segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Debates imperdíveis sobre música e comunicação na próxima segunda

Universidade Católica de Pernambuco (Recife)
Dia 05 de outubro, das 9:00 às 12:00 horas, Blogo G, na sala 507.

Mesa Redonda - Perspectivas para o desenvolvimento dos Estudos de Música e de Som

Coordenadores: Micael Herschmann (UFRJ) e Rose de Melo Rocha (ESPM)


a) Adriana Amaral (Unisinos)
Título: Visualização de dados sonoros e preferências musicais na web: apropriações culturais do Soundcloud e do Musical Avatar.

Resumo:
Pretende-se problematizar a relação entre consumo e recomendação de gêneros musicais e formas de visualização de dados nas plataformas de música online a partir das abordagens teóricas dos Sound Studies (Sterne, 2004) e dos Software Studies (Manovich, 2010). O objetivo geral é explorar a literatura sobre o tema e alguns projetos de pesquisa desenvolvidos essencialmente pelo campo da computação musical e contextualizar seus aspectos comunicacionais. Escolhemos como amostra duas plataformas com finalidades distintas, mas que funcionam com base em computação em nuvem: 1) uma plataforma de compartilhamento musical comercialmente bem sucedida, o Soundcloud (Alemanha, 2007); 2) o aplicativo/sistema experimental Musical Avatar (Espanha, 2010) produzido pelo grupo de pesquisa Music Technology, da Universitat Pompeu Fabra. A análise pautou-se pela observação das plataformas a partir das categorias debatidas em estudos anteriores (Amaral, 2009) e das diferentes possibilidades de apropriação cultural que esses meios proporcionam.


b) Felipe Trotta (UFPE)
Título: Música, sociabilidade e valores: dois estudos de caso.

Resumo:
Essa comunicação tem como objetivo refletir sobre as diversas funções sociais da música na sociedade. O cotidiano contemporâneo é permeado de música e sons variados, que ambientam e definem experiências sociais. Apesar disso, a reflexão sobre a atualidade midiática ainda mantém-se refém de uma forte ênfase em seus aspectos visuais, tanto em objetos e temas de pesquisa como até mesmo em metáforas e conceitos. Parte-se da noção de que a música é uma forma de pensamento e ação no mundo (John Blacking, 1995) a partir da qual visões de mundo e valores sociais são compartilhados e negociados. A experiência musical (e sonora) fornece, portanto, "pontos de escuta" sobre o mundo, tensionados a partir dos vários usos da música e do som. Para este trabalho serão discutidos dois casos de práticas musicais que articulam debates sobre sexualidade (Parar meu carro na frente do cabaré) e identidade negra (Respeitem meus cabelos, brancos), respectivamente, pavimentando uma reflexão teórica sobre a utilização cotidiana da música como forma de elaborar pensamentos, escutas e formas de sociabilidade.


c) Jeder Janotti Jr (UFAL/UFPE)
Título: Transformações da experiência estética e do consumo musical

Resumo:
Com as transformações nas formas de consumo e circulação da música, a idéia de “cena”, antes abordada como uma perspectiva sociológica de consumo de música nos tecidos urbanos, ganha relevância e permite compreender algumas das formas salientes de consumo musical que se materializam nas cidades. Nesta perspectiva, observar as articulações entre o processo de midiatização presente nos circuitos culturais e a experiência estética que envolve novas formas de fazer vibrar as cidades contemporâneas, permite que se analise a articulação entre circulação digital de informações musicais e sua apreensão nas cenas, ou seja, que se avalie a própria transformação dos espaços em lugares, a partir da materialização dos consumos musicais.


d) Micael Herschmann (UFRJ)
Título: Alguns apontamentos sobre os desafios e as perspectivas dos estudos de música na Era Digital.

Resumo:
Nesta apresentação busca-se problematizar: a) algumas das facetas mais relevantes da música hoje, isto é, suas dimensões comunicativas, artísticas, sociopoliticas e econômicas; b) não só o peso crescente da experiência social e coletiva da música (em detrimento de formas de consumo e de experiência mais individualizadas), mas também a emergência de uma cultura participativa; c) a crescente demanda dos alunos, pesquisadores e dos atores sociais pelos estudos de música (ao mesmo tempo constata-se que esta emergente demanda se depara com a falta de estrutura e recursos disponíveis nas instituições de ensino e pesquisa superior brasileiras). Tomou-se como referência para esta comunicação estudos anteriores desenvolvidos (Herschmann, 2007 e 2010) e as obras de Yudice (2004 e 2007), Frith (2006), Attali (1995), Maffesoli (1987) e Jenkins (2006 e 2008).


e) Simone Pereira de Sá (UFF)
Título: Som, música, audibilidades e tecnologias na perspectiva dos Estudos de Som.

Resumo:
Esta apresentação tem por objetivo mapear algumas das questões pertinentes do campo dos Estudos do Som (Sound Studies) - perspectiva ainda pouco conhecida no Brasil e que pode ser muito profícua para os estudos do campo da comunicação. Dentro desta reflexão, pretende-se abordar, primeiramente, a noção de “paisagem sonora”, de Schafer (1994), e seus desdobramentos por Corbin (1998), Smith (2003) e Thompson (2004); e, na segunda parte, a reflexão de Sterne (2004) sobre a “audibilidade moderna”, buscando assim abrir algumas trilhas para futuras reflexões em torno da dimensão aural da comunicação.