Ópera “Anastácia”, de Armando Lobo, ganha formato inédito de revista
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| Fotos: Divulgação |
Publicação se inspira nos zines e fotonovelas popularescas dos anos 70
Com informações da assessoria de imprensa
Estreada em janeiro no Teatro de Santa Isabel, a ópera Anastácia — drama musical do compositor e multiartista pernambucano Armando Lobo inspirado na obra de Fiódor Dostoiévski — está sendo lançada em um formato inovador no meio da música contemporânea de câmara. No formato de foto-ópera, o projeto ganha uma publicação impressa em papel, e tem estilo assemelhado ao das fotonovelas populares no Brasil nos anos 70 e 80.
No Recife, o lançamento oficial será no próximo domingo, dia 31 de maio, às 17h, no Cinema São Luiz, com a projeção da ópera-filme. A entrada é gratuita, enquanto a revista custa R$ 40. Na publicação, além da inspiração em fotonovelas, há elementos de histórias em quadrinhos e a presença de páginas de variedades (entrevista, horóscopo, receita culinária etc.), como em um publicação comercial de décadas atrás, voltada ao entretenimento. A revista tem 32 páginas e serve também de libreto impresso para a performance do espetáculo em palco.
As cenas foram fotografadas em um antigo presídio localizado no centro do Recife — e que hoje abriga a Casa da Cultura da cidade. Anastácia segue exatamente o modelo das fotonovelas melodramáticas tradicionais, com fotografias e balões de diálogos acompanhando as peripécias do roteiro. A música da foto-ópera pode ser acessada facilmente e de forma gratuita por smartphone através de QR code impresso na revista.
Anastácia é uma tragédia contemporânea inspirada em passagens tocantes de algumas obras de Fiódor Dostoiévski, notadamente Recordação da casa dos mortos, Os demônios e Crime e castigo. O libreto também possui influência marcante de Georg Büchner, Nelson Rodrigues e Erich Neumann, e citações a Eurípedes, Arthur Rimbaud e William Shakespeare. O espetáculo é uma realização da mesma equipe criativa da Ópera do claustro, que teve temporada de grande sucesso no Recife em 2025.
O ENREDO
Toda a ação da ópera se passa em uma colônia penal feminina. O enredo mostra uma presidiária, de nome Anastácia, que assassina outra detenta porque esta não lhe devolvera uma Bíblia. O projeto nos propõe uma reflexão catártica sobre questões de patologia, exclusão, vazio, confinamento, culpa e expiação.
Com o objetivo de conjugar imaginação poética e dados da realidade social, o projeto realizou entrevistas com ex-detentas, de onde foram extraídos elementos concretos poetizados na encenação, que também apresenta situações fantásticas e elementos da cultura popular nordestina, como a presença marcante de papangus endemoniados. Há também uma inusitada ciranda — dançada e cantada não à beira-mar, mas ao redor de um cadáver —, e a abordagem de temas cruéis como perversão sexual, canibalismo e autoimolação.
A OBRA MUSICAL
Anastácia combina elementos da ópera erudita contemporânea, ópera-rock e teatro contemporâneo, em uma abordagem dramatúrgica que se aproxima do naturalismo fantástico. Na obra, recitativos operísticos são evitados em favor de diálogos teatrais que facilitam o entendimento da trama. Todo o conteúdo harmônico e melódico da música é derivado da escala do blues e de modos da escala nordestina; este conteúdo recebe um tratamento orquestral que remete a texturas da música contemporânea de concerto.
Há também passagens com programações eletrônicas feitas a partir da sonoridade de um berimbau, somado a vozes fantasmagóricas processadas. Um trio de metais (trompete, trompa e trombone) faz a metáfora sonora do meio marcial/policialesco; violoncelo, guitarra elétrica, bateria e berimbau completam a sonoridade agressiva e muito brasileira da música.
SERVIÇO
Lançamento da revista ANASTÁSIA com projeção da ópera-filme
Horário: 31 de maio (domingo), às 17h
Local: Cinema São Luiz
Endereço: Rua da Aurora, 175, Boa Vista - Recife
Entrada: franca
Revista: R$40,00
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Concepção, direção, libreto e música: Armando Lôbo
Direção de arte, design, cenografia e figurino: Marcelo Coutinho
MINI BIOS
Compositor, encenador, multiartista e pesquisador pernambucano, Armando Lôbo desenvolve gêneros e estilos musicais diversos, com o uso de matizes experimentais e abordagem conceitual de tonalidade filosófica. Também concebe e produz projetos artísticos interdisciplinares, unindo vídeo, performance, teatro, literatura, música e pesquisa histórica e antropológica. Foi contemplado em diversos prêmios nacionais e internacionais, como compositor e também como diretor de filmes experimentais. Lançou 5 álbuns que mereceram cotação máxima da imprensa especializada. Sua obra tem sido executada por importantes grupos no Brasil, Europa e Estados Unidos. Lôbo é Ph.D. em composição cênica pela Universidade de Edimburgo, no Reino Unido.
Artista e professor de artes visuais da UFPB e UFPE, Marcelo Coutinho é mestre em Comunicação pela UFPE, doutor em Poéticas Visuais pela UFRGS e pós-doutor em Design e Cultura pela UFPE. Premiado em importantes mostras nacionais, participou das principais exposições de arte contemporânea do Brasil, dentre as quais destacam-se a 30ª Bienal Internacional de São Paulo e várias edições do Panorama da Arte Brasileira, promovido pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo. Trabalhando entre linguagens como o filme, a instalação e a performance, tem obras nos acervos do MAC-SP, MAM-RJ, MAM-BA, MAMAM-PE, entre outras instituições.





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