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Foto: Lucas Emanuel / Divulgação
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O SaGrama é um dos grupos musicais mais admirados de Pernambuco em atividade. Com 10 discos lançados e uma série de shows memoráveis no currículo, incluindo apresentações no Brasil e na Europa, o conjunto de música instrumental se dedica aos ritmos e representações culturais nordestinas com um tratamento de excelência musical de um repertório erudito. Ao longo de mais de 30 anos de trajetória, completados em 2025, o grupo participou de filmes e de espetáculos de teatro e dança, assinando trilhas sonoras originais, mantendo-se em constante movimento criativo.
Faltava, no entanto, um registro à altura dessa história. Lacuna agora preenchida com o lançamento do livro “SaGrama: um álbum por escrito” (Edição independente, 212 páginas, com apoio cultural da Cepe Editora), assinado pelo jornalista e crítico musical Carlos Eduardo Amaral. A obra que chegou às livrarias e ao público desde o mês de junho, ganha um segundo evento de lançamento na Academia Pernambucana de Letras, nas Graças, que contará com bate-papo e pocket show. Além da sessão de autógrafos com os instrumentistas, a plateia será brindada com os principais sucessos do repertório do grupo, que possui 10 integrantes.
Dividido em 23 capítulos, o livro percorre a carreira do SaGrama desde a origem, no pátio do Conservatório Pernambucano de Música (CPM), quando professores e alunos se reuniram após uma disciplina de música brasileira erudita de câmara, ministrada pelo flautista e multi-instrumentista Sérgio Campelo.
Na abertura, Carlos Eduardo Amaral destaca o convite recebido para a empreitada: “Agradeço a Sérgio, Cláudio e Manu pelo honroso convite para registrar a trajetória artística do SaGrama por escrito — gesto de confiança e consideração profissional ao qual espero haver correspondido nessa presepada literomusical”.
Depoimentos como o de Sérgio Campelo ajudam a iluminar os caminhos estéticos do grupo desde sua formação. Embora nem sempre seja simples delimitar os papéis individuais, nomes como Sérgio, Cláudio Moura e o maestro Dimas Sedícias (in memoriam) — este último sem integrar oficialmente o conjunto — foram fundamentais na construção sonora do SaGrama. “Cláudio é mais erudito, Dimas era o mais popular, e eu misturava os dois universos”, resume Campelo, ao recordar sua formação e o mergulho nas manifestações populares nordestinas.
Entre os marcos da carreira está a participação na trilha sonora de "O Auto da Compadecida", um dos maiores sucessos do cinema nacional. O grupo é responsável por composições icônicas como “Presepada”, tema dos personagens João Grilo e Chicó, vividos no filme do diretor Guel Arraes por Matheus Nachtergaele e Selton Mello. O reconhecimento veio também com o Prêmio da Música Brasileira de 2016, na categoria Melhor Álbum/Álbum Regional com o projeto "Cordas, Gonzaga e Afins”, ao lado da cantora Elba Ramalho, além de uma indicação ao Grammy Latino no ano seguinte, desta vez na categoria de Melhor Álbum de Música de Raízes Brasileiras.
CURIOSIDADES
A narrativa do livro avança até os trabalhos mais recentes, reunindo depoimentos inéditos sobre os bastidores da composição da trilha sonora do longa-metragem. A publicação traz, como complemento, apêndices com discografia completa, repertório, estatísticas, letras e outras curiosidades sobre o SaGrama.
Entre os entrevistados estão o médico, produtor musical e empresário Luiz Guimarães — responsável pelo selo que lançou os primeiros discos do grupo —, o maestro Dimas Sedícias, além do diretor João Falcão. Também participam integrantes do SaGrama, vozes que acompanham o grupo ao longo dos anos e a produtora cultural Manu Vieira.
A escolha de Carlos Eduardo Amaral para a autoria reforça o caráter sólido da publicação. Jornalista e crítico cultural, ele reúne experiência em pesquisa e produção de conteúdos sobre música, além de atuar como compositor e arranjador. Com graduação e mestrado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é autor de perfis biográficos lançados pela Cepe Editora no selo Frevo, Memória Viva, dedicados a nomes como Maestro Formiga, Maestro Duda, Getúlio Cavalcanti e Jota Michiles, além de obra sobre o Maestro Clóvis Pereira.
DOCUMENTÁRIO
Para ter a dimensão da importância do grupo, também vale ressaltar que, em junho, no lançamento do livro, no Paço do Frevo, também ocorreu a estreia de um outro produto cultural inspirado no seu universo artístico: o vídeo-documentário "Na pauta: SaGrama", editado, roteirizado e dirigido por Tell Aragão, com 23 minutos de duração, e disponível no YouTube da revista Continente da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), que abraçou o projeto.
SERVIÇO:
Lançamento do livro “SaGrama: um álbum por escrito”
Onde:: Academia Pernambucana de Letras (Avenida Rui Barbosa, 1596, Graças)
Quando: 1º de agosto, às 17h30
Entrada franca
Preço do livro: R$ 85,00
Mais informações pelo Instagram: @sagramaoficial
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