a crença de que Jesus é o filho de Deus, lembrar que corpo e alma estão entrosados e que nesta época especial temos de restaurar o pacto pela vida, caminhar com coragem nesse espaço imenso da existência e do imprevisível Universo mas que nos aproxima de Deus, de Jesus.

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E, para vocês refletirem, uma música inspiradora:


Virtuosi 2008 - Revelação - Prêmio do Blog



Claro fique de que não se trata de uma artista iniciante revelada no Virtuosi: Mariana Shirinyan é veterana, apesar da cara de nova, e não é por menos que faz duo com Ilya Gringolts, outro ás que passou pelo Santa Isabel na última semana.

Entenda-se por Relevação, o fato de ela ter estreado no festival e por ter se destacado pelo repertório abrangido e pelas execuções.

Difícil escolher entre Mariana, Nicolas Koeckert, Ilya e Philippe Jaroussky. O critério de desempate foi a quantidade e diversidade de compositores que ela interpretou [com competência].

Em conjunto, a pianista armênia 1. acompanhou Lindberg numa cavatina de Saint-Saëns e num romance de Weber, 2. integrou o conjunto que interpretou os quintetos com piano de Schumann e Dvorák e 3. mostrou sintonia total com Ilya Gringolts na execução de Szymanowski, Ravel, Maxwell Davies e Schubert. E, solo, impressionou pelas interpretações de Haydn, Debussy, Chopin e seus conterrâneos Mansurian e Arutunian.

Destaco o Haydn e o Arutunian do recital solo, a participação nos quintetos citados e o Szymanowski com Ilya para reforçar a justificativa do presente prêmio.

Virtuosi 2008 - Obra em destaque - Prêmio do Blog

Das cerca de noventa obras tocadas nos 15 concertos do Virtuosi 2008, algumas chamaram bastante a atenção, como:

- Kundraan, de Christian Lindberg, para trombone e cordas, cujo solista - também regente e narrador - encarna um homem que fez um pacto com lúcifer e tenta dominar a alma dos músicos da orquestra. Os segundos violinos entram "possuídos" no palco cantando o nome do degenerado Kundraan; este reconhece seu erro ao final da peça e se une a eles em ritmo de aventura e celebração ao triunfo da luz sobre as trevas.

- Sliding trombone, de John Cage. Outra piada do vanguardista norte-americano, talvez mais contrariadora do que 4'33", mas que garante um saldo maior de risadas graças ao zombeteiro Lindberg.

- Bombay Bay Barracuda. Outra do trombonista sueco, em que ele interage com um videotape no qual brinca, em uma ilhota isolada, com o amigo e também compositor Jan Sandström.

- O som da chuva na selva, de Naná Vasconcelos. Já falei do hipnotismo causado pelo percussionista ao fazer o público imitar o som do rio Amazonas, faltou eu mencionar o detalhe dos estalos de palmas aleatórias, sugerindo o cair dos pingos da chuva.

No hall das peças não vanguardistas, foram gratas surpresas:

- Mythes, três poemas, op. 30, do polonês Karol Szymanowski. O imitar da flauta de Pã tocando uma melodia em harmônicos no terceiro movimento com o acompanhamento impressionista do piano deve ter poucos paralelos na literatura violinística.

- O Concerto para violino, piano e quarteto de cordas em ré maior, op. 21 do francês Ernest Chausson, que morreu aos 44 anos após colidir contra um muro por ter perdido o controle [ou talvez o freio] de sua bicicleta ao descer uma ladeira. O público entendeu porque Marcelo Jaffé disse que a obra transbordava emoção do início ao fim.

Particularmente, concederei o prêmio para:

- Café Music, do norte-americano Paul Schoenfield. Uma prova de como um trio clássico (piano, violino e violoncelo) se embebeu na melhor música popular norte-americana sem ser frívolo ou simplório e conseguiu despertar interesse e satisfação no ouvinte ao dialogar com gêneros com os quais este está habituado a ouvir. Obra que possui paralelo com o trio In celebration, de Stanley Silverman, gravado pelo Musitrio de Porto Alegre.

Virtuosi 2008 - Menção Honrosa - Prêmio do Blog



Pau pra toda obra do Virtuosi 2008 e pianista exímio. Deu conta de um repertório tão abrangente quanto Mariana Shirinyan e suou tanto quanto Catalin Rotaru, não meramente de calor, mas de esforço. Não dá para não reconhecer a importância da participação de Victor Assuncion ao longo do festival.

PS.: Todos viram que Victor Assuncion está de cabelo curto. A foto acima é do ano passado.

Virtuosi 2008 - Melhor Conjunto - Prêmio do Blog

Ainda que o Quarteto de Brasília tenha proprocionado um bom repertório de obras ibero-americanas; que o Ensemble São Paulo (junto com Victor Assuncion e Catalin Rotaru) tenha apresentado aos pernambucanos a beleza do Concerto para violino, piano e quarteto de cordas de Chausson; e que o Dunamis Trio tenha sido nota dez na sensacional Café Music de Paul Schoenfield...

...o quinteto formado por Mariana Shirinyan (piano), Ilya Gringolts (primeiro violino), Anahit Kurtikyan (segundo violino), Rafael Altino (viola) e Leonardo Altino (violoncelo) - que foi formado ad hoc neste Virtuosi para executar o Quinteto em mi bemol, op. 44 de Schumann e o Quinteto n° 2 em lá maior de Dvorák e só realizou um único ensaio - demonstrou um entrosamento impecável e percebido pelo público e realizou uma interpretação invulgar, particularmente em Schumann, que se fez suficiente para este prêmio.

Virtuosi 2008 - Melhor Solista - Prêmio do Blog

http://www.virtuosi.com.br/wp-content/uploads/2008/11/catalin-rotaru.jpg

O pianista filipino Victor Assuncion esgotou todas as suas energias na execução de Gaspar de la nuit e da Sonata em si menor de Liszt no recital solo de domingo às 17h, em que não cometeu nenhum deslize, e foi essencial nos recitais com o Dunamis Trio e com Ensemble São Paulo, quinta e sexta-feira, respectivamente.

Christian Lindberg estreou como compositor e maestro no Brasil surpreendendo com Kundraan - uma obra performática e de momentos cômicos, bem a seu estilo - enquanto como solista se destacou numa cavatina de Saint-Saëns e num concerto de Albrechtsberger, logo na primeira noite do festival.

Rafael Altino deu conta da Sonata de Marlos Nobre e valorizou a parte solista do Concertino de Maestro Duda ao evidenciar características de ambas as partituras que outros solistas poderiam ter desprezado.

Naná Vasconcelos extraiu toda a possibilidades de timbres e ritmos de seu berimbau na noite de abertura e ainda mostrou que é possível uma massa humana reproduzir sons da natureza, ao reger o público e fazê-lo imitar o canto do rio Amazonas.

Leonardo Altino protagonizou uma das melhores interpretações de concerto para cello que já ouvi, no Concerto em dó maior de Haydn, quando do encerramento do extenso concerto das 21h de sábado (já passava das 23h quando a obra começou). Todos testemunharam a alegria interior com que Leonardo tocava cada nota da partitura - de memória e, na maior parte do tempo, sem olhar as cordas.

Ilya Gringolts trouxe um repertório diferenciado para o recital de encerramento do Virtuosi 2008 e, em perfeita sintonia com Mariana Shirinyan, mostrou aos pernambucanos sua maturidade técnica e pleno conhecimento da personalidade musical de Szymanowski, Ravel, Maxwell Davies e Schubert.

Nicolas Koeckert e sua esposa Kristina, Musa do Virtuosi 2008, conquistaram o público com a Sonata em dó menor de Grieg e com o carro-chefe do repertório que exibem mundo afora: a Fantasia de Igor Frolov sobre Porgy and Bess de Gershwin.

Antonio Meneses, acompanhado por Celina Szrvinsk, corroborou seu status de melhor violoncelista brasileiro da atualidade, merecendo destaque pela interpretação da primeira sonata para cello de Camargo Guarnieri.

Philippe Jaroussky optou por evidenciar todo o seu potencial vocal através da divulgação de mélodies românticas, em lugar de árias sacras e operísticas barrocas.

No entanto, a interpretação das Variações sobre um tema rococó de Tchaikovsky, no contrabaixo, fez com que Catalin Rotaru se tornasse o único autorizado a conceder um bis no concerto de sábado às 21h, tamanha a ovação que recebeu. E ao dar conta do 24° capricho de Paganini, consegui fazer não só a platéia como toda a Orquestra Virtuosi entrar em êxtase.

Marcelo Jaffé, Nelson Rios, Yehekzel Yerushalmi e Bjarne Hansen foram alguns dos músicos que transbordaram admiração a cada passagem difícil que o contrabaixista romeno superava com a flexibilidade de um violinista.

Em lugar de os instrumentistas da orquestra o aplaudirem batendo o arco nas cordas ou os pés no chão, como usual, eles fizeram questão de descansar os instrumentos ou de colocá-los debaixo do braço para bater palmas como a platéia - sinal máximo da consideração que Catalin Rotaru logrou perante os próprios companheiros e que justifica o prêmio ora concedido.

Segue um vídeo dessa interpretação, num festival recente na Polônia, como atestado das linhas aqui escritas. Prestem atenção na expressão dos músicos ao fundo.

Virtuosi 2008 - Melhor Solista - Prêmio do Público

Para os expectadores do Virtuosi parece que a escolha mais difícil foi a do melhor solista. Nicolas Koeckert venceu com dois votos apenas, ou seja, os ouvintes ficaram sem saber quem escolher, diante de tão boas opções que tiveram.

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Bruno Oliveira defende sua escolha: "A interpretação dele no dia 20 foi revigorante, tranquilizante e extremamente sentimental. Demonstrou um dominio absurdo e foi extremamente convicto do que estava fazendo em cada nota tocada. Identificou todas as mudanças de expressão nos fraseados ao longo das peças, fazendo uma interpretação autêntica, 'orgânica', virtuosistica e principalmente tocante!"

Ele complementa: "As duplas Meneses+Szvrinsk e Jarousky+Ducros, foram exepcionais na execução, mas não inspiraram tanto quanto o Koeckert. Também não consigo me empolgar muito nesses concertos em que atolam goela a baixo um repertorio excessivamente moderno. Esse desânimo se acentua ainda mais quando os músicos estão presos às partituras lendo".

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Confira agora outros votos.

Heitor Leal Farnese: "É uma escolha BEM difícil. Mas já que é para eleger um, voto em Philippe Jaroussky, que executou perfeitamente todas as suas músicas e deixou para mostrar a melhor delas, a habanera (que não é a de Carmen de Bizet), só durante a canja".

Felipe Jones: "Eu acho que o melhor solista foi o Leonardo Altino no concerto do Haydn devido ao tamanho amadurecimento que ele tem da obra, impecável, até mesmo a expressão corporal dele vale ressaltar aqui".

Wilma Basto: "Sem dúvida alguma o melhor solista foi o Catalin Rotaru. Ele fez o contrabaixo, um instrumento de som grave e de acompanhamento, soar de forma tão melódica quanto um violoncelo ou mesmo uma viola. Técnicamente perfeito e inesperadamente emocionante. Valeu a noite".

Virtuosi 2008 - Obra em destaque - Prêmio do Público

Aqui, não preciso falar quase nada. Apenas reproduzo os melhores comentários que fizeram de Kundraan, de Christian Lindberg, a Obra em destaque do Virtuosi 2008 escolhida pelo público.

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Heitor Leal Farnese: "A obra que mais gostei foi a do louco do Christian Lindberg, que demonstrou virtuosismo e vanguardismo tanto na performance quanto na composição. Não é qualquer um que faz uma obra tão original e ainda rege enquanto toca".

Catarina Albuquerque não votou na obra, somente no solista, mas resume o quanto o próprio compositor [maestro e intérprete] contribuiu para o sucesso da própria peça: "Christian Lindberg, regendo a orquestra e tocando trombone ao mesmo foi o máximo, a sua apresentação foi vibrante, inovadora, carismática, forte, ele tem uma energia no palco que é impressionante, ele é simplesmente excelente".

Bruno Carvalho de Oliveira destacou a peça de Lindberg junto com uma de Naná Vasconcelos: "A melhor obra apresentada não foi só uma, mas duas. A Kundraan do Christian Lindberg e Vozes do Naná Vasconcelos. Ambas foram bem ao fundo do subconsciente humano, extraindo sentimentos que poucas vezes são retratados em obras mais tradcionais, como uma viagem particular de cada um com um objetivo de reflexão e renovação de espirito com uma dose de entusiasmo para se reerguer e retornar a si.

Ele acrescenta: "A Kundraan do Lindberg, tirou sonoridades incriveis com a harmonia, com os temas tocados pelo trombone solo, e pelas intervenções inusitadas. A do naná, é dificil de se descrever".

Bruno ainda comenta: "Este Virtuosi foi bom, mas claro, podia ter sido melhor. Todos sabem das dificuldades que houveram para a realização desta edição, então, vamos esperar próximo ano para que se possa atingir o nivel absurdo que se teve em 2007! Com concertos de 24h de duração pela paz e as masterclasses que fizeram tanta falta aos estudantes de música esse ano!"

Por fim, Felipe Jones diz: "O Kundraan para trombone e orquestra de cordas, eu sinceramente não entendi direito a forma musical e a harmonia, mas acredito que tenha sido a música que mais me fez entender a idéia que o compositor quis passar, a falta de esperança por um mundo que parece cada vez pior, ao mesmo tempo uma raiva pelas coisas serem assim, uma tristeza, uma oposição de você pedindo a Deus para que as coisas melhorem, e pedindo ao diabo que tudo exploda de uma so vez".

"Além disso, foi muito bom a interassão que ele fez com o público, além da parte 'teatral' da peça, digamos que uma ótima 'apelação' para facilitar a todos o total entendimento de tudo, ou quase tudo que o compositor quis passar para nós", completa Felipe.

Outras obras só tiveram um voto cada uma. Pelo visto, o trombonista sueco sabe dar comunicabilidade às partituras não só quando as executa, mas também quando as rege e escreve.

Premiado da promoção "Eleja os melhores do Virtuosi 2008"

Felipe Jones ganhou um super lançamento, por ter participado da eleição dos melhores do Virtuosi: o CD Sonia Rubinsky - Sonatas de Scarlatti, da Algol.

Ele ainda leva de brinde, para dar de presente, os discos Pavarotti - The Duets e Bollani Carioca, da Universal Music.

João Alberto

Na praça

Foi um enorme sucesso a cantata natalina na Praça da República, em frente ao Campo das Princesas, aberto pelos corais do TJPE e dos Associados de Pernambuco, regido pelo maestro Ricardo Farias.

Festejos natalinos Recife afora

A cantora, compositora e rabequeira paulista Renata Rosa é a grande atração de hoje à noite no palco do Marco Zero. Radicada em Pernambuco, a artista prepara uma apresentação especial para quem for comemorar, no Bairro do Recife, o nascimento de Jesus. No repertório, canções de seu primeiro disco - “Zunido da Mata” (2005) - e do seu segundo álbum, “Manto dos Sonhos”, lançado no primeiro semestre deste ano. A apresentação irá contemplar a cultura popular harmoniosamente unida a uma combinação de arranjos, ritmos e melodias.

Munida do seu mais recente trabalho, Renata Rosa vem, desde julho, realizando apresentações exitosas no Sudeste e, mesmo, em países europeus. No Estado, a cantora vem conquistando espaço e reconhecimento. E não poderia ser diferente já que “Manto dos Sonhos” revela o interesse de quem identificou no Nordeste uma região rica de experiências culturais diferenciadas, como a presença da cultura árabe no sertão nordestino.

Para dar origem ao CD, a artista procurou conhecer o contexto poético-musical do Baixo do São Francisco alagoano e da Zona da Mata Norte pernambucana. Essa experiência despertou o interesse pelo maracatu de baque solto e pelo cavalo-marinho, resultando na perspicácia com que maneja hoje sua rabeca.

Além do show da cantora (a partir da meia-noite), integram a programação na véspera de Natal no Marco Zero a encenação “Baile do Menino Deus - Uma brincadeira de Natal”, às 20h; o Concerto para Rabeca, com Aglaia Costa, às 22h30, e a apresentação de Maciel Salu, às 23h30. Amanhã, nesse mesmo horário, o “Baile do Menino Deus” também marca presença no Marco Zero, iniciando a programação que ainda traz Korin Orishá (22h30), Lia de Itamaracá (23h30) e Josildo Sá com seu samba de latada (0h30).

PÓLOS
Outra opção de diversão para a véspera de Natal são os pólos descentralizados. No de Brasília Teimosa serão oito atrações - Cia Átrios de Arte, Luardart, Balé Deveras, Daniel Ribeiro, Banda Pra Valer, Cem Por Cento que Bolado, Samba Pros Amigos e Swing do Amor. No Ibura, hoje, haverá apresentações, a partir das 21h, da Cia Pé-Nambuco, Cia de Dança Skill, Boi Mainha, Natureza Humana, Abuzzados do Forró e Kelvis Duran. Amanhã, às 20h, o Pólo do Ibura recebe a Cia Estrela de Dança, Cia Folguedos, Cia Luardat, Pastoril Campinas Alegres, Mandagaroba e Caravana do Reggae.

Já o agito no Nascedouro de Peixinhos, às 19h de hoje, será embalado pelo Pastoril Luz do Amanhecer, O Pato, Anhuma, Saga, Rumbanda, Boi de Loucos, Coco do Zé, DJ Rone e finaliza com o Labaredas. Nesta quinta, a festa começa às 16h. O local recebe shows de Aço e Água, W2 Rock Band, Geração Mangue, Radola Semente do Bem, Pastoril Assumindo Nossas Crianças, Estado Civil e Gilmar Bola 8.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Agenda do Músico 2009

Em 2009, faça sua empresa participar do dia-a-dia de milhares de pessoas e profissionais que têm a mesma paixão em comum: MÚSICA.

Muitas empresas oferecem agendas aos seus clientes como brinde de final de ano. Agora imagine uma agenda pessoal completa para organização de compromissos super original, criada especialmente para agradar a Profissionais, Estudantes e Amantes da Música.



Em 2009 a Agenda do Músico está de cara nova e trazendo muito mais informações e
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Um baile que celebra o humanismo

Publicado em 23.12.2008

Com novos coros, direção musical e regência, Baile do menino Deus comemora 25 anos contando a história de Jesus sob a ótica popular


Fabiana Moraes

fmoraes@jc.com.br

Quando escreveu o Baile do menino Deus (há 25 anos, em parceria com Assis Lima), o encenador Ronaldo Correia de Brito não tinha a menor pretensão em criar uma obra que mais tarde se tornaria emblema do Natal da cidade. “Era uma coisa pequena, para nossos amigos e filhos”, comenta o diretor do espetáculo que estréia hoje no Marco Zero mobilizando cerca de 150 profissionais. Apesar da não-intencionalidade, o fato é que o baile repleto de cultura popular e religiosidade caiu nas graças do recifense: no ensaio-geral realizado no último domingo, o Marco Zero estava lotado de gente querendo conferir a montagem. Detalhe: os atores, bailarinos, músicos e cantores estavam sem os figurinos completos.

O enredo, que conta o nascimento de Jesus de uma maneira bastante peculiar, baseado nos autos populares nordestinos, não é sucesso só aqui, mas também em locais como Minas Gerais, Paraíba e São Paulo. Recentemente, a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho levou o espetáculo (usando o subtítulo Uma brincadeira de Natal) para o Theatro José Alencar, em Fortaleza. Também fizeram parte da encenação o grupo Formosura de Teatro e o coral Um Canto em Cada Canto. A boa performance do espetáculo, é claro, anima o diretor, que este ano optou por uma mudança significativa na montagem: o maestro Nelson Almeida deixa de assinar a direção musical e a regência, sendo substituído pelo maestro José Renato Accioly. “Mudamos a orquestra porque optamos pelo estilo mais popular e menos lírico. Os arranjos da orquestra e do coro, no entanto, continuam sendo de Nelson”, comenta Ronaldo. Assim, em vez de solistas líricos e populares, Baile do menino Deus terá cinco solistas totalmente voltados para o canto popular. Além de Silvério Pessoa e Irah Caldeira, fazem parte desse time Karlson Correia (em José e Maria), Isadora Melo (em Cantiga para acalentar o menino) e George Cabral (em Beija-Flor e Borboleta).

“Buscamos que o espetáculo soasse o mais natural possível, que o canto, apesar de ser trabalhado, não parecesse lírico, erudito”, diz José Renato, que já trabalhou com Ronaldo Correia Brito a ópera popular Auto das portas do céu. O maestro diz que está honrado em fazer parte da montagem. “Respeito muito o trabalho anterior e me dou bem com Ronaldo, esteticamente falando. Não foi difícil realizar a perceria. Buscamos trazer a sonoridade o mais próxima possível daquela inicial, e para isso Antônio Madureira foi fundamental”, comenta ele sobre o autor das músicas do Baile.

Este é o quinto ano que o espetáculo encenado pela primeira vez em 1983 vai para o Marco Zero. Na primeira década de sua criação, ele circulou pelos teatros locais (Valdemar de Oliveira, Apolo e Santa Isabel). Na cidade, também já foi montado pelo Balé Brasílica, braço do Balé Popular do Recife, ficando quatro anos em cartaz no Teatro Beberibe, em Olinda. Outra montagem foi do Grupo Boca de Forno, formado por crianças alunas do Conservatório Pernambucano de Música.

Para Ronaldo Correia de Brito, o sucesso do espetáculo que reúne cerca de 40 mil pessoas a cada edição tem na universalidade do tema a sua explicação. “A obra continua atual, fala de valores humanos, exalta a vida, tudo isso em tempos onde continentes inteiros estão em auto-extermínio, como a África”, comenta ele.

NOVOS NO PALCO

O novo coro adulto, formado por 12 pessoas, foi escolhido a dedo pelo maestro, o diretor e Madureira, que selecionaram primeiramente 24 pessoas até chegar ao formato que sobe ao palco hoje, amanhã e na noite de Natal. O mesmo processo aconteceu com o coro infantil, que tem alguns de seus integrantes saídos do Conservatório Pernambucano de Música. As roupas dos dois coros, assim como a da orquestra, foram recriadas. “Procuramos sempre nos reinventar, mesmo nos pequenos detalhes. Este ano, por exemplo, quem acalanta o menino Jesus é José, e não Maria”, comenta Ronaldo Correia de Brito.

No elenco, estão os atores Arilson Lopes e Sóstenes Vidal (que se reveza com Célio Pontes) no papel dos dois Mateus. Maria é vivida por Sandra Rino (de Maçã caramelada), enquanto José é encarnado por Tatto Medinni (de Ópera). Assinam a co-direção Quiercles Santana e Luciano Pontes, enquanto a direção de arte é de autoria de Marcondes Lima. A iluminação realizada por Játhyles Miranda é outra “personagem” importante no espetáculo, que também bebe na tecnologia para impressionar o público.

Doze refletores Par LED (light-emitting-diode) serão usados nas janelas das casas que compõem o cenário, além de 22 moving lights. Lamparinas manipuladas pelas próprias crianças são outro truque do iluminador para dar mais poesia a encenação – um fila de luzes à frente do palco também estará revestida por flores de lótus feitas de renda. A montagem tem patrocínio do Governo do Estado, Prefeitura do Recife, Chesf, Caixa Econômica e Copergás.

» Serviço: Baile do menino Deus. Hoje, amanhã e quinta no Marco Zero, a partir das 20h. Acesso gratuito.

Corais dão ritmo ao Natal

Publicado em 23.12.2008

Grupos do Tribunal de Justiça e dos Diários Associados ofereceram ao público ontem à noite, no Centro do Recife, composições clássicas e natalinas

Muita gente saiu de casa, no fim da tarde de ontem, para acompanhar a tradicional cantata de Natal promovida pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Com atraso de uma hora, a programação só teve início às 18h30, na Praça da República, no Centro do Recife. A abertura da noite ficou a cargo dos corais do TJPE e dos Diários Associados. Os grupos brindaram o público com canções clássicas e natalinas. Músicas conhecidas do público, retratando o nascimento de Jesus Cristo, foram executadas sob a regência do maestro Ricardo Farias. A apresentação abriu as festividades de fim de ano do TJPE.

O público vibrava ao final de cada canção. Também se apresentaram a Orquestra Criança Cidadã, com meninos da comunidade do Coque, na Ilha Joana Bezerra, Coral do Centro de Reabilitação e Educação Especial do Governo do Estado (Cree), além de um grupo de pastoril. No repertório da Orquestra Criança Cidadã, Primavera, de Vivaldi, O que é que a baiana tem?, de Dorival Caymmi, Apanhei de Cavaquinho, de Ernesto Nazaré, e Aquarela do Brasil, de Ary Barroso.

Em Olinda, no Grande Recife, o Centro de Educação Musical de Olinda (Cemo) também realizou concerto de Natal. A apresentação, iniciada às 19h30, aberta ao público, ocorreu no Teatro Beberibe, localizado no Centro de Convenções.

Um coro infantil formado por crianças de 6 a 12 anos e coro de professores entoaram músicas natalinas. O conjunto de 300 vozes se apresentou por mais de uma hora.

SOLIDARIEDADE

Na Igreja de Santo Antônio, no Centro do Recife, a solidariedade se juntou ao espírito natalino. Onze corais se apresentaram ontem à noite no 2º Encontro de Coros do Recife, promovido pela Federação de Coros de Pernambuco. Quem foi assistir levou pacotes de leite e alimentos que serão doados ao Comitê Pernambucano da Ação da Cidadania.

Hoje, a partir das 16h, haverá o Natal das Almas, na capela do Cemitério de Santo Amaro, área central do Recife. “Será um auto de Natal multicultural, com poesias dramatizadas e grupos vocais”, explicou o maestro Givanildo Amâncio, idealizador da iniciativa. Há 15 anos ele realiza no Dia de Finados, nos cemitérios recifenses, o Concerto para Vida. No local também serão arrecadados alimentos para o Natal sem Fome.

Hoje, a partir das 20h, no Pólo Marco Zero, ocorre a apresentação do Baile do Menino Deus - Uma Brincadeira de Natal. Em seguida, estão previstas apresentações do Pastoril Estrela Dourada do Jordão, Dj Big e Banda e, a partir da meia-noite, Zé Brown.

Dia a dia

Menino Deus

Começa hoje, às 20h, no Marco Zero, a temporada 2008 do Baile do Menino Deus. Quem acompanhou o ensaio geral, diz que um belo momento será o solo da cantora estreante Isadora Melo, de 19 anos, na cena em que José tenta fazer o Menino Jesus dormir. A canção que ela interpreta é Cantiga para acalentar o Menino.

João Alberto

Solistas - Além de mudanças em grande parte dos figurinos e cenário, o musical Baile do Menino Deus, em sua quinta versão, de hoje a quinta-feira no Marco Zero, vai contar com cinco solistas. Além de Silvério Pessoa e Irah Caldeira, George Cabral, Karlson Correia e Isadora Melo.

Ópera natalina e bem brasileira

Baile do menino Deus encanta há 25 anos e faz temporada de hoje a quinta-feira, no Marco Zero

Pollyanna Diniz // Diario
pollyannadiniz.pe@diariosassociados.com.br


Num apertado quarto na Ilha do Maruim, em Olinda, Helena Limoeiro costurou por horas e horas a fio. Foi um mês

Tatto Medinni interpreta José e Sandra Rino, Maria. Foto: Alexandre Gondim/DP/D. A Press.
de trabalho árduo, começando às 6h, e se prolongando até pouco antes da madrugada. Hoje, às 20h, a costureira de 53 anos vai ver nos palcos o resultado da sua dedicação: ela foi uma das responsáveis pelos figurinos do Baile do Menino Deus, encenado até o dia 25 no Marco Zero do Recife. "Dá muito orgulho quando você vê as pessoas dando valor ao seu trabalho. Ainda mais numa história tão bonita". Com texto de Ronaldo Correia de Brito e Assis Lima e músicas de Antônio Madureira, o Baile do Menino Deus é considerada uma ópera popular, que reúne imagens da tradição natalina do Nordeste como reisados, pastoris e a lapinha.

"O tema do nascimento é universal e o Baile traz isso de uma forma brasileira. É uma festa de Natal com gosto de caju, pitanga, pitomba e manga", explica Assis Lima. Não é a história do nascimento do menino Jesus comoestamos acostumados: Maria e José fugindo para Belém, no burrinho, tendo que se hospedar numa estrebaria. No Baile, dois Mateus (interpretados por três atores: Arilson Lopes, Sóstenes Vidal e Célio Pontes) e uma trupe de crianças saem às ruas na tentativa de achar a casa onde nasceu o menino. Depois de alguma demora e muitas peripécias para encontrar o local, a porta está fechada. Muito ainda acontece até que a porta se abra, Maria (Sandra Rino) e José (Tatto Medinni) apareçam e dêem o consentimento ao baile em homenagem a Jesus.

"Imaginei esse espetáculo para que ele pudesse ocupar o lugar que tinha a missa de Natal, a Missa do Galo, antigamente. Um espaço nas ruas para celebrar o verdadeiro Natal", revela Ronaldo Correia de Brito, que também assina a direção do espetáculo. Este é o quinto ano em que o espetáculo é encenado no Marco Zero. O primeiro palco foi o teatro Valdemar de Oliveira com a então companhia Práxis Dramática. De lá para cá, as encenações se espalharam por todo país. "Alunos de escolas, índios no Maranhão, grupos de sem-terra. São muitas montagens. Sei de duas grandes no Ceará e em São Paulo, por exemplo".

A música é considerada um dos fatores determinantes para a multiplicação desse auto de Natal, já que a história surgiu inicialmente em disco, pelo selo Eldorado, há 25 anos. Àquela época, a idéia era fazer uma música natalina inspirada na tradição do Nordeste, mas que não se confundisse com folclore ou mesmo com canto lírico. "Faltava um disco que estivesse dentro da nossa realidade cultural. Originalmente eram 12 canções. Aí a história e o texto se espalharam", explica Antônio Madureira.

O maestro José Renato Acioly é o responsável pela regência e direção musical do espetáculo neste ano. Uma orquestra com 12 instrumentistas, um coro adulto e outro infantil, cada um com 12 vozes, são os responsáveis pela execução de 18 músicas, cinco delas inseridas este ano por Ronaldo Correia a partir de uma pesquisa nos brinquedos e folguedos populares. Os ensaios começaram ainda no primeiro semestre, quando foi realizada uma audição para escolher os músicos que iriam participar do espetáculo. "Foi muito trabalho, mas a música é muito especial. Simples e, ao mesmo tempo, profunda", explica o maestro, que também está comemorando 25 anos de carreira. Irah Caldeira e Silvério Pessoa, além de Karlson Correia, Isadora Melo e George Cabral, estes últimos do coro, são solistas do espetáculo.


Anônimos garantem trabalho nos bastidores

Edilane, Elaide, Altino, Anderson e ainda muitos outros anônimos, que nem vão subir ao palco, juntam-se a Helena na construção do espetáculo de hoje à noite. Cristóvan Sovagem, de 66 anos, por exemplo, é o cenotécnico - "ou executor de cenários", como ele mesmo explica. Com uma equipe de mais sete pessoas, levou seis dias até que tudo estivesse pronto para a estréia. Foram duas viagens de caminhão para que todo o material de um galpão na Avenida Sul fosse para o Marco Zero. "Assisto ao Baile todo ano. É tudo muito ensaiado, muito bonito. É tanto trabalho que não tem como dar errado", conta Sovagem.

Trabalho nos mínimos detalhes. Durante dois meses, o trio de aderecistas Altino Francisco, Anderson Gomes e Gligione Cabral, fizeram quase 70 peças, criadas pelo diretor de arte do espetáculo, Marcondes Lima. Na semana passada, as peças ainda estavam sendo finalizadas: cocares de índio, cajados, golas, máscaras. Altino, que foi maquiador do Baile por dois anos, diz que agora não quer trabalhar no momento do espetáculo. "Eu ficava nos bastidores, maquiando. Agora é diferente. Quero ver tudo isso em cena".

No total, quase 150 profissionais fazem parte da produção do espetáculo que será visto num palco de 600 metros quadrados e com estrutura de mais de oito metros de altura. Ao contrário de outros espetáculos deste porte, os atores não dublam as vozes, o que aumenta a tensão e emociona os espectadores. A expectativa é que 40 mil pessoas passem pelo Marco Zero nos três dias de exibição do espetáculo, reafirmando que nascimento é vida e esperança, "pois quando nasce um menino, nasce toda a alegria".

Tradição natalina no Marco Zero

Em 1983, o Baile do Menino Deus era apresentado ao público pernambucano pela primeira vez, como um auto de Natal totalmente voltado para a cultura brasileira. Criado pelo escritor Ronaldo Correia de Brito e Assis Lima, com música de Antônio Madureira, o espetáculo subverteu as histórias tradicionais que incluíam o Papai Noel ou os Reis Magos, e inseriu figuras folclóricas do Nordeste como o Mateus para aproximar a trama do público. Neste Natal, a montagem comemora 25 anos de criação e ganha mais uma encenação no Marco Zero, em forma de cantata natalina. São três apresentações - hoje, amanhã e quinta, com acesso gratuito.

Este ano, o espetáculo terá direção de um de seus autores, Ronaldo Correia de Brito, e terá sua trilha sonora executada ao vivo, com participação de Silvério Pessoa e Irah Caldeira, além dos cantores Karlson Correia, Isadora Melo e George Cabral. A execução das músicas também conta com uma orquestra com 12 instrumentistas, 12 crianças no coro infantil e 12 pessoas no coro adulto. A regência musical fica por conta de José Renato Accioly. Os atores Arilson Lopes e Sóstenes Vidal vivem os dois Mateus, que procuram José (Tatto Medinni) e Maria (Sandra Rino).


HISTÓRIA

O Baile do Menino Deus conta a história de dois Mateus, que são seguidos por uma trupe de crianças e tentam abrir uma porta para celebrar o nascimento do Menino Jesus, se deparando no caminho com personagens como a burrinha Zabelim, a formosa Ciganinha e o monstro Jaraguá. A intenção dos dois personagens é encontrar o Menino Deus, por intermédio de seus pais, e realizar uma celebração pelo seu nascimento. O espetáculo foi montado em várias cidades, e teve algumas de suas músicas inseridas em CD do prestigiado grupo mineiro Galpão. A trilha sonora do Baile do Menino Deus também foi lançada em CD, com doze canções que se tornaram conhecidas, como “Romã, Romã”, “Ciganinha” e “Jaraguá”.

Serviço
Baile do Menino Deus
Marco Zero - Avenida Alfredo Lisboa s/n, Bairro do Recife
Hoje, amanhã e quinta (25), a partir das 20h
Entrada Franca