terça-feira, 7 de julho de 2009

João Carlos Martins e sua música

Entrevista: João Carlos Martins "Músico"

HUGO VIANA
Um fato curioso marcou a carreira do pianista João Carlos Martins, no final dos anos 1960. Depois de um concerto no Carnegie Hall, em Nova Iorque, ele recebeu uma dica do pintor Salvador Dalí, durante um jantar no restaurante Russian Tea Room. “Diga a todos que você é o maior intérprete de Bach, algum dia vão acreditar. Faz trinta anos que digo ser o maior pintor do mundo e já há gente que acredita”, disse Dalí. João não precisou recorrer ao conselho do artista. No período entre este show e os dias de hoje, o brasileiro se firmou como um dos expoentes da música erudita no cenário mundial. Atualmente, aos 69 anos, o compositor não consegue tocar piano com o mesmo vigor - o pianista desenvolveu uma lesão por esforço repetitivo (LER). Hoje, João Carlos se dedica à regência da Bachiana Filarmônica e da Bachiana Jovem, orquestras paulistas.

Como você recebeu a notícia de que não poderia trabalhar como pianista?
Procurei me afastar o máximo possível da rotina musical. Passei para outra área, virei empresário de boxe. Em 1973, trabalhei com Éder Jofre. Mas isso foi uma mágoa momentânea. Hoje, posso perder os dois braços que ainda quero estar em contato com o mundo da música.

Você irá tocar piano neste Virtuosi. Como será essa exibição?
Irei tocar com apenas três dedos. Brinco que, quando comecei minha carreira, tocava numa escala de 21 notas por segundo. Hoje, é o contrário: uma escala de 21 segundos por nota. Mesmo assim, estou muito feliz por trabalhar com música. Como não consigo tocar piano como antes, comecei a estudar regência, em 2003. Gosto de reger as obras de Beethoven, principalmente a Nona Sinfonia.

Qual a expectativa de participar desta edição do Virtuosi?
Acredito que Rafael Garcia, o diretor artístico do festival, é um dos últimos idealistas do Brasil. Sua coragem e a qualidade dos eventos em que ele trabalha são lições para as pessoas que atuam em São Paulo e no Rio de Janeiro. E, ainda por cima, ele e Ana Lúcia Altino, diretora geral do Virtuosi, trabalham com pouco dinheiro. Além de ótimos músicos, ambos têm visão empreendedora.

E o que o senhor acha dos outros artistas que participarão do Virtuosi?
Conheço alguns. Aprecio o trabalho de Antonio Meneses. Gosto do festival porque Ana e Rafael só convidam feras. Dessa forma, também me considero como um desses “feras”.

Programação
Hoje - 19h
Orquestra Virtuosi de Gravatá
João Carlos Martins, regente

Amanhã - 19h
Orquestra do Festival
Antonio Meneses, cello
Rafael Garcia, Regente

Dia 09 - 19h
Recital de Piano
Victor Asuncion

Dia 10 - 19h
As 4 Estações de Vivaldi & Piazzolla
Benjamin Sung, violino
Orquestra Virtuosi de Gravatá
Rafael Garcia, regente

Dia 11 - 10h30
Celebrando Haydn
Benjamin Sung, violino
Alexandre Razera, viola
Hrant Parsamian, cello
Victor Asuncion, piano

Dia 12 - 10h30
Recital de Flautas
Nicole Esposito & Rogério Wolf

17h
Orquestra Virtuosi de Gravatá & Solistas
Rafael Garcia, regente